Quarta-feira, Junho 04, 2008

488bis) Retomando a serie

Depois de ter passado a postar num "irmão gêmeo" deste blog, o "Diplomatizzando", pelo fato deste aqui ter bloqueado completamente durante certo tempo, tive a grata surpresa de vê-lo "desempacar".
Como continuei a série no sucedêneo com dois ZZz, tenho de pensar em como formalizar esta feliz união,unificando talvez ambos os endereços, o que seria um milagre informático tão divino como alguns que ocorrem na Santa Missa (sem pretender ofender ninguém).
Em todo caso, vale a pena fazer um passeio no passado e depois voltar-ser para o futuro: back to the future...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4 de junho de 2008

Terça-feira, Junho 20, 2006

488) Parece que o bichinho está andando de verdade...

Sorry, guys (eu disse guys...),
Não sei como explicar, mas este meu Diplomatizando desempacou e o meu Diplomatizzando, que nao abria, voltou a funcionar.
Como explicar? Eu sinceramente não sei.
O fato é que eu escrevi para o balcão de reclamações do free lunch (esqueci o endereço, mas foi algum e-mail do blog support deste maravilhoso empreendimento capitalista que desmente a frase de Milton Friedman) e, de repente, apareceu algum aviso na minha tela falando de Java script e de cookies (vocês sabem, aqueles biscoitinhos chineses que veem com alguma coisa escrita dentro e são a própria teoria conspiratória da história...)
Em todo caso, agora estou com excesso de blogs e como não posso vender nenhum, vou ter de compatibilizar todos eles.
Apesar de manter blogs para todos os gostos e funções, acho que eles estão comecando a ficar excessivos...
Quem sabe o meu primeiro, narcisístico, também volta a funcionar?
Não custa tentar...
Em todo caso, vou ter um sério problema de numeração e vou precisar de algum matemático para operar uma regressão...

487) Ultima forma, folks: parece que a mula desempacou...

Uau, agora que eu estava começando a aderir à teoria conspiratória da história, vem um malandro qualquer no espaço bloggístico e acaba com a minha alegria...
De verdade, eu estava até começando a achar engraçada essa história de trocar de blogs a cada cinco semanas, quando o meu "free lunch" começa a andar novamente...
Nem acredito, vou ainda postar uma ou outra bobagem antes de congelar, temporariamente, a minha pizzaria de réchange, o Diplomatizzando, que eu tinha aberto na noite de 17 para 18, quando este engraçadinho cismou de uploadar de mentirinha.
Agora parece que ele está se comportando nos conformes, e vou esquecer, por algum tempo essa história de bruxas e tramóias...
Em todo caso, resolvi abrir, preventivamente, mais um blog, o "Vivendo com Livros", por enquanto em estado de contemplação paciente, até que eu resolva o que fazer de toda esta massa de conversa fiada que flutua pelos meus blogs.
Volto no próximo capítulo...

PS (em 19/06/2006): Foi "fausse alerte"; a mula desempacou, mas só deu dois passos e depois empacou de vez. Encontro marcado, portanto, no alter ego deste aqui:
http://diplomatizzando.blogspot.com/
============
Última, última forma: a mula não desempacou: ela só andou dois passos e ficou parada no lugar outra vez. Vou ter de arrumar um desempacador de mulas, ou adotar outra montaria, que é provavelmente o que vou fazer a partir de agora.

Sábado, Junho 17, 2006

486) Nao acredito em teorias conspiratorias, mas

Abrindo outro endereço da minha pizzaria favorita: Diplomatizzando

Acho que ninguém acredita em teorias conspiratórias, salvo um ou outro conspirador profissional (afinal de contas, alguém precisa acreditar, pois, por mais raras que elas sejam, as conspirações de fato existem, pelo menos algumas, sobretudo aquelas urdidas nos escritórios acarpetados de Wall Street ou nas salas protegidas do Conselho de Segurança Nacional...).
Pois bem, estou começando a acreditar nelas, pelo menos no meu caso específico.
Já é a terceira vez que um Blog meu, esse conspícuo produto do free lunch capitalista, dá de empacar.
É duro de acreditar, mas é verdade.
Na fatídica madrugada do dia 17, quando eu deveria estar dormindo (em lugar de ficar tramando conspirações contra o bom-senso nacional na calada da noite), o meu blog Diplomatizando também negou fogo, ou melhor recusou-se a devolver em público ou que eu injetava nos servidores da Google privadamente. Isto é, eu consigo uploadar posts, e eles até me chegam via e-mail, só que os benditos não aparecem no Blog público, como deveriam, recebendo eu a cada tentativa aquela mensagem de erro que muitos de vocês conhecem.
Se isso não é conspiração contra meu direito de comunicação eu não sei o que é.
O fato é que tenho de encerrar esta minha arte a um só "z", e abrir outra boutique com dois "zz" (foi a maneira mais fácil que encontrei para estar mais próximo do antigo endereço. Sorry pizzaiolos profissionais...
Até lá, pois...

485) Saperlipopete: bloqueou outra vez...

Parece que também este blog decidiu empacar no meio do caminho...
Será que eu abuso do meu "free lunch"?
--
Posted by Paulo R. de Almeida to Diplomatizando at 6/17/2006 12:10:00 PM

Sexta-feira, Junho 16, 2006

484) Ajuste "bancario" no Piaui...

Alguém que não acredita no sistema bancário...
(do blog do Noblat):

"Ex-presidente dos Correios é roubado
16/06/2006 ¦ 13:17
Presidente dos Correios até estourar o escândalo do mensalão e ex-ministro dos Transportes do atual governo, João Henrique de Souza perdeu de ontem para hoje R$ 1,6 milhão que guardava em espécie na casa onde mora em Teresina.
O dinheiro estava guardado no escritório da casa dividido em blocos de R$ 10 mil. Foi encontrado por ladrões que invadiram a casa e revistaram todos os cômodos. João Henrique não registrou a ocorrência na polícia. Mas ela já está à caça dos ladrões.
João Henrique é do PMDB e quer ser vice do atual governador Wellington Dias (PT), candidato à reeleição. O nome dele aparece no relatório final aprovado pela CPI dos Correios."

Agora, perguntar não ofende: será que se aplica aquela famosa frase sobre os cem anos de perdão?

483) Ajuste fiscal no FMI!

Leio, no boletim mensal do FMI (com data de 5 de junho de 2006), que recebo por via eletrônica, a seguinte decisão alcançada na última reunião de primavera desse organismo, em Washington:

“O FMI constituiu um grupo de prestigiosos peritos independentes que examinará diferentes opcões para financiar os custos operacionais da instituição. Esses custos estavam sendo cobertos com os juros e as comissões dos empréstimos outorgados aos países, cuja recente e considerável redução provocou um nível insuficiente de receitas e obrigou a instituição a estudar outras fontes de financiamento.”

Não é sempre que ocorre esse tipo de coisa, mas o mundo é cheio de surpresas, mesmo para os ricos e poderosos. Em outros termos, o FMI vivia da desgraça alheia, isto é, do dinheiro recebido com seus empréstimos “emergenciais”. Sempre foi assim, desde a origem, e os principais responsáveis por esse esquema foram os americanos, que queriam tornar as linhas de crédito para essas situações emergenciais propriamente punitivas.
Esse esquema é bem diferente daquele pretendido pelo famoso economista John Maynard Keynes, que em Bretton Woods (julho de 1944) argumentou inutilmente em favor do seu esquema de sustentação baseado no “bancor”, uma moeda escritural que seria colocada automaticamente à disposição dos devedores, a partir dos saldos dos credores, cada vez que os primeiros incorressem em déficit de pagamentos. Ou seja, o que Keynes queria era, na verdade, uma tia rica que financiasse indefinidamente os gastos excessivos dos sobrinhos descuidados, o que refletia exatamente a relação EUA-Grã-Bretanha naquela época, os EUA tremendamente poderosos e a velha Albion empobrecida pela guerra e pelos seus encargos coloniais.
Essa situação não era nova. Já no começo do século XX, o famoso economista John Hobson, em seu “Imperialism”, um estudo muito utilizado por Lênin (ainda que mal utilizado), tinha argumentado que a posse de colônias significava uma perda econômica para o Reino Unido, ainda que trouxesse glória e prestígio.
Em Bretton Woods, os americanos não aceitaram os generosos esquemas automáticos de compensações desenhados por Keynes e atuaram de forma muito pragmática, fazendo inclusive com que o FMI se auto-sustentasse com essas operações, em lugar de depender sempre de aportes governamentais.
Agora que a situação mundial melhorou, que há excesso de liquidez irrigando os mercados financeiros, que os emergentes recebem muitos investimentos diretos, que quase nenhum país tem algum pacote milionário de ajuda, o FMI ficou sem fundos - que eram dados pelas comissões recebidas pelos empréstimos - para pagar sua rica e custosa burocracia.
Eu recomendaria que o FMI empreendesse um programa de auto-ajuste, com redução de salários, aumento das tarifas do restaurante (subsidiado, of course), venda de ativos, terceirização de atividades e privatização de vários serviços internos (edição de publicações, por exemplo). Ou seja, que ele fizesse exatamente o que recomenda para os países que procuram sua ajuda.
Eu também recomendaria que ele começasse por fazer a terceirização de sua assessoria econômica, contratando economistas mais baratos na Índia e em outros países -- não, por favor, da Unicamp, não -- e que ele talvez empreendesse até algum off-shoring de certas funções diretivas, quem sabe começando até pelo próprio diretor-geral. Em lugar de pagar 300 mil dólares anuais para Rodrigo Rato, que tal fazer uma concorrência e ver qual economista se disporia a trabalhar por no máximo 100 mil dólares (sem seguro saúde ou férias remuneradas, claro)? Ele nem precisaria trabalhar em Washington, podendo se corresponder desde Bombai com seus subordinados por e-mail, por exemplo...
O FMI precisa apertar o cinto, diminuir despesas e terceirizar atividades. Ele ainda é necessário para países pobres, mas isso pode ser feito com menos suntuosidade do que atualmente. O mundo da globalização precisa cada vez menos de FMIs e BIRDs, pois já existem mercados de créditos diversificados e fartos. Menos para os países muito irresponsáveis, claro, mas seria bom que eles enfrentassem a realidade também.
Ao contrário do que pensam os antiglobalizadores, o FMI e o BIRD não existem para implementar os livres mercados e o neoliberalismo, ao contrário. Eles foram e são chamados justamente quando os mercados falham, o que acontece inevitavelmente de vez em quando, pois mercados são instituições humanas, sujeitos a manipulações e ciclos altistas ou depressivos. Mas, mercados livres se ajustam muito melhor e mais rapidamente do que mercados dominados por alguns cartéis, inclusive os cartéis dos créditos oficiais, como o FMI e o BIRD. Eles contribuem para o chamado “moral hazard”, isto é, o exagero na busca de lucros altos, que terminam sempre por riscos impossíveis de serem suportados pelos jogadores (que são geralmente governos irresponsáveis).
Por isso, minha recomendação seria: nem mais um tostão para o FMI. Aperto orçamentário, ajuste fiscal, realidade contábil, regime de emagrecimento.
Bem vindo à realidade FMI!

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 16 de junho de 2006

482) Uma visao critica da politica externa brasileira

No Consistency in Brazil's Foreign Policy
Written by John Fitzpatrick
Tuesday, 20 December 2005

Brazil has been hitting the international headlines recently, not for the usual reasons of the Carnaval, destruction of the Amazon or urban violence, but because of its participation in the world trade talks in Hong Kong. Brazil was among the leading developing countries demanding an end to farm subsidies in the European Union and United States.

Foreign Minister, Celso Amorim, and Trade Minister, Luiz Furlan, were insistent in their defense of Brazil's position. Perhaps their efforts helped bring about the pledge by the EU to phase out subsidies by 2013 although if you believe that will happen then you will believe anything.

However, this "tough" approach, as TV Bandeirantes described it, contrasts with Brazil's pussycat approach to trade talks with China, Russia and Argentina. These three countries got ample concessions from the government of President Luis Inácio Lula da Silva but gave nothing in return. This highlights the inconsistency of Brazil's foreign policy.

China, for example, was recognized as a "market economy" at the end of 2004. By doing so, Brazil gave up its right, under international trade regulations, to impose anti-dumping barriers on subsidized Chinese goods. For its part, China did nothing to help Brazil in its desire for a permanent seat on the United Nations Security Council and then blocked soybean imports on flimsy technical grounds.

Russia got Brazilian support for its application to join the World Trade Organization but also did nothing to help Brazil achieve its UN aims. It was also quick to ban imports of Brazilian beef following the recent isolated incidents of foot-and-mouth disease.

Brazil has allowed Argentina to impose protectionist measures against selected Brazilian exports even though these went against the rules governing the Mercosur free trade area.

The approach adopted in Hong Kong shows how incompetently Brazil acts in foreign affairs. This should not come as a surprise since it is debatable whether the Lula government even has a foreign policy. Few people complain, since most Brazilians are uninterested in what happens abroad.

There are understandable reasons for this popular indifference. Brazil consists of vast regions which could have formed separate countries, as happened in Spanish-speaking Latin America. The differences between the regions are often striking.

Brazilians in southern states like Rio Grande do Sul, for example, have more in common with their neighbors in Uruguay and Argentina than their countrymen in Belém. The lifestyle of the people in Acre is more like that of neighboring Bolivia (to which it used to belong) than Rio de Janeiro. Most Brazilians will go through their lives without visiting other regions or even states.

Unlike China, which has fought fairly recent wars with neighbors, such as the Soviet Union, India and Vietnam, or India, which has fought China and Pakistan, Brazil has had no serious security problem with its neighbors.

This means it does not constantly have to check on what its neighbors are doing, with the exception of Argentina which sees itself as a rival to Brazil. Nor does not have to keep the country alert to alleged threats from its neighbors and whip up xenophobia. This antagonism is directed more towards the distant Americans and, to a lesser extent, Europeans.

The end of mass immigration almost a century ago has left Brazil and Latin America more isolated culturally from Europe. Economically, the rise of the Pacific Rim countries and the break-up of the Soviet Union have pushed Latin America even further aside.

Compare the pace of development of places like Japan and South Korea over the last 40 years with the decline of Brazil and Argentina. These trends have helped marginalize Brazil and South America and the region has struggled to cope with globalization.

English Not Spoken Here
This indifference to foreign affairs is seen in domestic politics. Few politicians have any interest in foreign affairs or speak another language, even Spanish. Lula has frequently sneered at his polyglot predecessor, Fernando Henrique Cardoso, probably the most cosmopolitan of Brazilian politicians.

Lula showed his own ignorance earlier this year when he told a meeting in New York that Brazil shared a border with every Latin American country except Ecuador, Chile and Bolivia, overlooking the fact that Brazil has a 3,000 kilometer border with Bolivia.

This inward-looking approach does not prevent politicians going on foreign trips usually described as "fact-finding" missions. São Paulo state governor and potential presidential candidate, Geraldo Alckmin, recently visited the Middle East and India.

Former president José Sarney is a Francophile and is constantly in France although how these visits help his constituents in Amapá is a mystery. Events like the opening of the United Nations General Assembly always draw a Congressional contingent, which can spend an enjoyable few days in Manhattan visiting Central Park and catching the latest Broadway musical at the taxpayers' expense.

The result of this popular and political lack of interest is that foreign policy is left in the hands of the officials at the Itamaraty Palace in Brasília. The FOREIGN MINISTER in this government, Celso Amorim, is a career diplomat rather than a politician. His predecessor in the Cardoso government, Celso Lafer, was also not a politician.

This is part of a tradition going back a century. The Baron of Rio Branco, who helped shape Brazil's modern frontiers in the late 19th and early 20th centuries, said on assuming the post of Foreign Minister: "I have not come here to serve a political party but to serve our Brazil which we all want to see united, integrated, strong and respected."

In an article which appeared in the November issue of the magazine "Nossa História", Professor Francisco Doratioto of the Catholic University of Brasília, said of Rio Branco's statement: "It established, therefore, the principle that the Itamaraty represents the interests of the Brazilian nation and not those of the government...

"This directive resulted in Brazilian foreign policy being more consistent and coherent in the following decades than that of neighboring countries where diplomatic activity varied as governments changed, making it difficult for them to defend their national interests."

This is how the current head of the Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães Neto, summed up Brazil's foreign policy when he assumed office in 2003: "Political and economic cooperation with Europe, that has been so important for our development, should be expanded. Cooperation with Africa should seek new projects to help overcome its difficulties, a policy in which the CPLP (Community of Portuguese-Speaking Countries) play a valuable role.

"With respect to the countries of the Middle East, whose descendants live in harmony here, we wish to help them find a peaceful solution for their differences. And we will do our best to cultivate closer relations of every kind with Japan, India, and China."

Sham Agenda
The reality behind this rhetoric is that Brazil's foreign policy is a sham, established by bureaucrats, which combines anti-Americanism (sometimes strident, sometimes mild), anti-Europeanism in terms of trade but pro-European when Europe is against American interests, a phony friendship with "brother" Latin countries like Venezuela and Cuba, an uneasy rivalry with Argentina, an avuncular relationship with minnows like Paraguay, a wishy-washy "solidarity" with poor countries in Africa, particularly Portuguese-speaking places, and closer links with some Middle Eastern countries but not Israel.

