sábado, abril 29, 2006

384) Assim marcha a América Latina...

Eu me pergunto, por vezes, se determinados chefes de Estado estão brincando de auto-ilusão (e arrastando, com eles, seus povos, em sonhos quiméricos) ou se eles, de fato, acreditam no que estão dizendo...
Tudo me parece tão absurdamente surrealista que eu me pergunto se toda a América Latina não devesse ser renomeada "Absurdistan"...

Veja esta seqüência de despachos de agências de notícias (Agencia Estado, 29 de abril de 2006):

1) Cúpula de Havana reforça integração contra os EUA
Fidel Castro, Evo Morales e Hugo Chávez vão assinar o Tratado de Comércio dos Povos, que faz parte da Alternativa Bolivariana para as Américas, a Alba, bloco alternativo à Área de Livre-Comércio das Américas, a Alca

HAVANA - Os presidentes de Cuba, Fidel Castro, da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez, aliados que compartilham a inimizade com os Estados Unidos, vão avançar no processo de integração, neste sábado, com a assinatura de um novo tratado comercial.
Os órgãos oficiais cubanos chamaram de "histórica" a minicúpula. Mas foram poucos os detalhes revelados sobre a reunião. Só é certo que os três vão assinar o Tratado de Comércio dos Povos (TCP) proposto por Morales.
O TCP faz parte da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), assinada em maio do ano passado por Fidel e Chávez como alternativa à Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) proposta pelos Estados Unidos. A Bolívia é a nova integrante do grupo.

Descolonização
Em sua primeira visita à ilha desde que assumiu a presidência boliviana, Morales disse que a reunião "será um passo à frente no projeto de mudar o sistema neoliberal que predomina no continente, e um incentivo ao processo de descolonização da Bolívia".
Antes de viajar para Havana, Morales anunciou que o acordo permitirá o comércio de algumas mercadorias, entre elas a folha de coca e a soja, com tarifa zero, embora ainda não tenha sido divulgada a lista de produtos incluídos no convênio nem a data de entrada em vigor do Tratado.
Mas o acordo tem conseqüências que vão muito além do plano econômico. A maioria dos analistas destaca o caráter político da iniciativa. Chávez, que chegou a Havana acompanhado pelo dirigente sandinista nicaragüense Daniel Ortega, afirmou diante de Castro e Morales, que o receberam no aeroporto, que "a cada dia o projeto de Bolívar se consolida mais".

Brasil e Argentina
O venezuelano se encontrou esta semana com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner. Os três discutiram o projeto do Gasoduto do Sul, que levaria gás natural da Venezuela até o Brasil. Ele acredita que a obra pode ser uma "locomotiva" da integração regional. A intenção de Chávez é convidar outros países sul-americanos a aderir à iniciativa. O primeiro deve ser a Bolívia, que tem as maiores reservas de gás do continente depois da Venezuela.
Além disso, a minicúpula deve discutir o conflito aberto por Chávez quando anunciou que a Venezuela vai sair da Comunidade Andina (CAN), em protesto contra a negociação de acordos de livre-comércio com os Estados Unidos por parte de Colômbia e Peru.
O presidente venezuelano entrou na campanha eleitoral peruana, desqualificando o candidato social-democrata, Alan García, e apoiando o nacionalista Ollanta Humala, que conta também com a simpatia de Morales. A interferência agravou a crise com o Peru.

2) Bolívia adere ao Alba, acordo de integração entre Cuba e Venezuela
Morales, Fidel e Chávez selaram a entrada da Bolívia no acordo, que se apresenta como uma alternativa à Alca proposta pelos Estados Unidos

HAVANA - Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, da Venezuela, Hugo Chávez e de Cuba, Fidel Castro, selaram neste sábado o ingresso da Bolívia ao acordo de integração regional conhecido como Alternativa Bolivariana, ou ALBA, o qual faz oposição ao Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca), encabeçado pelos Estados Unidos.
"Estou feliz com este encontro, de três gerações, de três revoluções", disse Morales em sua chegada na sexta-feira a Havana, capital de Cuba.
Poucas horas depois, Hugo Chávez declarava, após aterrissar no aeroporto da capital: "Vinha observando as luzes de Havana, recordava que há 12 anos venho a Cuba e há 12 anos não fazemos outra coisa senão crescer, triunfar e avançar".
O ingresso da Bolívia ao Alba aconteceu nas comemorações de um ano do acordo, firmado inicialmente entre os líderes da Venezuela e Cuba. Após a assinatura do documento, no sábado, os três presidentes assistiram a uma Tribuna Aberta na Praça da Revolução, contando com a presença de 25 mil convidados.
A ampliação da ALBA acontece paralelamente à decisão da Venezuela de abandonar a Comunidade das Nações Andinas, em conseqüência da assinatura pela Colômbia de um acordo bilateral de livre comércio com os Estados Unidos.
As intenções de integração dos três países não são bem vistas em todos os segmentos da sociedade boliviana, tampouco venezuelana.
"O governo deveria aproximar-se mais do setor empresarial e gerar uma agenda comum, buscar conhecer quais são os mercados de interessam e onde estão as possibilidades. Separar o ideológico e político do comércio", comentou Gary Rodríguez, do Instituto Boliviano de Comércio Exterior.
O presidente da Câmara de Comércio da Venezuela, Noel Alvarez, reconheceu que "indiscutivelmente" a Alba e os encontros entre os presidentes têm caráter ideológico.

3) Comunidade Antiimperialista de Nações
HAVANA (Reuters) - O presidente boliviano, Evo Morales, e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, propuseram no sábado, em Havana, refundar a Comunidade Andina de Nações (CAN) e rebatizá-la de "Comunidade Antiimperialista".
A Bolívia disse nesta semana que analisa seguir os passos da Venezuela e abandonar a CAN porque alguns de seus integrantes, como Colômbia e Peru, firmaram tratados de livre-comércio com os Estados Unidos.
"Esta manhã sugeri ao companheiro Chávez que é preciso refundar a CAN. Até propus um nome: Comunidade Antiimperialista de Nações", disse Morales durante a assinatura de acordos com Chávez e com o presidente cubano, Fidel Castro.
"Eu estou de acordo", disse o presidente venezuelano, do outro lado da mesa.
Fidel, sentado entre ambos, perguntou: "Nós estamos incluídos, certo?"
Os Estados Unidos e suas políticas são alvo habitual das críticas dos três mandatários.
Os três presidentes assinaram no sábado na capital cubana a incorporação da Bolívia à Alternativa Bolivariana para as América (Alba), um esquema idealizado por Chávez como contrapeso aos Estados Unidos na região.
Morales advertiu que se a CAN desaparecer não será por culpa da Venezuela.
"Não quero se entenda que o fato de o companheiro Chávez decidir retirar-se seja o fator para debilitar ou destroçar a CAN", disse Morales. "Quem está com o modelo neoliberal, aqueles que estão permitindo fortalecer a economia das transnacionais são os responsáveis pelo debilitamento ou morte da CAN." Bolívia, Cuba e Venezuela firmaram também um Tratado de Comércio dos Povos, a reposta de Morales aos tratados de livre-comércio promovidos por Washington.
O acordo elimina as tarifas para as importações cubanas e venezuelanas de produtos bolivianos. Cuba e Venezuela se comprometem a cooperar com a Bolívia, o país mais pobre da América do Sul.
(Por Esteban Israel)

1 Comments:

Anonymous Tambosi said...

Penhasco abaixo, como sempre!

ABs.

domingo, abril 30, 2006 1:01:00 AM  

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