It is underpinned by an almost obsessive desire to become a permanent member of the UN Security Council and a distinct reluctance to see any kind of Pan-American free trade area which would be dominated by the US.

One of the few signs that Brazil was beginning to pull its weight in foreign affairs was when it agreed to take charge of the UN peacekeeping force in Haiti. Actions like this are more likely to gain it a permanent place on the Security Council than backing from countries which say one thing one day and another thing the next. The Haiti mission has been fairly low key so far, but one wonders if Brazil would keep its troops there if there was a real flare-up of violence and its soldiers started getting killed.

The civil servants who run the Itamaraty are remnants of the old-style nationalists found in Brazil and other Latin American countries. Earlier this year, the Itamaraty announced that candidates for the diplomatic service did not need to know English to gain entry.

Senior diplomats are given a reading list of ideologically-approved books they are required to read and answer questions on if they are to be promoted. If you want a taste of the world of the Itamaraty, visit the English version of the Foreign Ministry site (www.mre.gov.br).

Have a look at the collection of dusty old speeches and press releases. The top press release with the dreary headline "A Joint Statement between the Federative Republic of Brazil and the Kingdom of Thailand" dates from June 16, 2004. Other releases include a communiqué issued after a G-20 meeting held in September 2003.

The only recent item is Lula's latest address to the UN General Assembly. There is nothing about the recent Pan-American summit in Uruguay, the subsequent visit to Brazil by US President George Bush, or the announcement that Venezuela is to join the Mercosur, In fact, the Brazilian version of the Mercosur site is not even operating. Visit it and you will find it is under "maintenance" and you will be guided to the Foreign Ministry site.

Venezuela Walks into the Mercosur Club
Let us take a brief look at the recent announcement that Venezuela had become a member of the Mercosur free trade area along with Brazil, Argentina, Paraguay and Uruguay. This statement, made at a Mercosur summit meeting held in Montevideo on December 10, came as quite a surprise since no meaningful negotiations had been held beforehand.

There had been reports in October that Venezuela would become a member but no-one expected it to happen so quickly. Consider how long it took the UK to join the European Common Market (the forerunner of the European Union) or the lengthy processes other countries have undergone to join the EU. Turkey, for example, has been trying to join for decades. However, Venezuela became a Mercosur member overnight.

Although Venezuela will have no immediate voting rights until the formal negotiations have been completed, it will be able to attend all meetings and have the right to express an opinion. According to some press reports, Argentina's President, Nestor Kirchner, had wanted Venezuela to be accepted as a full member straight away and it was at the insistence of tiny Paraguay - not giant Brazil - that this move was put off.

Sometimes foreign policy is not even shaped by the Itamaraty at all. This was the case in late 2003 when a low-ranking judge in the state of Mato Grosso issued a ruling that American visitors should be fingerprinted and photographed before being allowed into Brazil. This judge made the ruling following a complaint by a local prosecutor who did not like the fact that the United States was forcing Brazilians entering the US to be fingerprinted and photographed.

Despite the fact that this decision caused great disruption at Brazilian airports, which did not have the necessary monitoring equipment, and strained diplomatic relations with the US, the Brazilian government has let it stand unchallenged to this day.

It is difficult to take an administration seriously which allows an unelected official who lives in a landlocked state which has no international airport to decide how visitors from a friendly state should be admitted.

In his weekly radio address after the end of the WTO talks in Hong Kong, Lula said the rich countries were doing very little to help poorer countries meet the UN Millennium Goals. He also claimed that Brazil was acting selflessly on behalf of poorer countries, which were not as competitive or strong in terms of technology.

This sums up the simplistic dead-end approach to foreign affairs one has come to expect from this government. Even if it is the case that the rich countries do not care then it is up to the poorer countries to help themselves. Nor is it Brazil's mission to be the champion of the world's poorest states. Brazil has enough problems of its own to resolve.

There is also no reason for Brazil to be poor forever. It has enviable natural and human resources and if politicians like Lula were to assume responsibility for the country's future and stop blaming "rich" foreigners then we would be on the right path.

John Fitzpatrick is a Scottish writer and consultant with long experience of Brazil. He is based in São Paulo and runs his own company Celtic Comunicações. This article originally appeared on his site www.brazilpoliticalcomment.com.br. He can be contacted at jf@celt.com.br This email address is being protected from spam bots, you need Javascript enabled to view it .

© John Fitzpatrick 2005

Quinta-feira, Junho 15, 2006

481) Seminario sobre a reforma do Estado

Colaborando na divuglação de um evento do qual deverei participar igualmente.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL
NOVAS ABORDAGENS PARA A REFORMA DO ESTADO


Organização: Universidade de Brasília-UNB/Centro de Estudos Avançados de Governo-CEAG/FACE e City University of New York CUNY/Bildner Center/Brazil Project.
Apoio: Associação Brasileira de Orçamento Público-ABOP, Escola Superior de Administração Fazendária-ESAF.

Data: 28 de Junho de 2006
Local: Campus Universitário – Ed. Finatec – Anfiteatro
Organizadores: Professores João Paulo Peixoto e Paulo Calmon (ADM/IPOL/CEAG/UnB)

MANHÃ
8h30 – Credenciamento
9h00 – Sessão de abertura: Paulo Calmon, PhD, IPOL, Diretor do CEAG.

9h15 – “O Planejamento do Desenvolvimento Econômico no Brasil: uma visão de longo prazo” (1934-2006): Paulo Roberto de Almeida, Professor do Uniceub, Diplomata.
9h45 – “Public-Private Partnerships in Chile: Transantiago”: Mauricio Font, PhD, Sociólogo. Diretor do Brazil Project no Bildner Center – City University of New York – CUNY.
Moderador: João Paulo Peixoto, MSc, Professor de Governo, ADM/CEAG, UnB.

10h30 - Intervalo

10h45 – “Reforma Administrativa do Estado de Goiás: um Modelo de Modernização na Gestão Pública": Marcus Vinicius Siqueira, Doutor em Administração, Professor do Departamento de Administração da UnB e do PPGA/FACE.
11h15 – “Parcerias Público-Privadas (PPP): Instrumento de modernização estatal ou mera fonte de captação de recursos para investimentos públicos?”: José Walter Vasquez Filho, Secretário Executivo do Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas do GDF
Moderador: Henrique Brandão Cavalcanti, ex-Ministro do Meio-Ambiente, Pesquisador Associado do CEAG/UnB.

12h00 – Debates
12:30 - Encerramento

TARDE
14h30 – “A Reforma Fiscal de 1984-89 no Quadro da Adesão de Portugal à Comunidade Européia”: Antonio Carlos Santos, Mestre em Direito, Professor do ISEG, Universidade Técnica de Lisboa.
15h00 – “Parcerias Público-Privadas (PPP): oportunidades e desafios": Roberto B. Piscitelli. Professor da UnB.
Moderador: Paulo Calmon, PhD, IPOL, Diretor do CEAG.

15:45 – Intervalo
16h00 – "Justiça e Cidadania: dilemas para a reforma do judiciário": Luís R. Cardoso de Oliveira. PhD em Antropologia/Harvard University. Professor da UnB.
16h30 – “A Reforma Política e o Desafio da Governabilidade no Brasil”: Paulo Kramer. Doutor em Ciência Política. IPOL, UnB.
Moderador: Eduardo Raupp Vargas, Professor do Departamento de Administração - UnB, Economista, Mestre em Administração, Doutorando do PPGA/EA/UFRGS e do Clersé/Université de Lille 1.

17h15 – Debate
17h45 – Encerramento: Dr. Antonio Oliveira Amado, Presidente da ABOP (a confirmar). Professor Carlos Batista, IPOL, NP3.

480) Ainda no terreno dos principios...

Peter Principle
From Wikipedia, the free encyclopedia, this link.

The Peter Principle is a theory originated by Dr. Laurence J. Peter. It states that successful members of a hierarchical organization are eventually promoted to their highest level of competence, after which further promotion raises them to a level at which they are not competent. The term is a pun on Sigmund Freud's theory of the pleasure principle.

The theory was set out in a humorous style in the book The Peter Principle, first published in 1969. Peter describes the theme of his book as hierarchiology. The central principle is stated in the book as follows:

In a Hierarchy Every Employee Tends to Rise to His Level of Incompetence.

Although written in a lighthearted manner, the book contains many real-world examples and thought-provoking explanations of human behaviour. Similar observations on incompetence can be found in the Dilbert cartoon series (such as The Dilbert Principle). In 1981 Avalon Hill made a board game on the topic titled "The Peter Principle Game." [1]

The employee's incompetence is not necessarily exposed as a result of the higher-ranking position being "more difficult" — it may be simply that the position is different from the position in which the employee previously excelled, and thus requires different skills, which the employee may not possess. An example used by Peter involves a factory worker whose excellence at his work results in him being promoted into a management position, in which the skills that got him promoted in the first place are no longer of any use.

One way that organizations attempt to avoid this effect is to refrain from promoting a person until that person already shows the skills or habits necessary to succeed at the next higher position. Thus, a person is not promoted to manage others if he or she does not already display management abilities. The corollary of this is that employees who are dedicated to their current jobs will not be promoted for their efforts, but might get a pay raise instead.

One complication is that competent employees will often pretend to be incompetent. The simplest reasons for this might be to avoid the jealousy of coworkers and/or to annoy managers. A more complex reason would be to avoid being promoted to a management position. (This is especially common in industries such as big box retail chains where managers' base pay is rather low, and where they are "exempt" employees who are not entitled to overtime pay.) Companies which practice performance improvement techniques often find that employees will deliberately leave room for improvement by starting out at less than peak effectiveness and only ramping up to full productivity later. Employees will also deliberately underperform in order to keep quotas and other expectations from being set too high.
[edit]

Historical precedents
In the Kalila wa Dimna, a Sassanid Persian collection of fables, one of the characters states that "The baseborn weakling is always sincere and useful until he reaches an office he is unworthy of."

Bibliografia:
* Dr. Laurence J. Peter; Raymond Hull (1969). The Peter Principle: why things always go wrong, 179 pages, New York: William Morrow & Company, Inc..
* Dr. Laurence J. Peter; Raymond Hull (1970). The Peter Principle. Pan Books. ISBN 0-330-02519-8.
* Lazear, E. (2001). The Peter Principle: Promotions and Declining Productivity. Working Paper 8094. NBER.

479) Retornando para o que parece serio...

Sempre imaginei que, de fato, as burocracias trabalham para si proprias, e que a alocação de burocratas numa determinada função não tem absolutamente nada a ver com a importância relativa daquela função para a sociedade, mas com a própria razão burocrática, que contem em si mesma sua justficaçãoe e sua própria finalidade...
Agora me deparo com as leis de Parkinson, que parecem resumir "cientificamente" essas situações.
Do site da Wilipedia, neste link.

Parkinson's law
From Wikipedia, the free encyclopedia

Parkinson's Law states that "work expands so as to fill the time available for its completion."

It was first articulated by C. Northcote Parkinson in the book Parkinson's Law: The Pursuit of Progress, (London, John Murray, 1958) based on extensive experience in the British Civil Service. The scientific observations which contributed to the law's development included noting that as Britain's overseas empire declined in importance, the number of employees at the Colonial Office increased.

According to Parkinson, this is motivated by two forces: (1) "An official wants to multiply subordinates, not rivals" and (2) "Officials make work for each other." He also noted that the total of those employed inside a bureaucracy rose by 5-7% per year "irrespective of any variation in the amount of work (if any) to be done".

"Parkinson's Law" is also used to refer to a derivative of the original relating to computers: "Data expands to fill the space available for storage"; buying more memory encourages the use of more memory-extensive techniques. It has been observed over the last 10 years that the memory usage of evolving systems tends to double roughly once every 18 months. Fortunately, memory density available for constant dollars also tends to double about once every twelve months (see Moore's Law); unfortunately, the laws of physics guarantee that the latter cannot continue indefinitely.

"Parkinson's Law" could be more generalized still as: "The demand upon a resource always expands to match the supply of the resource." Brian Tracy put forth an interpretation of this in his course The 21 Secrets of Self-Made Millionaires, noting that "expenses rise to meet income", as a corollary of the law.

It is interesting to note that this generalization has become very similar to the economics law of cost and demand; that the lower the cost of a service or commodity, the greater the demand.

Parkinson also proposed a rule about the efficiency of administrative councils. He defines a coefficient of inefficiency with the number of members as the main explaining variable.

478) Cada um no seu lugar...

Por que a Igreja não deixa, simplesmente, os cientistas fazerem o seu trabalho de descobridores, de pesquisadores do desconhecido?

Agência Estado: 15 de junho de 2006 - 13:25

Hawking: João Paulo II era contra estudo da origem do Universo
João Paulo II teria dito: "É OK estudar o Universo e quando ele começou. Mas não deveríamos questionar o início em si"

HONG KONG - O famoso astrofísico Stephen Hawking disse que o falecido papa João Paulo II pediu que os cientistas evitassem estudar o início do Universo, porque este era o trabalho de Deus. O cientista, autor do best-seller Uma Breve História do Tempo, disse que o papa teria feito esses comentários durante uma conferência sobre cosmologia no Vaticano.

Hawking, que não precisou a data do encontro, declarou que João Paulo II teria dito: "É OK estudar o Universo e quando ele começou. Mas não deveríamos questionar o início em si, porque este foi o momento da criação e o trabalho de Deus". Ao descrever a declaração do papa, durante uma palestra em Hong Kong, Hawking brincou: "Fiquei feliz por ele não ter percebido que eu havia apresentado um artigo na conferência sugerindo como o Universo começou. Não gosto da idéia de ser entregue à Inquisição, como Galileu".

A Igreja Católica condenou Galileu Galilei, no século 17, por defender publicamente a teoria de que a Terra girava em torno do Sol. Em 1992, João Paulo II emitiu declaração afirmando que a condenação de Galileu havia sido um erro, causado por "incompreensão mútua".

João Paulo II insistia que ciência e religião poderiam coexistir. Em 1996, em mensagem à Pontifícia Academia de Ciências, ele declarou que a teoria da evolução seria sólida enquanto levasse em conta que a criação é trabalho de Deus.

477) Mais um pouco de humor: a Lei de Murphy

Murphy's laws origin
(do Murphy's Law Site; neste link)

Dr. Stapp on the Deceleration Track The following article was excerpted from The Desert Wings (March 3, 1978)

Murphy's Law ("If anything can go wrong, it will") was born at Edwards Air Force Base in 1949 at North Base.

It was named after Capt. Edward A. Murphy, an engineer working on Air Force Project MX981, (a project) designed to see how much sudden deceleration a person can stand in a crash.

One day, after finding that a transducer was wired wrong, he cursed the technician responsible and said, "If there is any way to do it wrong, he'll find it."

The contractor's project manager kept a list of "laws" and added this one, which he called Murphy's Law.

Actually, what he did was take an old law that had been around for years in a more basic form and give it a name.

Shortly afterwards, the Air Force doctor (Dr. John Paul Stapp) who rode a sled on the deceleration track to a stop, pulling 40 Gs, gave a press conference. He said that their good safety record on the project was due to a firm belief in Murphy's Law and in the necessity to try and circumvent it.

Aerospace manufacturers picked it up and used it widely in their ads during the next few months, and soon it was being quoted in many news and magazine articles. Murphy's Law was born.

The Northrop project manager, George E. Nichols, had a few laws of his own. Nichols' Fourth Law says, "Avoid any action with an unacceptable outcome."

The doctor, well-known Col. John P. Stapp, had a paradox: Stapp's Ironical Paradox, which says, "The universal aptitude for ineptitude makes any human accomplishment an incredible miracle."

Nichols is still around. At NASA's Jet Propulsion Lab in Pasadena, he's the quality control manager for the Viking project to send an unmanned spacecraft to Mars.
Murphy's Law or Sod's Law?

While I admit that the name of Murphy's laws is a pleasant one as is the story of how it came to light, but the original name for 'if anything can go wrong it will' was sod's law because it would happen to any poor sod who needed such a catastrophic event the least. It also removes the ability to say "I coined this phrase!" because sod's law has been around long before any living man and has existed in many forms for hundreds of years. In the English County of Yorkshire I know it to have been around for generations because it has been passed through several Yorkshire families I know. But this original name is dying out because sod over here is a cursory so is not used much. Murphy's on the other hand is nothing insulting or lacking in hope I hope this clears any problems up and while this maybe hard to come to terms with, think about it, would such an obvious piece of logic have only come about in the second half of the 20th century????
Chris Monkman In the late 1960's I read an article that was photocopied from a magazine where I saw the term "Murphy's Law" coined. Should I say, I believe the term was coined in this article. It had a photo of a bearded man in the upper right corner. The article began simply by describing all the things that had gone wrong in Murphy's life. Near the end of the first section of the article it described the formalization of Murphy's Law, as Murphy was waiting for the pending birth of his first child.

Later in the article other formulations/corollaries of Murphy's law were described. The most memorable one was the mathematical formulation. It was pictured in the text as 1 + 1 -> 2, where the -> was a hand with the index finger pointing to the right. The text defined -> as "hardly every equals".

What prompted me to write this was the foot note on this page, where the author of this comment indicated that the law was not formalized at Edwards Air Force Base, but rather another source.

To the best of my memory, it was in or about the fall of 1968, I saw the photo copied article that presented Murphy's Law. I do not remember the magazine or it's date.

What lead me to this site was the quest for the article described above. To my suprise and disappointment, no one has included the article.

I would be interesting to publish this description and see if anyone else remembers the article or any other facts that would help find it.

Joe Smith One more thing about the origin of Murphy Law

One important fact about Murphy's Law was that it was not actually coined by
Murphy, but by another man of the same name.
Michael Another thing about the origin of Murphy Law

can anyone originate a law? I thought that they could only be discovered
Erin How Mr. Murphy died:

One dark evening (in the U.S.), Mr. Murphy's car ran out of gas. As he hitchhiked to a gas station, while facing traffic and wearing white, he was struck from behind by a British tourist who was driving on the wrong side of the road.

Terry Maynard
Lansing, Michigan Another story about the origin of Murphy's Law

Commander J. Murphy USN was a procurement officer for the US Navy in the 1930's.
He was in charge of the procurement of aircraft.
When monitoring the design and development of new aircraft, he tried to instill simplicity of maintenance into the likes of Douglas and Grumman.
Apparently one of his most belabored expressions was:
"If an aircraft fitter on one of our carriers can re-install a serviced component wrongly, then one day he will."
Gradually, this got changed into the more familiar version we know today, according to the version on the origin of Murphy's Law I heard.

Incidentally, a lot of Brits think that Murphy's Law is an Irish joke.
Murphy is an Irish name of course, and the Irish have been the butt of jokes from Brits for a long time.
Anyway, a lot of Brits seem to think that what Murphy's Law refers to is that the Irish are to blame for things going wrong because they are careless or stupid or both, at least according to British mythology on the Irish.

476) Pausa para o humor (e uma lagrima em homenagem a Raymond Devos)

O humorista e comediante belga Raymond Devos morreu ontem 14 de junho de 2006), informa o Le Monde, que publica uma seleção de algumas de suas frases mais ferinas:

Les bons mots de Devos
LEMONDE.FR | 15.06.06 | 13h32 • Mis à jour le 15.06.06 | 15h31

Jeux de mots et calembours, parfois proches du non-sens, caractérisent l'œuvre de l'humoriste Raymond Devos, qui aimait tourner en dérision les absurdités du monde.

Voici un florilège extrait de ses plus célèbres sketches, dont Ma femme, Je roule pour vous, Où courent-ils ?, Les antipodes, Le sens du ridicule, A tort ou à raison, Un ange passe, Parler pour ne rien dire et Prêter l'oreille.

– Quand on s'est connus, ma femme et moi, on était tellement timides tous les deux qu'on n'osait pas se regarder. Maintenant, on ne peut plus se voir.
– Si ma femme doit être veuve un jour, j'aimerais mieux que ce soit de mon vivant.
– J'adore être pris en flagrant délire.
– Qui prête à rire n'est jamais sûr d'être remboursé.
– Le rire est une chose sérieuse avec laquelle il ne faut pas plaisanter.
– Du moment qu'on rit des choses, elles ne sont plus dangereuses.
– La raison du plus fou est toujours la meilleure.
– Quand j'ai tort, j'ai mes raisons, que je ne donne pas. Ce serait reconnaître mes torts.
– On a toujours tort d'essayer d'avoir raison devant des gens qui ont toutes les bonnes raisons de croire qu'ils n'ont pas tort.
– Etre raisonnable en toutes circonstances. Il faudrait être fou...
– Une fois rien, c'est rien ; deux fois rien, c'est pas beaucoup, mais pour trois fois rien, on peut déjà acheter quelque chose, et pour pas cher.
– Je n'aime pas être chez moi. A tel point que lorsque je vais chez quelqu'un et qu'il me dit : "Vous êtes ici chez vous, je rentre chez moi !"
– Mais pourquoi courent-ils si vite ? Pour gagner du temps ! Comme le temps, c'est de l'argent... plus ils courent vite, plus ils en gagnent.
– Dès que le silence se fait, les gens le meublent.
– Il paraît que quand on prête l'oreille, on entend mieux. C'est faux ! Il m'est arrivé de prêter l'oreille à un sourd. Il n'entendait pas mieux.
– La plupart des gens préfèrent glisser leur peau sous les draps plutôt que de la risquer sous les drapeaux.
– C'est pour satisfaire les sens qu'on fait l'amour ; et c'est pour l'essence qu'on fait la guerre.
– Même avec Dieu, il ne faut pas tenter le Diable.
– Un croyant, c'est un antiseptique.
– La grippe, ça dure huit jours si on la soigne et une semaine si on ne fait rien.
– Se coucher tard nuit.

Terça-feira, Junho 13, 2006

475) Copas pacas...

Agora que a Copa do Mundo começou verdadeiramente para o Brasil, com a magra vitória de 1 a 0 sobre a seleção da Croácia -- cujo uniforme me lembra algo do Carnaval de Veneza --, posso externar minha impressão sobre esse grandioso exercício que mobiliza centenas de milhões de pessoas around the world.
Apenas a opinião de um brasileiro, submergido por um tsunami de materiais de leitura nos jornais diários, várias horas de audição em todas as rádios possíveis e de alguma visão direta (só alguns jogos) nos mais diversos canais de televisão.

Minha declaração:
-- O duro mesmo, não é ter de ficar roendo as unhas e assistir angustiado a lances favoráveis ou perigosos para o famoso escrete canarinho, o duro é ter de ouvir, ler e assistir a tantos comentários banais, anódinos ou virtualmente insuportáveis de tantos comentaristas de futebol, todas as categorias reunidas (ex-craques, cronistas profissionais e livre-atiradores amadores e caronas habituais).

Para não dizerem que eu sou um chato, incapaz de me comover com o espetáculo do nobre esporte bretão, deixo aqui registrada minha única paixão futebolística, perdida nas brumas da infância quando eu, aparentemente, torcia pela Portuguesa de Desportos.

Hino da Portuguesa de Desportos:

Vamos à luta, ó campeões
Hão de vibrar os nossos corações
Na tua glória, toda certeza
Que tu és grande, ó Portuguesa

Vamos à luta, ó campeões
Há de brilhar a cruz dos teus brasões
E tua bandeira verde-encarnada
Que é a luz de tua jornada

Vitória é a certeza da tua força e tradição
Em campo, a Portuguesa
Prá nós és sempre um time campeão

(Não é cafona?)

Sábado, Junho 10, 2006

474) O mano a mano Europa vs EUA já é covardia...

Transcrevo abaixo trecho de um artigo de um politico britânico conservador, William Hague (possivelmente candidato a Prime Minister, numa eventual alternância de governo na Grã-Bretanha), sobre o futuro da Europa:

"The American economy is currently about a fifth larger than the EU, but by the middle of this century it will be two-and-a-half times the size, the most extraordinary loss of a region's weight and influence in peacetime. It will mean that 'at current trends, the average U.S. citizen will be twice as rich as a Frenchman or a German in 20 years'." ("The future of Europe: freedom and flexibility", by Rt Hon William Hague MP (Conservative Party - UK), jornal ?, 07/06/2006 )

Em 2000, os europeus adotaram a estratégia de Lisboa, que visa fazer da Europa a área mais competitiva do mundo com base na economia do conhecimento até 2010.
Pelo ritmo em que cresce a produtividade na Europa, comparativamente à dos EUA (e outros países, que desconheço), os Europeus poderão alcançar essa meta em mais ou menos 150 anos, ou seja, em torno de 2156. Isso, se em algum momento os europeus corrigirem a sua ridicula taxa de crescimento da produtividade, para aproximá-la dos indicadores americanos (e possivelmente de outros países, asiáticos, of course).

Como lembra ainda, o honorable , "Only two of the world's top twenty universities are still in Europe and they are Oxford and Cambridge. Japan has one but the United States has seventeen".

O que ele recomenda para a Europa é o que está no título de seu artigo: liberdade e flexibilidade. De fato, esses são os dois grandes conceitos que definem fundamentalmente a economia americana e provavelmente a própria sociedade e a nação americana. Eles são flexíveis e eles estão abertos a todos os tipos de experimentos.
Acho que eles vão continuar crescendo e se afirmando no mundo contemporâneo.
Isso não tem nada a ver, obviamente, com as bobagens que eles possam fazer em política externa, como resultado de ignorância, arrogância imperial, ingenuidade em relação a situações diversas em diferentes partes do mundo, além da ambivalência na defesa da liberdade e da democracia em função de quem são os seus clientes preferencias em determinadas partes do mundo...

A rigidez européia é um obstáculo formidável para sua reemergência como potência mundial, econômica, tecnológica ou eventualmente militar. Acho que vai demorar mais um pouco.
O interessante, para o Brasil, é que somos um povo flexível, também, mas não temos muita liberdade, porque temos um Estado cartorial, que impõe restrições severas às iniciativas individuais, ao over-tax e over-regulate, sem falar que vamos atrás dos europeus (legislação laboral fascista, atuais regras trabalhistas "francesas", etc) em matéria de criar nossa própria rigidez institucional.
Somos campeões em dar tiros no próprio pé.
Ou seja, estamos nos distanciando novamente dos EUA e de outros países...

473) A realidade continua mais edificante...

Como eu dizia, não há Millor que consiga contradizer a realidade do Brasil: puro non-sense...

Veja, 14 de junho de 2006:

André Petry
Retrato do Brasil

"Uma leitura altamente edificante para entender o Brasil"

Em março de 2002, cerca de 250 sem-terra invadiram a fazenda dos filhos do então presidente Fernando Henrique Cardoso em Buritis, no interior de Minas Gerais. Ficaram ali um dia inteiro, mataram cinqüenta galinhas para animar o forró à noite e avançaram sobre a adega consumindo noventa garrafas de vinho, uísque, conhaque e cachaça, além de seis caixas de cerveja. Ao final, dezesseis sem-terra foram presos. Um inquérito policial foi aberto e os dezesseis foram denunciados por três crimes: invasão de estabelecimento agrícola, cárcere privado e resistência à ordem judicial. Um ano depois, o Ministério Público de Minas Gerais pediu o arquivamento do caso, sem nenhuma punição aos sem-terra. O pedido de arquivamento tem 36 páginas, refuta cada um dos três crimes e é uma leitura altamente edificante para entender o Brasil. Um resumo:

INVASÃO DE ESTABELECIMENTO AGRÍCOLA – O relatório do Ministério Público reconhece que os sem-terra efetivamente invadiram a fazenda, mas alega que, para que isso configure crime, é necessário que tenham tido a intenção de impedir o trabalho no local. Como a intenção do MST era defender a reforma agrária, não houve crime. Ponto.

CÁRCERE PRIVADO – O relatório lembra que, no caso desse crime, a vítima precisa ser privada de sua liberdade "em recinto fechado". Mas, como um dos funcionários da fazenda, em seu depoimento, contou que as vias de acesso à propriedade estavam bloqueadas pelos invasores, mas ainda assim era possível andar a pé, o MP concluiu que não houve crime. Os funcionários não saíram de onde estavam porque os sem-terra andavam nas imediações "armados com pedaços de pau". Houve, então, crime de ameaça? Pode ser, diz o MP, mas, se houve, já prescreveu. Ponto.

RESISTÊNCIA À ORDEM JUDICIAL – O relatório admite que, segundo a polícia, "os invasores bradavam palavras de ordem do movimento e mostravam coquetéis molotov, porretes, enxadas, foices, bordunas e machados, exigiam o afastamento da polícia do local e diziam que, caso a polícia permanecesse no local, haveria reação". O MP, porém, achou que, para caracterizar o crime de resistência, é preciso que haja violência ou ameaça. Os sem-terra mostraram suas armas de guerra, mas esses instrumentos não aparecem no auto de apreensão, então... E, além disso, não praticaram violência ou ameaça explícita – então, não houve esse crime. Ponto.

Atento, o MP cogita, por sua própria conta, a hipótese então de ter havido furto, já que os sem-terra abateram cinqüenta aves e arrasaram a adega. Em seguida, o próprio MP diz que, como 250 invadiram a fazenda, mas apenas dezesseis foram presos, não era possível atribuir o crime a eles indiscriminadamente. Mais: diante do "óbvio estado de necessidade", diz o relatório, claro que eles tinham de pegar algo para comer e beber.

Mais atento ainda, o MP cogita se não teria havido crime de dano, diante das notícias de que houve depredação de janelas e portas. Em seguida, o MP diz que o laudo não confirma os dados e, mesmo que confirmasse, para que existisse crime, o dano precisaria ter valor significativo para o dono. E conclui que, quem tem fazenda com "heliponto, parque para crianças, casa-sede luxuosamente decorada", não sentirá falta de umas janelas e portas.

Por fim, o MP lembra: será que não houve então invasão de domicílio? Também não, porque o crime só se comete contra o local de moradia de alguém, e como ninguém morava na fazenda....

E então? Agora deu para entender melhor o Brasil?

472) Sorry, Millor, mas...

...a realidade é muito mais emocionante...

Veja, 14 de junho de 2006:

Diogo Mainardi
A última sobre Dantas

"Dantas perguntou ao empreiteiro Sérgio Andrade qual era o papel de Lula no esquema do mensalão. Andrade, que é amigo de Lula, respondeu que o presidente não apenas sabia de tudo, como comandava o esquema"

Daniel Dantas já enjoou. Eu sei. Esta é minha última coluna sobre ele. Não quero virar um Mino Carta. Volto ao assunto apenas porque preciso me livrar de todo o material que acumulei nos últimos meses e que agora, com o acordo entre Daniel Dantas e Lula, perdeu a validade. Nada do que eu disser terá efeito prático. Dane-se. O que me interessa é esclarecer alguns pontos que ainda permanecem no ar.

Meu primeiro contato com Daniel Dantas e seus homens ocorreu em setembro do ano passado, depois que publiquei duas colunas acusando-o de ter financiado o mensalão. De lá para cá, foram muitos outros encontros, que me permitiram reconstruir suas idas e vindas com o governo. O que Daniel Dantas e seus homens me contaram confidencialmente foi o seguinte:

• Em meados de 2002, Naji Nahas informou a Daniel Dantas que o presidente da Telemar, Carlos Jereissati, tinha assinado um acordo com o PT, em troca de dinheiro para a campanha eleitoral. Pelo acordo, o governo tomaria a Brasil Telecom de Daniel Dantas e a entregaria à Telemar.

• Daniel Dantas reagiu da única maneira que conhece, oferecendo ele também dinheiro para a campanha de Lula. Em 30 de setembro de 2002, depois de tratar com Delúbio Soares e Antonio Palocci, um de seus homens entregou-lhes 2 milhões de dólares, num hotel em São Paulo.

• Quando Lula foi eleito, o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, assumiu o comando da trama lulista para tomar a Brasil Telecom. Daniel Dantas me mostrou uma carta de Casseb à diretoria do Citigroup. Na carta, Casseb afirmava que Lula odiava Daniel Dantas e que faria de tudo para tirá-lo da Brasil Telecom.

• Daniel Dantas teve acesso também a um documento que relata o encontro entre a diretoria internacional do Citigroup e Lula. O principal assunto do encontro era a retirada de Daniel Dantas da Brasil Telecom. Lula alega que nunca soube da bandalheira que ocorria à sua volta, mas o fato é que ele interferiu pessoalmente numa disputa comercial, pressionando um banco estrangeiro a favorecer um grupo privado que o financiava em detrimento de outro.

• Daniel Dantas perguntou ao empreiteiro Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, qual era o papel de Lula no esquema do mensalão. Sérgio Andrade, que é amigo de Lula, respondeu que o presidente não apenas sabia de tudo, como comandava o esquema.

O resto da história já foi contado aqui e em outras matérias de VEJA, do achaque de 50 milhões de dólares praticado por Delúbio Soares à ajuda prestada por Daniel Dantas para acobertar o superfaturamento da empresa do filho de Lula. O único ponto que resta em aberto é a Kroll. Daniel Dantas conta que contratou a empresa para investigar um suposto desvio de dinheiro do presidente da Telecom Italia, Roberto Colaninno, na compra da CRT. Quando o caso de espionagem veio à tona, Daniel Dantas temeu ser preso. Um agente da Kroll foi contratado então para descobrir os dados bancários de Lula e de seus ministros no exterior. A lista que ele apresentou é aquela que está em poder do procurador-geral da República. Daniel Dantas tratou de desmerecer publicamente o trabalho do agente da Kroll, considerando seus achados inverossímeis. Em particular, ele e seus homens são muito menos céticos. Eles acreditam no agente da Kroll. Eu também.

Quarta-feira, Junho 07, 2006

471) Mercosul científico: dinheiro não parece ser problema...

Do Jornal da Ciência, 06.06.06:

Argentina e Brasil se unem no apoio a um programa regional de US$ 2 milhões para financiar projetos de pesquisas conjuntas em áreas estratégicas

O secretário de C&T da Argentina, Túlio Del Bono, anunciou, durante a visita à 2ª Reunião de Buenos Aires, a disposição de investir US$ 1 milhão para um programa de cooperação em C&T entre os países da região. O ministro da C&T do Brasil, Sergio Rezende, manifestou pleno apoio à iniciativa e também lhe garantiu US$ 1 milhão


José Monserrat Filho escreve de Buenos Aires para o ¨JC e-mail¨:

Hoje foi um dia histórico nas relações entre Brasil e Argentina na área de C&T, com implicação em todo o Mercosul.

O Secretário de C&T da Argentina, Túlio Del Bono, visitou as salas do Museu de Ciencias Naturais ¨Bernardino Rivadávia¨, onde se desenrolam as sessões da 2ª Reunião sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade, e depois conversou informalmente com os organizadores do evento.

Nesta ocasião, Del Bono informou que o Ministério da Educação e C&T da Argentina havia aprovado o programa de cooperação em C&T entre Argentina, Brasil, Uruguai e outros países interessados do Mercosul, reservando para tanto US$ 1 milhão.

Para o secretário argentino, o programa poderia ser lançado operacionalmente já em setembro ou outubro deste ano.

Contatado pelo presidente da SBPC, Ennio Candotti, logo depois do encontro com Del Bono, o ministro brasileiro de C&T, Sergio Rezende, expressou total apoio ao programa e também anunciou US$ 1 milhão para financiá-lo.

Assim, mesmo sem um contato direto, os responsáveis pelos setores de C&T de ambos os países convergiram em iniciar já este ano um programa de US$ 2 milhões para fomentar pesquisas conjuntas sobre temas estratégicos para os países da região.

O Brasil já tem o programa ¨ProSul¨, vinculado ao CNPq, destinado a fomentar projetos de pesquisa em cooperação com os países do Mercosul. A Argentina, neste momento, está criando um programa nacional com idêntica finalidade.

As preliminares do novo programa binacional devem ser lançadas oficialmente nesta quinta-feira pelo ministro da Educação e C&T da Argentina, Daniel Filmus, e pelo presidente da SBPC, Ennio Candotti, trazendo a mensagem de apoio do ministro brasileiro de C&T, Sergio Rezende.

O embaixador do Brasil na Argentina, Mauro Vieira, certamente estará presente, até porque, seguindo orientação do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, ele vem trabalhando para ampliar as áreas de cooperação científica e tecnológica no Mercosul.

O Brasil deve assumir o comando do Mercosul este ano e os planos do Itamaraty apontam na direção de intensificar os projetos de incremento da C&T na região.

470) Mercosul politico: o progresso parlamentar

Comissão aprova Protocolo do Parlamento do Mercosul
06.06.06, do site do PT:

A Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul aprovou ontem o Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul, bloco integrado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Uma vez totalmente aprovado pelo Legislativo dos quatro países, o parlamento terá função consultiva e de acompanhamento dos processos de negociação do Mercosul.
"O Parlamento do Mercosul é importante, em primeiro lugar, por ser um local onde o cidadão terá voz, porque hoje ele não tem onde se queixar; em seguida, porque o parlamento dá uma nova institucionalidade ao Mercosul, e quanto mais institucionalidade, maior a segurança política", afirmou o deputado Dr. Rosinha (PT-PR).
O Parlamento do Mercosul está previsto para ser instalado até dezembro deste ano. No Congresso, o protocolo deve ser aprovado agora pelas comissões de Relações Exteriores, de Constituição e Justiça e pelos plenários da Câmara e do Senado Federal. Segundo Dr. Rosinha, o cronograma inicial prevê que o Parlamento do Mercosul esteja em funcionamento em maio de 2007. A sede será em Montevidéu (Uruguai).
A constituição do Parlamento do Mercosul, afirmou o deputado, será feita em dois períodos. No primeiro período, durante quatro anos, os parlamentos nacionais de cada país indicarão 18 parlamentares cada um. No segundo período será definida a proporcionalidade de membros. A partir de 2011 os parlamentares serão eleitos por eleição direta e, a partir de 2014, as eleições deverão ocorrer no mesmo dia em todos os países do Mercosul. Segundo Dr. Rosinha, uma das primeiras prioridades de ação será a definição do regimento interno.

469) Um dialogo (unilateral) com os antiglobalizadores (ou "altermundialistas", como eles preferem se chamados)

Informo que um dos meus últimos trabalhos acaba de ser publicado.
Eis os dados:

“A globalização e seus descontentes: um roteiro sintético dos equívocos”
(Brasília, 7 abril, 2006, 6 p.)

Espaço Acadêmico: ano VI, nº 61, junho 2006; link: http://www.espacoacademico.com.br/061/61almeida.htm

Por acaso, logo depois de terminar esse trabalho (que leva o número 1573), tomei conhecimento de um artigo (ainda não publicado) do economista catalão Xavier Sala-i-Martin, a partir do qual elaborei esse meu outro trabalho, que já responde a pelo menos uma das questões levantadas no artigo anterior:

1574. “Sorry, antiglobalizadores: a pobreza mundial tem declinado, ponto!”
(Brasília, 9 abril 2006, 18 p.
Texto apresentando, resumindo e discutindo o estudo de Xavier Sala-i-Martin, “The World Distribution of Income: Falling Poverty and... Convergence, Period”, The Quarterly Journal of Economics (vol. 126, nº 2, 2006; link: http://www.columbia.edu/~xs23/papers/pdfs/World_Income_Distribution_QJE.pdf), com comentários adicionais sobre o processo de globalização.
Original disponibilizado no site pessoal, neste link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1574DistribRendaMund.pdf

Terça-feira, Junho 06, 2006

468) Divulgando a cultura brasileira (agora sem limites...)

Meu amigo Afonso Borges, mineiro, poeta, promotor cultural, entusiasta dos livros e das coisas do Brasil em geral (não sei se nessa ordem, mas o produto é bom igual...), me enviou este anúncio espetacular, para muitas noites de deleite, lazer, entretenimento cultural, enriquecimento pelos livros.
(Esclareço que eu participei, tambem, de um dos eventos do "Sempre um Papo", aquele que traz o nome do Embaixador Rubens Antonio Barbosa).
Vamos lá, uai...

Caros Amigos,

Em mais uma ação comemorativa dos 20 anos do "Sempre Um Papo",
informo, com enorme satisfação, que estão disponíveis em nosso site,
www.sempreumpapo.com.br, todos os 47 programas gravados pela
TV Câmara / Radiobrás em Brasília, no curso destes três anos de atividade,
graças ao patrocínio da CAIXA, com o apoio do Jornal Correio Braziliense.
Esta iniciativa só foi possível devido ao apoio do Portal www.uai.com.br
que disponibilizou um servidor com capacidade para armazenar os programas.
Agradecemos também à Asa Comunicação, em especial à webdesigner
Mariana Berutto, autora da nova arquitetura do home page e sua equipe.

Meu sonho, agora, é que estes programas, que divulgam a literatura
brasileira, possam ser assistidos pelo maior número de pessoas em escolas,
universidades e mesmo em outros países. Nesse sentido, solicito a fineza da
divulgação desta, para que mais pessoas tenham acesso. O download é livre,
e a lista segue abaixo. Cordiamente, Afonso Borges (por favor, não dêem o
reply nesta mensagem. Meu email é info@sempreumpapo.com.br). E mais:
a programação será atualizada automaticamente, durante o ano.

- Affonso Romano de Sant´Anna (Escritor e Poeta)
- Amyr Klink (Navegador e escritor)
- André Trigueiro (Jornalista)
- Ângela Vieira (Atriz) e Miguel Paiva (Escritor e Cartunista)
- Araquém Alcântara (Fotógrafo)
- Banda Pato Fu (Músicos)
- Carl Honoré (jornalista)
- Cláudio de Moura Castro (Escritor)
- Cleo Fante (educadora)
- Dad Squarisi (Jornalista)
- Danuza Leão (escritora)
- Denise Fraga (atriz)
- Dráuzio Varela (Médico e Escritor)
- Edgar Telles Ribeiro (Escritor)
- Eduardo Giannetti ( economista e filósofo)
- Fernando Morais (Escritor)
- Frei Betto (Teólogo)
- Frei Betto (Teólogo)
- Frei Betto (Teólogo)
- Gabriel Chalita (Filósofo e escritor)
- Gilberto Gil (Músico); Bené Fontelles e Carlos Rennó (Escritores)
- Heloísa Perissé (atriz e escritora)
- Humberto Werneck (jornalista e escritor)
- Isay Weinfeld (Arquiteto)
- Jaime Lerner (Arquiteto)
- Jorge Forbes (Psicanalista)
- José Eduardo Agualusa (Escritor)
- Lya Luft (Escritora)
- Lya Luft (Escritora)
- Maitê Proença (atriz e cronista)
- Marcel Souto Maior (Escritor)
- Marina Colasanti (Escritora)
- Martinho da Vila (músico)
- MV Bill (rapper e escritor)
- Nélida Pinõn (Escritora)
- Nelson Motta (Escritor)
- Olivier Anquier (boulanger e apresentador)
- Padre Ricardo Rezende (Escritor)
- Paulo Sandroni (Economista)
- Ronaldo R. F. Mourão (Astrônomo)
- Rubem Alves (escritor)
- Rubens Barbosa (Embaixador)
- Rui Castro (Escritor)
- Ruy Castro (Escritor)
- Tirso Saénz e Frei Betto (Escritores)
- Zeca Camargo (Jornalista)
- Zuenir Ventura (jornalista e escritor)

Afonso Borges www.sempreumpapo.com.br
031 3261-1501
Afonso Borges - www.sempreumpapo.com.br - 031 3261-1501
email: info@sempreumpapo.com.br

467) De volta aos velhos temas: pesquisa em política externa

Pesquisas em política externa brasileira
06/06/2006

Agência FAPESP - O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) acaba de lançar um edital para apoiar projetos de pesquisa no âmbito do Programa Renato Archer de Apoio à Pesquisa em Relações Internacionais.
A iniciativa é uma parceria entre os ministérios da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores. O edital disponibiliza um total de R$ 4 milhões para financiar as propostas aprovadas. Os recursos são provenientes dos fundos setoriais de Infra-Estrutura e Verde-Amarelo.
Segundo o CNPq, o Programa Renato Archer pretende criar um mecanismo inovador de incentivo à pesquisa em relações internacionais que apóie a constituição de redes cooperativas de pesquisa em torno de temas considerados prioritários para a política externa brasileira.
Os temas prioritários listados no edital são: paz e segurança internacional; estudos sobre pólos de poder; América do Sul; desenvolvimento, ciência e inovação tecnológica; e normatividade e governança internacional. As propostas apresentadas deverão contemplar uma ou mais dessas cinco áreas temáticas.
Os projetos deverão ser submetidos por pesquisadores vinculados a cursos de pós-graduação stricto sensu em relações internacionais, reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). As redes cooperativas de pesquisa, no entanto, poderão ser formadas com a participação de pesquisadores atuantes em outras áreas do conhecimento.
As propostas deverão ser submetidas ao CNPq até às 18h do dia 14 de agosto de 2006, exclusivamente pela internet. O formulário de propostas eletrônico estará disponível, a partir do dia 14 de junho, na página http://efomento.cnpq.br/efomento.
O resultado será divulgado no Diário Oficial da União em 11 de setembro e o início da contratação dos projetos aprovados está previsto para o dia 26 do mesmo mês.

466) Ainda "interrompido" para um registro

O PT é um partido curioso: seu líder na Câmara condenou os atos de vandalismo perpetrados por militantes do MLST na Câmara dos Deputados, nesta data fatídica de 06/06/06.
Em que termos?
Vejamos:

"06/06/2006 - 17:43 (do site do PT):
Invasão: Líderes do PT consideram atos violentos na Câmara
Os líderes do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), e do Governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP) repudiaram veementemente a invasão do prédio da Câmara, nesta terça-feira.

“O PT declara aqui o seu mais absoluto repúdio aos atos de violência aqui cometidos”, disse Fontana. Ele defendeu uma “investigação com seriedade e profundidade para a punição e responsabilização dos culpados”. Fontana apoiou a decisão do presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de mandar prender os invasores.
(...)
Henrique Fontana salientou que os invasores não se manifestavam “em nome de partido político nenhum”. Para ele, o povo pode ter posições de um lado e de outro no espectro político, mas a bancada do PT repudia, de um lado e de outro, o vandalismo.
Fontana disse ainda que os movimentos sociais não podem ser criminalizados por conta de ato extremado de pessoas que “vieram aqui para supostamente defender movimentos sociais.É preciso capacidade de dialogo, de entendimento, de foram democrática, envolvendo todos os partidos”, disse.
O líder petista lembrou que o Congresso é lugar de debates de opiniões e não pode ser desrespeitado com atos de vandalismo. “O Parlamento não pode sofrer uma agressão como essa. Reivindicar é legítimo e democrático, mas agressão e ato de vandalismo não correspondem a uma atitude civilizada da sociedade”, criticou Fontana."

Ah, bom: eu julgava que nem precisava lembrar que vandalismo e agressão não são atos civilizados, caso alguém possa se enganar.
Caberia recordar aqui o que disse o mesmo líder do PT quando da invasão e depredação dos laboratórios e plantações experimentais da Aracruz, no RS, em 8 de março de 2006.
Na ocasião, ou melhor, um dia depois, disse o "líder" (sempre do site do PT):

"O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), criticou ontem (09/03) da tribuna da Câmara dos Deputados a “atitude inaceitável” na ação de membros da Via Campesina que levou à destruição, na última quarta-feira, do centro de pesquisas da empresa Aracruz Celulose, na cidade de Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo ressalvou que “temos de compreender que, do mesmo jeito que a ação de quarta-feira merece crítica contundente, o PT apóia soluções negociadas para os conflitos sociais existentes no País.”

Será que desta vez não seria o caso de "compreender" e procurar "soluções negociadas" para esses conflitos sociais?
E eu pergunto: que conflito poderia haver entre a Câmara e o MLST?
Que conflito havia entre a Aracruz Celulose e a Via Campesina?
Ao que se saiba não há nenhum conflito entre os militantes do MLST e da VC e o Palácio do Planalto, uma vez que eles são recebidos sem problemas nesse âmbito...

465) Peço licença para uma interrupção...

... e deixar de lado, temporariamente, meus temas diplomáticos, livrescos ou culturais. Como é o assunto do dia, vou tratar de vandalismo, depredações, invasão da chamada "Casa do Povo" (já foi mais...) e violência contra funcionários da segurança.
Estou falando, obviamente, dos atos perpetrados na Câmara dos Deputados, nesse dia emblemático (06/06/06, tem gente que faz ilações), por um grupo de arruaceiros arrebanhado pelo Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem Terra, dirigido pelo Secretário dos Movimentos Sociais do PT (mas que não precisaria ser, pois entendo que o PT já deixou a fase de quebrar vidros e atirar pedras).
As cenas são memoráveis, no pior sentido da palavra.
Primeiro a descrição fria dos fatos, tal como relatada por uma agência de imprensa:

"Sem-terra invadem, depredam e deixam feridos na Câmara
BRASÍLIA - Integrantes do Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST) invadiram e depredaram, na tarde desta terça-feira, a Câmara dos Deputados. O coordenador de Apoio Logístico do Departamento de Polícia Legislativa (Depol), Normando Fernandes, está na UTI com afundamento craniano frontal esquerdo e edema cerebral. Outros 24 também ficaram feridos. 545 integrantes do movimento foram presos, entre eles seis lideranças. Bruno Maranhão, que comandou a invasão é dirigente do PT.
Os presos foram recolhidos ao ginásio Nilson Nelson, onde ficaram sob custódia da Polícia Militar do Distrito Federal para serem identificados. Os que estiveram à frente dos atos de vandalismo poderão ser processados por tentativa de homicídio, danos ao patrimônio público e formação de quadrilha.
Vinte e seis seguranças saíram feridos do confronto. Eles estavam em menor número. Foram alvo de pedradas, pauladas e socos. O Coordenador de Logística do Departamento de Polícia (Depol) da Câmara, Normando Fernandes, foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, depois de ter sido atingido por uma pedra.
Outro agente de segurança quebrou a perna ao ser jogado de uma altura de cerca de três metros próximo a escada rolante que dá acesso à entrada do subsolo do Anexo 4. De acordo com informações da Secretaria de Comunicação da Câmara, dos 26 feridos atendidos pelo serviço médico, dois eram manifestantes e os demais seguranças.
Segundo o MLST, o grupo veio a Brasília para reivindicar a revogação da medida provisória que impede a vistoria em terras ocupadas e mais dinheiro para reforma agrária. Segundo ele, os manifestantes vieram da Bahia, de São Paulo e Minas Gerais.
Vandalismo
Os sem-terra destruíram um automóvel Uno no estacionamento do anexo 2, quebraram a porta de vidro e depredaram vários equipamentos, como os postos informatizados de atendimento ao público. Enquanto se dirigiam para o plenário da Casa, os manifestantes quebraram vasos de plantas, painéis e maquetes da exposição.
No plenário, o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), avisou que iria negociar com os manifestantes enquanto eles não se retirarem do prédio. "Vou mandar prender todos. De preferência, pelos seguranças da Casa", afirmou.
Aldo conversou rapidamente o líder Bruno Maranhão, e avisou que não haveria negociação enquanto a Câmara estivesse ocupada, além de avisar que tinha dado a ordem para que todos fossem presos.
Após ser informado sobre a ordem de prisão, Maranhão pediu para que os manifestantes deixassem a Câmara e se concentrassem em frente ao prédio do Congresso.
Em frente ao prédio do Congresso, policiais da Câmara prenderam Bruno Maranhão, que passou mal e caiu no chão. Maranhão foi abordado por oito policiais da Câmara que lhe deram ordem para acompanhá-los.
Ele se negou a obedecer a ordem dos policiais e foi agarrado por um dos agentes, que o dominou com uma "gravata". Os policiais começaram, então, a carregar Maranhão até um veículo do serviço de segurança. Foi quando Maranhão começou a passar mal e caiu no chão. Os policiais chamaram uma ambulância.
Dissidência
O MLST é uma dissidência do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra. Atua principalmente no Estado de Pernambuco. Surgiu em agosto de 1997 e é formado por militantes de esquerda e por ex-lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O movimento tem representantes em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Maranhão. O movimento tem melhor organização no estado brasileiro de Pernambuco.
O movimento já invadiu, em abril do ano passado, o Ministério da Fazenda, em Brasília. A ocupação também foi comandada por Bruno Maranhão. Cerca de 1.200 manifestantes tomaram todos os andares do prédio, reivindicando a liberação de recursos para a reforma agrária.
Depois de seis horas de ocupação o grupo deixou o prédio. Conseguiu apenas a promessa de uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário."

Agora, uma transcrição de notas da coluna de Claudio Humberto (não frequento o personagem, mas recebi estas notas de um colega:

Vândalos freqüentam o Planalto
http://www.claudiohumberto.com.br/
06/06/2006 | 18:44

O "Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem Terra" (MLST), que invadiu, depredou e agrediu pessoas no Congresso Nacional, na tarde de hoje, é uma espécie de linha auxiliar do PT. Já foi recebido pelo presidente Lula oficialmente, em alguns ocasiões (como mostra a foto de Antônio Cruz/Agência Brasil, de 9 de julho de 2004), ou pessoalmente, por meio de seu principal líder, Bruno Maranhão, amigo pessoal do presidente, um dos coordenadores de sua campanha de reeleição e de ser secretário nacional de Movimentos Populares do PT.

06/06/2006 | 16:53 http://www.claudiohumberto.com.br/
Maranhão é secretário nacional do PT
O chefe da invasão ao prédio do Congresso Nacional, Bruno Maranhão, cuja ação provocou danos materiais e ferimentos em duas dezenas de pessoas, é o atual secretário nacional de Movimentos Populares do Partido dos Trabalhadores. Ex-PCBR e ex-exilado político voluntário em Paris, Maranhão é um dos fundadores do PT e grande amigo do presidente Lula, com quem almoça e bebe freqüentemente.

06/06/2006 | 16:45
Lula usou o boné dos baderneiros
O presidente Lula recebeu no Palácio do Planalto alguns líderes do tal "Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem Terra (MLST)" e não apenas usou um boné dessa seita maoista como até agitou uma bandeira que lhe foi entregue. O fato ocorreu em 9 de julho de 2004. Ao sair do encontro, um dos porraloucas que lidera o MLST, Hélio Freitas, declarou satisfeito: "A estratégia do governo Lula para desenvolver o campo e a nossa são a mesma".

06/06/2006 | 16:29
Chefe da baderna é do PT e amigo de Lula
O pernambucano que liderou a invasão e depredação da Câmara dos Deputados, Bruno Maranhão, é filiado ao PT do seu estado, milita na CUT e integra a coordenação da campanha de reeleição do presidente Lula. No plenário da Câmara, agora há pouco, o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) foi o primeiro a mencionar não apenas o nome de Maranhão, mas também o fato de o líder dos baderneiros ser freqüentador de almoços e jantares com o presidente Lula."

Farei comentários oportunamente.

Segunda-feira, Junho 05, 2006

464) O FMI está sem dinheiro, acreditem...

Não é sempre que ocorre esse tipo de coisa, mas o mundo é cheio de surpresas. Vejam vocês esta notícia no boletim do FMI de 5 de junho de 2006:

"El FMI ha formado un grupo de prestigiosos expertos independientes que analizará distintas opciones para financiar los costos operativos de la institución. Esos costos se venían cubriendo con los intereses y las comisiones de los préstamos otorgados a los países, cuya reciente y considerable reducción ha provocado una insuficiencia de ingresos y ha obligado a la institución a estudiar otras fuentes de financiamiento."

Ou seja, o FMI vivia da desgraça alheia. Agora que a situação mundial melhorou, que há excesso de liquidez irrigando os mercados financeiros, que os emergentes recebem muitos investimentos diretos, que quase nenhum país tem algum pacote milionário de ajuda, o FMI ficou sem fundos - que eram dados pelas comissões recebidas pelos empréstimos - para pagar sua rica e custosa burocracia.
Pois eu recomendo um programa de ajuste para o FMI, com redução de salários, aumento da tarifa do restaurante (subsidiado, of course), venda de ativos, terceirização de atividades e privatização de vários serviços internos (edição de publicações, por exemplo).
Também começaria por fazer terceirização da assessoria econômica, contratando economistas mais baratos na Índia e em outros países -- não, por favor, da Unicamp, não -- e talvez até algum off-shoring de certas funções diretivas, quem sabe até do próprio diretor-geral. Em lugar de pagar 300 mil dólares anuais para Rodrigo Rato, que tal fazer uma concorrência e ver qual economista se disporia a trabalhar por no máximo 100 mil dólares (sem seguro saúde ou férias remuneradas, claro)? Ele nem precisaria trabalhar em Washington, podendo se corresponder com seus subordinados por e-mail...
Ajuste fiscal no FMI!

463) Aniversário de Adam Smith e de John Maynard Keynes

Today, June 5, is the birthday of Adam Smith, and also coincidentally of John M. Keynes! Read about them, and also about income distribution, in the Concise Encyclopedia of Economics: http://www.econlib.org/library/CEE.html

Mas, também estes eventos:
1507 England and Netherlands sign trade agreement
1933 Gold standard abolished (nos EUA)
1947 Secretary of State George C. Marshall outlines Marshall Plan
1988 Russian orthodox church celebrates 1,000th anniversary

Domingo, Junho 04, 2006

462) O fim da pobreza?: talvez, antes no livro, depois na realidade

Apresentacação de um livro sobre a "liquidação" da pobreza, pelo menos em intenção...
Do site do The Globalist, um foro decididamente a favor da globalização.
Veja neste link.

How to Help the Poor Out of Poverty
By Stephen C. Smith | Tuesday, May 16, 2006
Globalist Bookshelf > Global Development

In the last few decades, some progress has been made in helping poor people overcome poverty across the world. However, hundreds of millions still remain trapped in poverty. Stephen C. Smith, author of “Ending Global Poverty,” argues that effective programs and organizations in those countries are making a positive impact.

We live in a special moment in history. There are real reasons for optimism. Economic growth is fairly high, technological progress and the spread of new technologies around the world is rapid.

Meanwhile, market efficiencies are improving, democracy and freedoms are reaching an ever-larger number of people — and measurable progress has been made toward ending global poverty.

In one very possible future, we could virtually end extreme poverty in the next quarter century. But a different and far worse future is also all too possible. We could still lose the struggle to end global poverty. This is a time of dramatic change — and social and economic patterns have not become set.

In the developing world, instead of gaining new rights and freedoms, the poor could find themselves subjected to wider abuses and denial of basic rights. Hundreds of millions of people could sink further into hunger and disease, with large regions of the world trapped in poverty indefinitely.

Elites in the developing world, aided negligently by global business, could view globalization as an opportunity to exploit the poor more effectively.

A new period of stagnation
Stifled by debt, the poorest countries could enter into a new period of stagnation.

In developed countries, a growing focus on the war on terrorism to the exclusion of other social objectives and a frustration with the slow pace of progress, could lead to a loss of resolve.

The struggle to end extreme poverty is strongly complementary with the struggle against terrorism, but in budgets around the world these goals seem to be in competition with each other.

If the priority of aid is to end extreme poverty, then we need to focus attention on what the poor need, what capabilities and assets they lack — and what local and global forces are holding them back.

Aid could have more impact on extreme poverty — if it is approached with the perspective that helping people and local communities helps their countries to get stronger and their economies to grow.

Stimulating growth
We can hope that, by helping a country's government agencies or private sector, we will stimulate growth and efficiency and thereby help the poor. But we cannot focus on this hope to the exclusion of working with the organizations best situated to assisting the poor.

Successful cases of development usually involve a unique, local response to local constraints that outsiders are not in a good position to understand.

Local responses
Few recent examples of highly successful development, which are concentrated in Asia, correspond to simple reliance on the invisible hand. Market incentives play a key role, but so do effective government and a dynamic citizen sector, working in concert.

Local development strategies can be worked out with foreign advice, but they must be locally owned — in fact as well as in name — and carried out on local terms.

The World Bank, bilateral agencies and NGOs all have roles to play. However, to reach those living in extremely poor countries, the old model of seeking to influence elites to follow the popular theories of the moment will have to be discarded. Instead, we need to favor strategies for helping to provide the keys to capability at the community level — and assisting, not insisting, on particular policies.

Despite progress in understanding some of the key sources of growth and the role of institutions in improving market efficiency, remarkably little is known about how to design and implement policies to ensure that growth in the developing world effectively lifts the poor out of poverty.

The need for a larger voice inside the World Bank
In the world of policymaking as much as in the world at large, the voices of the rich can he heard loud and clear, while those of the poor barely register. The poor countries, and the poor themselves, now need a larger voice in the World Bank and other development decisionmaking.

Currently, the World Bank is governed by one-dollar-one-vote, giving control to rich country donors. As a first step to expanding the voice of the governed, the World Bank could create an advisory council comprised largely of people from developing countries who have made a difference in the lives of the poor, such as leading entrepreneurs.

A compelling moral issue
Rather than using ad-hoc committees to address controversial issues, this would be a permanent body, though with a rotating membership selected by an independent and transparent process.

The council would need guarantees of independence and full access to information and staff assistance, and would make public recommendations, and control a steadily growing share of the budget. This would go a long way to restoring credibility.

Ultimately, the one-dollar-one-vote structure of World Bank decisionmaking will have to give way to a more people-friendly formula.

Every era has its compelling moral issues. For Ralph Waldo Emerson it was slavery. He would have preferred to contemplate, and to discuss philosophy with his friends. But in the end, Emerson felt he had to risk everything to take a stand against slavery at a time when it was perceived as an extreme and inflammatory position.

To end global poverty will require everyone's help. The next step is yours.

Adapted from the book "Ending Global Poverty" by Stephen C. Smith, copyright © 2005. Reprinted by arrangement with Palgrave Macmillan.

Sábado, Junho 03, 2006

461) Já somos hexa-campeoes?

Outro exemplo dessas raciocínios cabalísticos que prometem, mais do que cumprem, mas que sempre encontram ressonância nas colunas de fofocas e curiosidades em geral...
(recebido em 3 de junho de 2006):

Matematicamente ja somos hexa.

"Na Matemática tem cada coisa... Olha só que coisa interessante...

O Brasil ganhou a copa do mundo em 1994, antes disso, sua última conquista do título foi em 1970. Se você somar 1970 + 1994 = 3964. A Argentina ganhou sua última copa do mundo em 1986, antes só em 1978. Somando 1978 + 1986 = 3964. Já a Alemanha ganhou a sua última copa em 1990. Antes disso foi em 1974. Somando 1990 + 1974 = 3964. Seguindo esta lógica, poderia se ter adivinhado o ganhador da copa o mundo de 2002, pois este teria que ter sido o vencedor da copa de 1962! Conferindo: 3964 -2002 = 1962. E o ganhador da copa em 1962 foi o Brasil!
E quem venceria a copa do mundo de 2006? Resposta: 3964 - 2006 = 1958.
E quem ganhou em 1958?... Putz, foi o Brasil!!! O HEXA É NOSSO!!!"

Como se diz em matématica: era o que se precisava demonstrar...

460) Da Bolivia ao Primeiro Comando da Capital...

Para os que apreciam as versões conspiratórias da história (recebido de uma dessas infindáveis listas de interesse comum, e que também servem para um pouco de fofoca e transmissão de piadas):

Assunto: Coincidências

REPASSANDO....

COINCIDENCIAS "DEMÁS"

Em Cochabamba, território de plantio Ilegal da planta Erythroxylon coca
(cocaína) na Bolívia (outros territórios tem plantio legal para consumo
interno da folha) ganharam as eleições o partido de EVO MORALES (MAS).

Evo recebeu APOIO ELEITORAL em sua campanha, do presidente Lula.

Em Cochabamba existe um DEPUTADO, do partido MAS, que se chama: Gabriel
Herbas Camacho.

Marcola chama-se: Marcos Willians Herbas Camacho
Seu irmão aqui no Brasil, preso pelo Denarc (Departamento de
Investigações Sobre Narcóticos), na noite de terça-feira, no Tatuapé, na
Zona Leste da Capital...chama-se: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior,
de 34 anos.

Eles, Gabriel, Marcola e Alejandro, são filhos de um mesmo boliviano.

Então fica assim: Quinta-feira todos os políticos sabiam da entrevista BOMBA
de DANIEL DANTAS na VEJA, que sairia na sexta-feira...
Na sexta-feira, MARCOLA, que tem ligações com o MST, as FARC's e com o MAS
(partido de Evo, apoiado por LULA, amiguinho do PT no Fórum São Paulo),
começa uma mega rebelião em SP...
Coincidências demais, né? E o gás? Sumiu do noticiário?

459) Blair deixa Brasil fora do CSNU...

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INFORMAÇÃO e OPINIÃO -IOCM- !
ex-Blog do Cesar Maia 02/06/2006
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MAS SÓ AGORA, AMORIM?
Este modesto ex-blog já havia chamado atenção para isso no dia seguinte ao discurso.
Brasil reclama de gafe de Blair, diz jornal
da BBC Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reclamou com o embaixador britânico no Brasil sobre a não inclusão do país no discurso que o primeiro-ministro britânico fez em Washington defendendo a reforma da ONU, na semana passada. Sob o título "Gafe de Blair na ONU afunda relações com o Brasil", o jornal britânico "The Guardian" afirma em sua edição desta quinta-feira que, apesar de estar cortejando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar acabar com o impasse nas negociações multilaterais de comércio, Blair teria citado nominalmente o Japão e a Índia como merecedores de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. E deixado o Brasil de lado.

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Addendum em 3 de junho de 2006:

Reino Unido - The Guardian
Título: 1 - Blair's UN gaffe sinks relations with Brazil to new low
Data: 01/06/2006

Ewen MacAskill and Larry Elliot
The Guardian

Relations between Britain and Brazil have struck a new low after a careless slip by the prime minister, Tony Blair, during a major foreign policy speech in Washington last week.
The timing of the diplomatic spat is unfortunate for Mr Blair, who has been courting Brazil's president, Lula da Silva, in an effort to break the deadlock in international trade talks.

The Brazilian foreign ministry confirmed to the Guardian yesterday that its foreign minister, Celso Amorim, called the British ambassador in Rio, Peter Collecott, into his office on Tuesday to seek an explanation for Mr Blair's apparent gaffe.

The row began after Mr Blair spoke in Washington about the need to reform the United Nations by expanding permanent membership of the security council - which represents the victorious allies after the second world war - from five to include leading industrial powers and representatives from the developing world.
The British government has long championed the membership of Brazil, even though Argentina has a strong claim as a representative from Latin America.

Mr Blair reiterated Britain's support for Brazil's candidature when Mr Da Silva visited Downing Street earlier this year.

But when Mr Blair made his speech, he said: "A security council which has France as a permanent member but not Germany, Britain but not Japan, China but not India, to say nothing of the absence of proper representation from Latin America or Africa, cannot be legitimate in the modern world."

The Brazilians immediately picked up on the sudden absence of their country.

Mr Blair scribbled down the speech, the third in a series of wide-ranging foreign policy speeches, on the flight from London to Washington. According to a British source, he did not seek to change British policy with regard to Brazil but was simply setting out his overall argument about a need for UN reform.

A Foreign Office spokesman said yesterday: "We remain supportive of Brazil's candidature, along with Germany, Japan and India, for permanent seats on an enlarged security council. The speech was not intended to set out our policy in detail but was an attempt to inject momentum into the debate. We remain solidly supportive of Brazil's bid for a permanent seat."

Mr Blair, along with the American president, George Bush, and the German chancellor, Angela Merkel, has been trying to secure the support of five leading developing countries, including Brazil, for a special trade conference to be held around the time of next month's G8 summit in St Petersburg.

Sexta-feira, Junho 02, 2006

458) Uma crítica anônima (e irada...)

Encontrei, na sexta-feira 2 de junho, na caixa de correspondência do meu primeiro blog (http://paulomre.blogspot.com/), a seguinte mensagem, anônima:

" Anonymous said...
Seria melhor se parasse de escrever. Você é péssimo...
Sexta-feira, Junho 02, 2006 11:09:34 PM"

à qual respondi da seguinte maneira:

"Caro anônimo,
Apreciaria que você pudesse ser um pouco mais explícito em sua crítica. Não precisa se identificar. Imagino que não queira revelar sua identidade e imagino que críticos eminentemente críticos, como é o seu caso, desejem efetivamente manter-se anônimos. Este é um direito assegurado pelas regras não escritas da Internet.
Mas eu gostaria de saber em que, exatamente, a minha escrita lhe causa tanto dissabor, em que eu seria péssimo: no estilo, na substância, em ambos, o que precisamente lhe incomoda em minha forma de escrever ou nos temas que eu escolho abordar livremente neste espaço aberto?
Um blog é um exercício público de manifestação de pensamento, de preferências, de opções de leitura, de questões que seu "proprietário" julga relevantes para debate público.
Você, meu caro anônimo, não está minimamente obrigado a ler o que eu escrevo, mas se ler, também tem a opção de me criticar, acerbamente, violentamente, como desejar. Não precisa se identificar, nem se desculpar. Pode criticar à vontade.
Mas, por favor, seja um pouco mais explícito, da próxima vez.
Aliás, um pedido: colabore comigo, desejo saber em que eu estaria sendo péssimo...

P.S.: Sim, da próxima vez, visite meu blog atual, pois aquele no qual você deixou a sua mensagem anônima já está desativado desde meados de janeiro e surpreende-me que tenha conseguido deixar um comentário nele, pois eu nunca mais consegui postar qualquer texto. Em todo caso, grato pela tentativa: vou ver se ele já desempacou..."

Quinta-feira, Junho 01, 2006

457) Integração da América do Sul: a visão positiva

Marco Aurélio: "Nosso objetivo era integrar a América do Sul. E conseguimos"
Entrevista do assessor especial de política externa da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, à Agência Carta Maior (www.agenciacartamaior.com.br):

Matéria extraída da página do PT, no seguinte link: http://www.pt.org.br/site/noticias/noticias_int.asp?cod=43411

Destaco as seguintes frases:
"Nosso objetivo fundamental era articular a América do Sul, num primeiro momento, para criar uma solidariedade regional. Numa conjuntura adversa, tentamos mudar a correlação de forças internacional. Pode parecer pretensioso, mas ou se aceita passivamente a correlação de forças, ou se tenta alterá-la. Nós interviemos para mudar significativamente a região. Penso que tivemos sucesso. Hoje há um grande número de governos de esquerda e de centro esquerda que, embora distintos entre si, buscam pontos de convergência. Mesmo administrações mais conservadoras foram empurradas para essa diretriz geral de unidade sul-americana."

"Com a Argentina chegamos a uma boa solução através da assinatura da cláusula de adaptação competitiva nos acordos."

"Do ponto de vista comercial, a Alba não é relevante. É um projeto político ideológico muito preciso. Ela nunca foi proposta ao Brasil. Eu participei de todas as negociações políticas com o governo venezuelano e este assunto sequer foi levantado. A Alba é muito mais um desígnio geral. Se quisermos tomar uma imagem gastronômica, a Alba não é um bife, é o molho."

"...o Brasil nunca reivindicou liderança alguma. Queremos uma política de unidade."

"Para nós não houve surpresa alguma na nacionalização (do gás boliviano)."

"A imprensa boliviana me apontou como um dos responsáveis pela queda (do ex-presidente Sanchez de Lozada, em 2003.), o que não é verdade."

"Lula começou dizendo (na conversa com Evo Morales, em Viena, depois da nacionalização:) “Olha, quem está aqui não é o presidente brasileiro e o presidente boliviano, mas dois companheiros sindicalistas guindados à condição de presidentes e que têm um passado comum”. A partir daí houve um entendimento e a situação melhorou."

"...não tenho dúvidas de que o discurso anti-populista e anti-nacionalista é profundamente conservador e preconceituoso."

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Marco Aurélio: "Nosso objetivo era integrar a América do Sul. E conseguimos"

Leia a entrevista concedida pelo assessor especial de política externa da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, à Agência Carta Maior (www.agenciacartamaior.com.br):
01/06/2006 - Por Gilberto Maringoni

O assessor especial de política externa da Presidência da República, o gaúcho Marco Aurélio Garcia, 64, é um conversador de primeira. Por horas a fio, é capaz de discorrer sobre intrincadas negociações internacionais com a mesma desenvoltura com que comenta uma de suas paixões, o cinema. Formado em direito e filosofia e pós-graduado na Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais de Paris, Marco Aurélio é professor licenciado do Departamento de História da Unicamp. Por mais de dez anos foi Secretário de Relações Internacionais do PT, além de ser um dos coordenadores do programa de governo do presidente Lula.

Nessa entrevista, concedida no último domingo (28), em Caracas, Marco Aurélio avalia o desempenho da política externa do governo, os problemas com a Bolívia, a liderança de Hugo Chávez e o Mercosul. Abaixo, a primeira parte da conversa.

Carta Maior – Que avaliação o senhor faz da política externa do governo Lula?
Marco Aurélio Garcia – Acho bom o desempenho na área internacional. Nosso objetivo fundamental era articular a América do Sul, num primeiro momento, para criar uma solidariedade regional. Numa conjuntura adversa, tentamos mudar a correlação de forças internacional. Pode parecer pretensioso, mas ou se aceita passivamente a correlação de forças, ou se tenta alterá-la. Nós interviemos para mudar significativamente a região. Penso que tivemos sucesso. Hoje há um grande número de governos de esquerda e de centro esquerda que, embora distintos entre si, buscam pontos de convergência. Mesmo administrações mais conservadoras foram empurradas para essa diretriz geral de unidade sul-americana.

CM – Mas não tem sido uma rota tranqüila.
MAG – É verdade. Tivemos uma série de acidentes localizados que não ajudam o processo de integração. Os exemplos são visíveis: o conflito entre Uruguai e Argentina sobre as papeleiras, a saída do mar para a Bolívia, que envolve Chile e Peru, estes dois tiveram um choque também com a definição do mar territorial. Em seguida aconteceu esse processo de desintegração da Comunidade Andina de Nações, seja pelo fato de que dois de seus países assinaram tratados de livre comércio com os EUA, seja porque a Venezuela ingressou no Mercosul. Somado a isso, houve um contencioso, a meu ver totalmente desnecessário, entre o Brasil e a Bolívia, por conta de algumas posições tomadas pelo governo deste país. Por fim, há o fato de que o Uruguai e o Paraguai estariam propensos a estabelecer tratados de livre comércio com os EUA. Aqui há um problema real enfrentado pelo Mercosul, que é o das assimetrias. Se limitarmos o Mercosul a uma simples integração aduaneira, os países de economia menor não verão vantagens. Com a Argentina chegamos a uma boa solução através da assinatura da cláusula de adaptação competitiva nos acordos.

CM – O que o governo planeja com o Mercosul em meio a tais problemas?
MAG - Desde antes do governo Lula, nós falamos num Mercosul ampliado, que não seja apenas uma integração comercial. Ele precisaria avançar em direção a uma articulação econômica, que inclua políticas industriais, agrícolas, sociais e culturais comuns. Para isso, serão necessárias instituições conjuntas, como um parlamento do Mercosul. Quando a imprensa – especialmente o jornal “O Estado de S. Paulo” – fala em “fracasso do Mercosul”, ela não se dá conta de que nós tivemos, além da Bolívia e Chile, a adesão da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e pedidos do México e de Cuba para se associarem. Ampliou-se muito a relação comercial. Mas, repito, nós não queremos reduzir a integração a isso. Quando o Peru ingressou, o próprio presidente Alejandro Toledo falou: “Nós estamos dando um grande passo na constituição de uma comunidade sul-americana de nações”.

CM – Como se integrar em outros âmbitos, além do comercial?
MAG - Há na América do Sul quatro regimes comerciais. Falo de há seis meses atrás; hoje eu não sei mais o que há. Havia o Mercosul, a Comunidade Andina de Nações, o Caricom (Mercado Comum e Comunidade do Caribe) e o Chile, com um tratado de livre-comércio com os EUA, a China, a União Européia etc. Quando projetamos a Comunidade Sul Americana de Nações, não tínhamos em mente resolver outos problemas além dos comerciais. Um deles é o da infra-estrutura física. Com vários países da América do Sul nós não tínhamos ligações físicas. Hoje há um grande número de pontes, estradas etc. Isso foi se fazendo com Paraguai, Uruguai, Bolívia etc. e muitas dessas obras têm financiamento brasileiro. Avançamos na questão energética, que teve como primeiro eixo Argentina, Brasil e Venezuela, através da constituição da Petrosul. Ela não é uma empresa de petróleo, mas um consórcio entre companhias nacionais. Disso nasceu o Gasoduto do Sul, cujos estudos encontram-se em estágio avançado. Além disso, há um empenho grande por parte do Brasil na questão das energias renováveis. Como pano de fundo, há propostas de complementariedade produtiva. Discutimos recentemente como alguns projetos podem beneficiar vários países, em pelo menos três áreas. A primeira delas é a indústria naval, que conheceu uma forte expansão no Brasil, nos últimos anos. Ela poderia se beneficiar muito das encomendas da Petrobras, da PDVSA e da estatal Argentina, que está em processo de reconstrução. A idéia é que plataformas, navios e outros equipamentos tenham sua demanda compartilhada. Isso significa encomendas gigantescas, da ordem inicial de dez bilhões de dólares. Os diferentes países, a exemplo do que acontece com a indústria aeronáutica na Europa, poderiam participar desse esforço produtivo. O Airbus é fabricado por partes na França, na Bélgica, na Alemanha etc.

CM – Por falar em aviões, como ficou o caso da proibição, por parte dos EUA, da venda dos aviões da Embraer para a Venezuela?
MAG - Nem todos os canais diplomáticos estão esgotados. Tivemos uma atitude de protesto. O Lula mencionou o caso para o presidente Bush, o chanceler Celso Amorim mandou carta para Condoleezza Rice etc. A Venezuela não está sofrendo nenhum tipo de sanção internacional. A Embraer é uma empresa privada e tem seus interesses nos EUA e nós fizemos a parte que o Estado pode fazer. O ridículo do embargo norte-americano é os fornecedores de lá não vêem problemas na venda. Não houve nenhuma aresta com o governo venezuelano.

CM – A Venezuela, juntamente com Cuba e Bolívia, busca fazer uma integração através da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba). Como isso se articula com o Mercosul?
MAG - Do ponto de vista comercial, a Alba não é relevante. É um projeto político ideológico muito preciso. Ela nunca foi proposta ao Brasil. Eu participei de todas as negociações políticas com o governo venezuelano e este assunto sequer foi levantado. A Alba é muito mais um desígnio geral. Se quisermos tomar uma imagem gastronômica, a Alba não é um bife, é o molho. O Mercosul tem uma densidade maior, por contemplar políticas comerciais, econômicas etc. O que escapar do Mercosul, ficará para a Comunidade Sul Americana de Nações, que é nosso objetivo mais geral. Ela não terá um regime comercial único, como a Europa. A idéia é a partir desse mês iniciarmos a confecção de um projeto dessa comunidade, para entregarmos aos presidentes até o fim o ano.

CM – O presidente Hugo Chávez tem desenvolvido uma política externa ousada e agressiva, fazendo acordos e contratos com inúmeros países. Lula perdeu a liderança continental para ele?
MAG - Em primeiro lugar, o Brasil nunca reivindicou liderança alguma. Queremos uma política de unidade. Acho que hoje, os países da região reconhecem a importância do Brasil, pois mantemos excelente diálogo com todos os governantes, de Chávez (Venezuela) a Uribe (Colômbia). A Comunidade Sul Americana tem de ser um valor maior. O que Chávez ganhou foi a liderança num certo segmento de esquerda. Há todo um setor com valores nacionalistas e antiimperialistas que se sente interpelado pela mensagem de Chávez. A aliança que temos com ele é de natureza geopolítica.

CM – Em algum momento, a contundência verbal de Chávez constrangeu o Brasil?
MAG – Não acho bom termos, em determinados momentos, um clima de guerra fria na região. Sei que o contencioso entre a Venezuela e os EUA envolve responsabilidades recíprocas. Não quero dizer quem tem mais razões. Da mesma maneira que condenamos o governo norte-americano – e o Lula o fez diretamente ao Bush – nós temos muita franqueza em discutir isso com o governo Chávez. Ajudaria muito se baixássemos um pouco o tom entre os países.

CM – Como o sr. vê a nacionalização do gás boliviano?
MAG - Eles fizeram o que todos os países do mundo fazem. Para nós não houve surpresa alguma na nacionalização. Isso já havia sido aprovado em plebiscito. Acompanhamos a Bolívia há tempos. Eu estive, como enviado dos presidentes Lula e Kirchner no dia da queda do ex-presidente Sanchez de Lozada, em 2003. A imprensa boliviana me apontou como um dos responsáveis pela queda, o que não é verdade. Cheguei lá com Eduardo Sguiglia, da chancelaria Argentina, e fomos diretos para a casa de Lozada. Ele nos fez uma análise extremamente lúcida da situação. A única coisa não lúcida era ele se achar a solução da crise. A conversa foi muito simpática, mas ele queria que aparecêssemos como uma missão de apoio a ele. Deixamos claro, através de uma nota, não ser essa a idéia, era uma missão de observação. Eu lhe falei: a posição de nossos governos é que se continuar a repressão e a matança, o apoio internacional ao seu governo ficará insustentável. Duas horas depois ele renunciou, não por nossa nota, mas pela acelerada perda de apoio interno. Passado esse momento, o Lula encontrou-se com o Evo e eu mesmo fui várias vezes à Bolívia em momentos de crise. A Petrobras nunca contestou a Lei de Hidrocarbonetos. Estivemos lá na eleição e na posse e a única coisa que pedimos a Evo Morales é que não houvessem negociações pela imprensa. Quando se diz que Evo desestabilizou a Bolívia, eu contesto. Se não fosse ele a cumprir suas promessas de campanha, a Bolívia estaria em chamas. O Evo é fator de estabilidade. No entanto, eu acho que determinadas atitudes não correspondem ao tipo de tratamento dispensado à Bolívia pelo Brasil. Isso nos criou problemas.

CM – Que tipo de problemas?
MAG - A entrevista do Evo em Viena foi muito ruim, tanto que ele teve de se desdizer, no dia seguinte. Algumas declarações do Ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andres Soliz Rada, não se justificam para um país amigo e presidido por alguém que sempre teve boas relações com Evo Morales. Houve um desacerto. O uso de tropas para cercar as refinarias foi outra medida desnecessária. O próprio Evo depois disse “Olha, eu tenho pouca experiência” e tal. A gravidade da ação se deu, sobretudo, por ter acontecido alguns dias depois da reunião de Foz do Iguaçu, onde os quatro presidentes – Lula, Chávez, Evo e Kirchner - acertaram uma conduta comum, inclusive cm um programa de auxílio à Bolívia. Eu há pouco conversei com o Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Ali Rodríguez. Ele me dizia que a retomada do petróleo em seu país não precisou de nada além de um ato administrativo normal.

CM – Como foi a conversa entre Lula e Evo Morales, em Viena, depois a nacionalização?
MAG - Lula começou dizendo “Olha, quem está aqui não é o presidente brasileiro e o presidente boliviano, mas dois companheiros sindicalistas guindados à condição de presidentes e que têm um passado comum”. A partir daí houve um entendimento e a situação melhorou. Agora, a reação no Brasil, de parte da imprensa e de alguns ex-diplomatas, inscreve-se na disputa eleitoral e está tisnada de conservadorismo. Atacou-se o “populismo” e o “nacionalismo” da nacionalização. Pode-se até discutir esses conceitos. Mas não tenho dúvidas de que o discurso anti-populista e anti-nacionalista é profundamente conservador e preconceituoso. Alguns colunistas chegaram a valer-se de conceitos claramente racistas.

456) Desintegração sul-americana?

América do Sul: rumo à desintegração política e à fragmentação econômica?

1. Introdução: a integração é uma hipótese, mas a fragmentação é um fato!
Primeiro, uma breve reflexão sobre os dois conceitos que dão título a esta mesa redonda: os de integração e de fragmentação.
O conceito de integração – eminentemente positivo e propositivo de uma nova realidade de cooperação irrestrita e de construção de economias sólidas e sociedades mais inclusivas – talvez seja inadequado para traduzir a presente conjuntura da América do Sul, na qual, a despeito da retórica integracionista, as tendências fortes indicam, na verdade, forças centrífugas em marcha em diversos países. As realidades são divergentes porque as lideranças políticas e seus respectivos projetos nacionais são muito diversos, o que revela a existência de projetos políticos – ou até a ausência deles – bastante diferentes e, possivelmente, contraditórios entre si.
O conceito de fragmentação, por sua vez, traduz não apenas uma realidade econômica, mas, também e principalmente, uma tendência política e social com fortes conotações internas, isto é, domésticas e regionais. A despeito de certo crescimento nos fluxos de comércio e de investimentos dentro da própria região – talvez bem mais uma recuperação de níveis passados –, a despeito mesmo do aparecimento de um projeto de união política dos países do continente – a Casa –, parece claro que cada país vem procurando resolver problemas econômicos e sociais imediatos com soluções ad hoc, definidas internamente e com respostas tipicamente nacionais, nem sempre coincidentes com a lógica do esforço integracionista no plano político ou econômico. Esse conceito me parece, portanto, totalmente adequado à presente realidade sul-americana.
Estariam, então, os países da América do Sul a caminho da sua desintegração política e da fragmentação econômica? Em parte sim, por razões objetivas, derivadas de insucessos econômicos acumulados e de frustrações sociais continuadas. Mas, em parte não, em virtude das aspirações míticas a uma aparente e ilusória unidade de propósitos e uma pretensa comunidade de intenções. A despeito, assim, de projetos integracionistas grandiosos – e a Casa não representa senão uma nova aposta no mesmo ideal mítico –, a verdade é que os países caminham para esquemas políticos e econômicos que procuram responder a necessidades do momento e a conveniências políticas nacionais, mesmo se são inevitáveis pressões no sentido contrário, isto é, aquelas de natureza centrípeta, que são exercidas pelas forças da globalização e da interdependência econômica.
Em todo caso, o panorama é suficientemente confuso para justificar uma análise que deixe de lado os esquemas generalizadores e unificadores, que redundariam, por exemplo, em identificar pretensas tendências globais para o continente, e privilegie, em lugar disso, análises mais focadas nas realidades nacionais, com situações únicas a cada caso. Mesmo neste caso, alguns analistas da própria região – Castañeda, por exemplo – pretendem visualizar dois modelos de desenvolvimento político, ambos focados nas novas forças políticas de esquerda que estão se firmando no continente: de um lado, uma esquerda moderna, reformista, capitalista e democrática – que seria a do Chile, Uruguai, Brasil e, em parte, a Argentina – e, de outro, a velha esquerda que insiste nos chavões antiimperialistas, nas mesmas receitas nacionalizantes e estatizantes, que possui nítidos traços autoritários e cesaristas, esta claramente identificada com Chávez e seus pupilos regionais, até aqui basicamente limitados a Evo Morales (uma vez que mesmo Ollanta Humala, do Peru, Daniel Ortega, da Nicarágua, e Manuel López Obrador, do México, aparentam recusar a companhia). Não creio que a bipartição de Castañeda seja correta em seus próprios termos: trata-se de um recurso jornalístico ou ensaístico, que prefere absolutizar determinadas situações, num sentido propriamente maniqueísta, mas o fato é que existem tantas “esquerdas”, no continente, quanto são diversas as “direitas”, e isso em função de dinâmicas políticas exclusivamente nacionais.
Vejamos, rapidamente, algumas das tendências políticas no plano regional.

2. Evolução do cenário político na América do Sul, dos anos 1980 a 2006
O que caracteriza, antes de tudo, as últimas duas décadas e meia no cenário político regional, é a erosão e talvez mesmo o esclerosamento irremediável das forças políticas tradicionais nos diversos países da região. Antigos partidos conservadores, de extração liberal ou claramente conservadora, vem sendo submetidos a fortes pressões competitivas, quando não são alijados do poder, por novas forças políticas ou por movimentos sociais que nem sempre assumem as características de partidos políticos, no sentido usual da palavra. O fato é que os partidos tradicionais estão em declínio.
O progresso relativo a ser registrado parece ter sido o afastamento dos militares, enquanto corporação, dos negócios da política, ainda que militares tenham continuado a participar, enquanto indivíduos, do jogo político. O atraso registrado, tangível e real, foi a incapacidade política das lideranças tradicionais dos sistemas políticos nacionais de continuar na via das reformas econômicas, políticas e sociais iniciadas a partir da crise da dívida do início dos anos 1980, que também serviu para reconduzir a região ao caminho da redemocratização política, reformas que pudessem viabilizar um novo processo de crescimento sustentado.
Com a notável exceção do Chile e, parcialmente, do México – sem mencionar a Costa Rica e o Brasil –, a maior parte dos países não conseguiu consolidar sólidas estruturas políticas democráticas comprometidas com o processo de reformas, incorrendo quase todos eles em graves problemas de legitimação das estruturas políticas tradicionais, que acabaram sendo parcialmente substituídas ou, mesmo, totalmente suplantadas por novos desafiantes saídos de fora do sistema político tradicional.
Um panorama geral da região, em especial nos países andinos – à exceção do Chile, como referido –, indica que os partidos políticos tradicionais entraram em crise. Dominados que estavam por velhas oligarquias que não souberam responder aos anseios das massas urbanas e rurais, seus mecanismos tradicionais de dominação passaram a ser contestados. Em alguns países, a instabilidade política atingiu níveis traumáticos, com manifestações maciças, ameaças de golpe, queda de presidentes e ruptura dos canais normais de transição política e de sucessão de chefes de Estado.
O Chile e a Argentina puderam conservar seus partidos tradicionais, mas com a emergência de novas lideranças políticas, da mesma forma que o Brasil, que realizou uma bem sucedida transição para a normalidade democrática, sem que fossem, no entanto, colocadas as bases de um novo modelo de crescimento econômico com divisão eqüitativa de seus frutos. No Brasil, o quadro político é suficientemente confuso neste momento (junho 2006) para fazer prognósticos sobre as forças políticas que emergirão a partir do próximo escrutínio eleitoral (outubro de 2006). O que é certo é que o governo do PT conseguiu desmantelar o que restava de credibilidade política das instituições públicas, fragmentando lideranças partidárias e envolvendo toda a classe política numa teia de corrupção que vai deixar marcas profundas nos próximos anos. O Brasil caminha, aliás, qualquer que seja o resultado da eleição presidencial de outubro, para sérios problemas de governabilidade estatal e de governança política a partir de 2007. Nenhum presidente disporá de maioria clara no Congresso e os mecanismos de funcionamento do Congresso deixaram de operar em condições normais.
Além disso, a despeito do crescente consenso social e político em torno das bases essenciais da estabilização macroeconômica, a sociedade brasileira ainda não realizou esforço equivalente para completar o ciclo de reformas e retomar o caminho do crescimento sustentado. Nenhuma força política importante propõe a volta aos padrões insustentáveis de irresponsabilidade fiscal e monetária que marcaram o Brasil até o início dos anos 1990, mas tampouco há consenso sobre como continuar e completar a série de reformas políticas e econômicas. Meus prognósticos, na vertente econômica, são propriamente pessimistas, com tendências ao baixo crescimento pelos anos à frente.
Nos demais países, o quadro é propriamente desolador, e mesmo a Argentina conheceu os efeitos da desestruturação das lideranças políticas tradicionais, sem chegar, no entanto, à exacerbação de paixões e de movimentos destrutivos que caracterizaram vários países andinos nos últimos anos. Por incrível que pareça, o partido justicialista, ou seja, o movimento peronista tradicional ainda continua influente naquele país: trata-se, sem dúvida, de caso único na história da humanidade, um líder político que conseguiu seqüestrar todo um país, inclusive a sua inteligência, durante mais de meio século. Claro, o peronismo, durante os últimos sessenta anos, teve várias encarnações: foi primeiro fascista, depois socialista moderado (mas assistindo a lutas terríveis entre suas facções de esquerda e de direita), veio a ser neoliberal com Menem, e hoje se descobre simplesmente nacionalista e populista, como sempre foi, aliás.
Os países andinos, por sua vez, em especial aqueles marcadamente indígenas – Bolívia, Peru e Equador – aproximam-se de certo modo do padrão de “estados falidos”, ainda que possam ter conhecido fases de crescimento e reestruturação econômica. As crises políticas que abalaram esses países, inclusive a Venezuela, constituem exemplos de incapacidade das elites em realizar a transição das antigas sociedades oligárquicas para democracias inclusivas de massa, o que nem sempre é fácil, reconheça-se. Todos eles, com particularidades para o caso da Colômbia, enfrentaram surtos prolongados de violência, instabilidade política, anomia social e fragmentação do tecido social, com várias ameaças latentes de ruptura institucional ainda hoje.
O caso da Colômbia é um tanto diverso, na medida em que esse país representa um dos exemplos “bem sucedidos” de dominação oligárquica com incorporação gradual de setores médios, o que pode ter evitado os exemplos sensíveis de deterioração social e política observada nos demais países, nos quais a componente indígena era mais viva. Ainda assim, sua elite tampouco conseguiu evitar a transformação da luta política em guerra civil, hoje transformada em banditismo puro, com a narco-guerrilha e a indústria dos seqüestros. Na Venezuela, país que conta com uma bem sucedida experiência de mistura racial, a crise política foi praticamente criada pela “maldição do petróleo”, já que esta fonte abundante de recursos fáceis criou uma sociedade rentista, na qual os ricos e os líderes políticos simplesmente se encarregaram de “organizar” a dilapidação dos recursos nacionais, em lugar de criar uma sociedade “normal”, baseada em outras fontes de receitas do que unicamente a renda petrolífera. A decadência moral das velhas lideranças políticas chegou a tal ponto que o país “regrediu” para a solução ilusória da liderança cesarista-distributivista-populista. Ganhou um fascismo leniente, como brinde.
Finalmente, o Chile, parece conformar a única experiência sul-americana de crescimento em bases sólidas, com desenvolvimento moderado de novas oportunidades sociais. Mas, isso só foi possível depois de duas décadas de traumas políticos e sociais como resultado da funesta experiência do “socialismo legal” de Allende da brutal ditadura que se lhe seguiu. Não se pense que os militares introduziram de imediato os Chicago boys e produziram crescimento e estabilidade nos preços desde os primeiros anos da ditadura. Passaram por diversas disfunções e uma grave crise bancária antes de consolidar um modelo econômico conforme ao instrumental básico da mainstream economics – com algumas adaptações – e uma adequação satisfatória ao que prega o famoso “consenso de Washington” (algo que a Argentina nunca fez, ao contrário do que vulgarmente se alega). As lideranças políticas chilenas pós-ditadura foram sábias o bastante para preservar o essencial do modelo econômico construído ao longo da transição. O Chile é, provavelmente, um dos poucos países no mundo que realiza superávit nominal há muitos anos. Direita e esquerda aprenderam a conviver em bons termos – apesar de rancores passados – e a eventual alternância para a direita em algum momento do futuro não implicaria, provavelmente, em mudança fundamental do modelo.
Feito esse giro pela política da região, vejamos agora a “integração”, na prática.

3. Esforços integracionistas e de coordenação política
Depois de décadas de esforços integracionistas uniformemente multilateralistas, mas “hacia adentro”, a América Latina adentrou em iniciativas mais limitadas, de cunho sub-regional. O México, depois da crise de 1982, procurou seu caminho liberalizador próprio e encerrou décadas de lutas contra sua própria geografia para tentar, por uma vez, render-se ao charme pouco discreto do grande irmão do Norte. Pode-se dizer que foi relativamente bem sucedido na empreitada, pois conseguiu consolidar um acesso ao mercado norte-americano através do Nafta e teria conseguido um canal seguro para “exportar” regularmente seu excedente demográfico se não fosse pelo 11 de setembro. Em todo caso, uniu seu destino, para o bem e para o mal, ao dos EUA, mas continua perseguindo outros esquemas livre-cambistas, dentro e fora da região.
Na América do Sul, os resultados da sub-regionalização foram contraditórios, parar dizer o mínimo. O Chile escolheu a via da “multilateralização” do livre-comércio e permanece consistentemente nesse itinerário, mesmo de forma unilateral. Quanto aos demais, houve sucessos e fracassos. O Pacto Andino, que primeiro tinha perseguido um modelo “europeu” de integração, e definido a panóplia completa de “políticas comuns” e instrumentos institucionais para a integração – inclusive um Tribunal –, não conseguiu sequer completar a sua união aduaneira, ficando bem atrás do Mercosul, que logrou relativo sucesso nos seus primeiros quatro (transição) ou nove anos (depois de formar a união aduaneira) de vida. O comércio se expandiu, assim como as trocas com o resto do mundo, mas a introversão econômica das suas economias habitual e as muitas exceções feitas à zona de livre-comércio e à própria união aduaneira abriram espaços para as resistências setoriais ao acabamento do que seria um mercado comum embrionário.
Não foi por falta de instituições que o Mercosul deixou de se consolidar, como alegado por juristas e outros neófitos do processo, mas sim por uma infeliz combinação de circunstâncias conjunturais e de fatores estruturais, que acabaram se constituindo em poderosos obstáculos à implementação completa do Tratado de Assunção. Os processos domésticos de estabilização econômica foram divergentes entre si – caso dos regimes cambiais da Argentina e do Brasil – e agravados pelas crises financeiras dos anos 1990, ao passo que as assimetrias existentes entre os países não puderam ser vencidas por esforços próprios de reconversão ou de adaptação às novas condições de concorrência.
De fato, depois de implementada a TEC, nunca mais houve esforços adicionais de liberalização comercial ou de abertura econômica, mas ao contrário, um rol completo de medidas protelatórias ou protecionistas, seguidas de constantes promessas de “mais Mercosul” para vencer as deficiências constatadas do processo. Das poucas iniciativas de liberalização comercial surgidas, nenhuma partiu do Mercosul ou de algum dos países membros, mas sim de parceiros externos, como os EUA – no caso da Alca – ou a UE – no caso do acordo birregional.
O México e o Chile foram os mais consistentes liberalizadores “hacia adentro” e “hacia afuera”, ao passo que o Mercosul parecia se fechar numa visão introvertida do processo. Os demais países – e mesmo alguns dentro do Mercosul – procuraram o que lhe parecia a melhor promessa de ampliação de mercados: o dos EUA, que perseguiram sua estratégia minilateralista de forma sistemática, isolando o Mercosul em direção da Antártida, como tinha prometido o ex-USTR Robert Zoellick.
Quando o Brasil, tardiamente em relação à primeira reunião promovida por FHC em 2000, decidiu completar a Alcsa – a zona de livre-comércio sul-americana, proposta em 1993 pelo chanceler Amorim – mediante o esquema político da Comunidade Sul-Americana de Nações (e seu estranho acrônimo), as condições já não eram propícias para assegurar uma mesma visão estratégica do processo. Vários países se desgarraram do ideal integracionista, seja por interesse em resultados mais tangíveis de curto prazo – na direção do império – seja por problemas políticos internos. Registre-se, também, que a iniciativa brasileira veio no bojo de uma auto-proclamada (e por isso inconveniente) “liderança regional”, reforçando sentimentos de desconfiança dos vizinhos, inclusive porque não vinha secundada pelos meios materiais ou políticos para o seu exercício. A Casa pode dificultar, em lugar de ajudar, a promoção da integração física do continente.
O fato é que o Mercosul mergulhou na crise desde 1999 e nunca mais saiu dela, mesmo se o comércio voltou a crescer nos últimos anos entre os dois maiores membros, à luz da recuperação argentina da crise de 2001. Mas, salvaguardas abusivas e déficit de internalização de normas contribuem para restringir as potencialidades de um bloco que constitui metade da economia do continente. Mesmo a recente decisão pela adesão “plena” da Venezuela não deve produzir resultados significativos antes de muitos anos, em virtude dos prazos de transição que obedecem em grande medida acordos aladianos pouco ambiciosos (sem mencionar o risco de politização ainda maior do Mercosul).
Se já não bastassem os inúmeros problemas comerciais, a nova administração brasileira decidiu, ao dar início a seus esforços de “revitalização” do Mercosul, que os aspectos comerciais seriam secundários em relação a outros objetivos, políticos ou de ordem social, e que estes deveriam passar a sustentar o processo. Por fim, mas não menos importante, a concepção originalíssima do líder venezuelano sobre o que deve ser a integração torna todo o exercício – seja da Casa, seja do reforço do Mercosul – o equivalente de uma aventura política de alto risco.
Observe-se que a Alba pode até ser movida a petrodólares durante algum tempo mais – e certamente Mister Chávez está sendo beneficiado pela tendência irrefreável ao aumento nos preços do óleo cru –, mas ela não parece constituir uma alternativa válida de integração econômica para o continente, uma vez que pretende ignorar as regras mais elementares da economia. Ou seja, pode-se comprar alguns países durante algum tempo, mas não parece ser fácil comprar todos os países durante todo o tempo.

4. Um continente a caminho da “mafialização”?
O chanceler Celso Amorim costuma repetir que o destino da América do Sul tem de ser o da integração e que ela deve fazê-lo pela via positiva da cooperação política e do comércio, ou será forçosamente integrada pela via perversa do crime organizado e do narcotráfico. Pode-se retrucar, a esta promessa de um futuro sombrio, que ela já se realizou, pois a integração de grupos criminosos –tráfico de drogas, de armas, diversas formas de lavagem de dinheiro, ademais da contaminação dos corpos político e policial – já é um dado cada dia mais comum na paisagem regional. Não deveria haver nenhuma dúvida quanto a isso: a América Latina, de modo geral, é uma região a caminho da “mafialização”, mesmo sem as tradicionais famílias baseadas na omertà.
Aspecto ainda mais patético da “involução” que se observa nos costumes e no “mores” político local é o apelo recorrente a soluções do passado para enfrentar os problemas do presente: o velho apelo ao nacionalismo epidérmico, a denúncia infantil da exploração imperialista e o recurso a esquemas estatizantes que já demonstraram ser ineficientes em mais de uma ocasião. Mais preocupante é o estilo autoritário que líderes políticos estão imprimindo a suas campanhas eleitorais ou às administrações em curso, com notável destaque, mais uma vez, para o coronel bolivariano. Para o desconforto da esquerda, o antiimperialismo também se apresenta em sua modalidade fascista.
Se considerarmos que a América Latina já é, de todas as regiões do mundo, a de menor crescimento relativo – perdendo, agora, inclusive para a África – e que os países da América do Sul continuam a perseguir estratégias nacionais de crescimento ou de inserção internacional, chegaremos inevitavelmente à conclusão de que as perspectivas para a integração política ou econômica na região são no mínimo limitadas, em que pese a retórica integracionista ascendente.
Pode até ser que meu pessimismo não seja justificado em bases reais, mas como diz um velho ditado, os pessimistas nunca correm o risco de serem desagradavelmente surpreendidos pela realidade que um dia desaba à sua frente.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 28 de maio de 2006

455) Entrevista do ministro das Relações Exteriores

Destaco este trecho desta entrevista do ministro Celso Amorim à revista Exame:
"O que acontece é que hoje o Brasil tem uma política externa. Isso chama atenção. Quando o Brasil tinha um relacionamento internacional, que seguia certos princípios, mas não tinha uma postura afirmativa, a política externa não era assunto. O crescimento dos negócios com os parceiros da América Latina nos últimos anos é uma prova de que nossa ênfase na região está correta."

“Não podemos ganhar todas”: Celso Amorim fala à revista Exame
(1/6/2006 10:50:36)

O dólar que o empresário recebe não é ideológico.
"Estamos no rumo certo"

Nem o confisco dos negócios da Petrobras na Bolívia abalou a confiança do chanceler na política externa brasileira

Crise na Bolívia, desintegração do Mercosul, fracasso no pleito para conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU. Contra todas as evidências, o chanceler Celso Amorim defende que a política externa brasileira é um sucesso. A seguir, seus argumentos.

1 - Mesmo diante de vários indícios de que Evo Morales iria radicalizar, a diplomacia brasileira não acreditava que os negócios do país seriam prejudicados na Bolívia. Como explicar esse erro de avaliação?
Sabíamos que haveria a nacionalização dos recursos naturais. Já a maneira como ela foi feita, com a presença de tropas, talvez nos tenha surpreendido um pouco. Existe por lá um processo político evoluindo, e isso levou a alguns gestos desnecessários. Seria melhor que não tivessem ocorrido.

2 - O que o Brasil vai fazer se a Bolívia continuar reticente sobre as indenizações à Petrobras?
Vamos recorrer a todos os fóruns internacionais. Mas ainda acredito numa solução conciliatória.

3 - O que o leva a crer que a diplomacia brasileira agiu de forma correta no caso?
Respeito as críticas, mas acho que temos agido com firmeza e respeito no episódio da Bolívia. Estamos no caminho correto, não só com relação a esse caso, mas também na condução geral da política externa brasileira.

4 - Se o rumo está correto, por que existe uma percepção geral de que a política externa é a área mais fraca do governo?
O que acontece é que hoje o Brasil tem uma política externa. Isso chama atenção. Quando o Brasil tinha um relacionamento internacional, que seguia certos princípios, mas não tinha uma postura afirmativa, a política externa não era assunto. O crescimento dos negócios com os parceiros da América Latina nos últimos anos é uma prova de que nossa ênfase na região está correta.

5 - E o que explica a desintegração do Mercosul? Até o Uruguai fala em fechar acordos diretamente com os Estados Unidos...
Eles podem fazer um acordo hoje e ter um ganho a curto prazo, mas vão ser ignorados em negociações futuras. Vou ser bastante franco: o mercado uruguaio é muito pequeno. É uma realidade da vida. A despeito de problemas pontuais, a comunidade sul-americana de nações está avançando.

6 - Mas o Brasil não faz concessões demais? Recentemente, deixou que a Argentina impusesse uma série de barreiras à importação de produtos brasileiros.
Não podemos ganhar todas. Nossas exportações para a Argentina aumentaram 61% de 2004 para 2006. Há dificuldades, mas nossa relação está ótima. Existem boas perspectivas de expansão e aprofundamento do Mercosul. O bloco comercial é importante para garantir estabilidade política e econômica para a América do Sul.

7 - Não seria melhor deixar um pouco de lado essas preocupações políticas e investir em relações que nos tragam benefícios comerciais mais imediatos?
Política está presente em tudo. E os resultados estão aí, para quem quiser conferir. Nem sempre isso é divulgado. Estamos vendendo mais não só para a Venezuela, mas também para Colômbia, Peru e Argentina. O dólar que o empresário recebe, pode ter certeza, não é ideológico.

Quarta-feira, Maio 31, 2006

454) Terceira Conferencia Mundial de Relacoes Internacionais (Brasilia, 9 a 12 de outubro de 2006)

453) Itamaraty libera materiais de arquivo do tempo da ditadura

Do blog de Josias de Souza (FSP), desta terça-feira, 31 de maio de 2006:

Itamaraty e PF liberam papéis secretos da ditadura

O Itamaraty e o Ministério da Justiça (Polícia Federal) transferiram para o Arquivo Nacional milhares de documentos secretos produzidos entre 1964 e 1975, sob a ditadura militar. Uma equipe de técnicos da repartição, ainda por nomear, vai catalogar os papéis. Depois, eles estarão disponíveis para consulta pública.

A liberação dessa nova leva de documentos secretos ocorre nas pegadas de providência semelhante adotada pelo governo no final do ano passado. Enviaram-se ao Arquivo Nacional, em dezembro, 13 arquivos de aço com dados colecionados por agentes do extinto SNI. Encontravam-se sob a guarda da Abin.

Diferentemente do que aconteceu com a abertura dos arquivos do SNI, anunciada com espalhafato pela ministra Dilma Rousseff (Gabinete Civil), o novo gesto foi cercado de discrição. O governo receia criar uma demanda por informações que, por ora, o Arquivo Nacional não está apto a atender.

Ainda às voltas com a digestão dos documentos que recebera em dezembro, o órgão não teve tempo de dedicar-se à nova montanha de documentos, cujos segredos desconhece. Os cerca de 30 funcionários que trabalham na Coordenação do Arquivo Nacional em Brasília suam a camisa para atender a uma média mensal de 120 requisições de pessoas interessadas em saber o que há a seu respeito ou sobre seus familiares nos arquivos do SNI.

Daí a preocupação em não fazer alarde em torno da abertura de mais dois armazéns de papéis da ditadura, o do Itamaraty e o da PF. O trabalho do Arquivo Nacional é, por ora, braçal. Tenta-se fechar uma parceria com a Unesco, que se dispôs a financiar a digitalização das informações do SNI.

Hoje, os dados estão armazenados em cerca de 220 mil microfilmes. Juntos, contém mais de 1 milhão de folhas de papel, sem contar os anexos (fotos e livros, por exemplo). Levado ao ambiente digital, o papelório poderá ser consultado com o auxílio da informática. Até lá, o Arquivo Nacional atende como pode às requisições. São formuladas majoritariamente por pessoas que movem ou planejam mover processos para obter indenizações do governo.

O último a obter documentos, na quinta-feira da semana passada, foi César Lamarca. Levou dados a seu respeito e de familiares, em especial seu pai, o guerrilheiro Carlos Lamarca, morto em 1971. Lamarca foi companheiro de armas da também guerrilheira Vanda, codinome que escondia a identidade de Dilma, hoje ministra.

A transferência de documentos sigilosos da ditadura para o Arquivo Nacional é um notável avanço democrático. É indispensável lembrar, porém, que Fernando Henrique Cardoso baixou e Lula manteve legislação que dá ao Executivo o poder de manter sob sigilo eterno documentos ultra-secretos que, a seu juízo, ponham em risco a Segurança Nacional.

Trata-se de uma afronta ao bom-senso, à historiografia, aos valores democráticos e ao próprio espírito da Constituição. Escorados nessa legislação, os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica não movem uma palha para abrir os seus arquivos, mesmo os que se encontram recobertos pela poeira da história.

Escrito por Josias de Souza às 00h42

452) Alunos empreendedores (e perguntadores...)

Participei, na segunda-feira 29 de maio de 2006, da abertura do III Fórum de Formação e Profissionalização em relações internacionais, organizado conjuntamente pelo Centro Acadêmico Guimarães Rosa do curso de graduação em Relações internacionais da USP e pela empresa RI USP Jr, de alunos do mesmo curso.
Gostaria, em primeiro lugar, de deixar consignado meu reconhecimento pelo convite e meu agradecimento pela forma gentil e atenciosa com que fui tratado. Trata-se de um encontro com vários eventos sucessivos, que se desenvolve durante toda esta semana nas dependências do curso, e que demonstra o esforço que esses alunos vêm fazendo para se qualificar acadêmica e profissionalmente e se dotarem de "instrumentos" para se inserirem, desde já, no mercado de trabalho.
Fiz, na abertura, depois de uma exposição do Professor Rafael Villa sobre o desenvolvimento epistemológico das relações internacionais enquanto disciplina acadêmica, uma breve exposição sobre formação e profissionalização na área, em seu conjunto, consoante a questão que me tinha sido colocada pelos organizadores.

Em intenção dos curiosos e ausentes, transcrevo abaixo a versão textual do suporte em PowerPoint de minha apresentação, evidentemente telegráfica nessa forma, e que não é suscetível de abrigar todos os meus comentários (alguns desabusados) feitos na ocasião.
O fato é que ambos, o professor Villa e myself, nos estendemos em demasia nas palestras iniciais, não dando tempo suficiente, provavelmente, para respostas circunstanciadas para as muitas perguntas que nos foram feitas.
Eu pelo menos recolhi sete papeletas -- foi o que me passaram, pode ter havido outras -- com questões interessantes, às quais não pude dar respostas adequadas ou completas. Seria minha intenção, respondê-las de alguma forma, como venho fazendo de maneira ad hoc aos que me consultam -- repórteres, estudantes e outros curiosos -- sobre essas mesmas questões.
O mais provável é que eu reuna todos os meus textos dispersos e esparsos que abordaram essas questões e consolide numa matéria do tipo "Tudo o que você sempre quis saber..." e coloque depois à disposição dos interessados, no meu site ou neste blog.
Por enquanto, fiquem apenas com minha apresentação...

O Internacionalista e as Oportunidades de Trabalho: desafios
Paulo Roberto de Almeida
(pralmeida@mac.com; www.pralmeida.org)

Apresentação na Semana de Relações internacionais
do curso de relações internacionais da USP
(29 de maio de 2006, 17h30; FEA)

Transcrição de apresentação em PowerPoint:

1)
Fórum de Formação e Profissionalização em Relações Internacionais
Painel 1:
Origem, história e especificidade das RIs
São Paulo, 29 de maio de 2006, 17h30-19h00
FEA-USP

2)
Sumário da apresentação:
Quem é o profissional de relações internacionais e quais seriam os principais desafios do ponto de vista de sua formação educacional e de sua inserção profissional?
1. Um novo “personagem" na paisagem brasileira: o bacharel em relações internacionais.
2. Quem é ele?; o que ele é capaz de fazer?
3. Os cursos entregam o “produto” pronto?
4. O que podem fazer os alunos e os cursos?

3)
1. Um novo “personagem” na paisagem brasileira: o profissional em relações internacionais...
A grande transformação: o fim da história e a explosão dos cursos mercantis...
- Abertura internacional da economia brasileira nos anos 1990: globalização e regionalização como fatores indutores;
- Lei de Say (a oferta cria a sua própria demanda): surgimento de novas oportunidades profissionais no mercado.

4)
… alguns outros elementos relevantes para avaliar o “personagem” ...
Ponderar fatores de qualidade, derivados da:
- disponibilidade de bons cursos (avaliação curricular e parâmetros de formação);
- oferecimento de oportunidades reais (o curso está conectado com a sociedade?);
- integração e segmentação dos mercados (barreiras à entrada diminuem eficiência);
- empreendedorismo e cultura estatizante (quantos vão fazer concurso público?);

5)
2. Quem é o profissional de RI?; o que ele é capaz de fazer?
Sim, ele é capaz de muitas coisas, mas…
➢ possui capacidade analítica comprovada?
➢ tem ferramentas adequadas ao seu trabalho?
➢ foi preparado para ser um autodidata?
➢ tem idéia das oportunidades brasileiras?
➢ pôde seguir especializações instrumentais?
➢ foi exposto a simulações da realidade?
➢ aprendeu que na prática a teoria é outra?
➢ saiu do casulo universitário para a vida real?
➢ enfim, como pretende construir sua carreira?

6)
...outros elementos relevantes do homem com qualidades...
Quais são as qualidades do profissional RI?
- saber que existem várias RIs no mundo;
- que existe uma RI para a sua situação;
- que ele pode construir a sua própria RI;
- que isso pode ser feito cooperativamente;
- que self-reliance é a melhor receita;
- que prospectiva é melhor que perspectiva;
- que diversificação é um bom seguro-risco;

7)
3. Os cursos entregam o “produto” (o “personagem” RI) pronto?
Não, os cursos entregam um “produto” apenas parcialmente pronto;
Por que?…
> existem deficiências intrínsecas aos cursos
(nenhum curso é perfeito…);
> Um problema tradicional: - Por que ninguém me chama?
(os alunos acham que as empresas e organizações internacionais não se lembram que eles existem; ignoram que eles são bons, quase perfeitos…).

8)
… alguns aspectos da paisagem para o profissional em RI...
- Setor público (diplomacia and other few);
- Setor acadêmico (retornos decrescentes);
- Setor privado (maiores oportunidades);
- ONGs e outros alternativos (“idealistas”);
- Organizações internacionais (sortudos);
Empreendedorismo individual e coletivo:
- O mercado vai crescer?;
- Entzauberung: da ilusão à frustração…

9)
4. O que podem fazer os alunos e os cursos?
Reinventar sua própria formação:
➢ autodidatismo é sempre bem-vindo;
➢ políticas de formação para nichos especiais de mercado;
➢ seguimento das primeiras gerações de RI
(alguém se lembrou de fazer uma pesquisa?);
➢ um mercado ainda em testes...
Desafios e mais desafios…

10)
…grandes e pequenos problemas da profissionalização
As “irracionalidades” do processo de formação e de inserção no mercado…
➢ sempre tem algum detalhe não trabalhado;
➢ os formandos esperam ser chamados?;
➢ a regulamentação como remédio: de volta às corporações medievais de ofício?;
➢ da saturação à acomodação, em poucos anos mais (sedimentação e nichos).

11)
Ao fim e ao cabo…
…existem vantagens em ser um internacionalista: quais são elas?:
➢ mobilidade intersetorial;
➢ mobilidade espacial (geográfica);
➢ flexibilidade curricular e mental;
➢ nomadismo assegurado (às vezes grátis);
➢ acumulação “primitiva” de milhagens;
➢ aprender a pensar em inglês...

12)
Obrigado!
Paulo Roberto de Almeida
www.pralmeida.org
http://diplomatizando.blogspot.com/

Terça-feira, Maio 30, 2006

451) Negacionistas sempre voltam a negar o indesmentível..

Do blog da revista Foreign Policy desta terça-feira 30 de maio de 2006:

Implausible Deniability

I’ve always been uncomfortable with Holocaust Denial laws. It seems to me that the evidence for it is so irrefutable that there’s no need to make denying it a criminal offense. The presence of these laws on the books allows cranks to get mileage about asking why they’re there. Mahmoud Ahmadinejad tries this tack in his interview with Der Spiegel:

SPIEGEL: Even though no Western scholars harbor any doubt about the Holocaust?

Ahmadinejad: But there are two opinions on this in Europe. One group of scholars or persons, most of them politically motivated, say the Holocaust occurred. Then there is the group of scholars who represent the opposite position and have therefore been imprisoned for the most part. Hence, an impartial group has to come together to investigate and to render an opinion on this very important subject, because the clarification of this issue will contribute to the solution of global problems. Under the pretext of the Holocaust, a very strong polarization has taken place in the world and fronts have been formed. It would therefore be very good if an international and impartial group looked into the matter in order to clarify it once and for all. Normally, governments promote and support the work of researchers on historical events and do not put them in prison.

SPIEGEL: Who is that supposed to be? Which researchers do you mean?

Ahmadinejad: You would know this better than I; you have the list. There are people from England, from Germany, France and from Australia.

Now, it is unlikely that anyone twisted enough to agree with the David Irvings of this world changes their mind because Irving was arrested. Indeed, I expect the fact he’s been banged-up strengthens the convictions of his loony followers. It also allows Ahmadinejad to make absurd claims like this.

Is it scarier that Ahmadinejad is deluded enough to believe that the Holocaust didn’t take place, or that he thinks stoking doubts about it is a winning political strategy? All in all, not the kind of man you want within a hundred miles of a nuke let alone with his finger anywhere near the trigger.

450) Revista do FMI compara Asia e America Latina...

A revista do FMI, Finance and Development, em seu número de Junho de 2006, traz inúmeros artigos sobre o desenvolvimento em escala mundial, sobretudo a ascensão asiática, o papel dessa região na economia mundial, os desafios em face da globalização, os problemas financeiros e de investimentos e, mais interessante do nosso ponto de vista, por que os asiáticos tiveram um desempenho superior ao dos latino-americanos na história econômica recente:

Neste artigo:

What Happened?
Anthony Elson
Why East Asia surged ahead of Latin America and some lessons for economic policy. In 1950, Latin America was the most developed region outside the industrialized countries, but half a century later East Asia had leapt to the front, while Latin America's position had declined. A look at the underlying reasons.

Transcrevo abaixo esse artigo, mas recomendo sua consulta online, uma vez que ele contem tabelas que não serão recuperadas neste post ou estarão completamente desformatadas. Ver o artigo neste link:
http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2006/06/elson.htm

What Happened?
Anthony Elson

Why East Asia surged ahead of Latin America and some lessons for economic policy.


In 1950, Latin America was the most developed region outside the industrial countries, with an average real GDP per capita more than two and a half times that of East Asia (excluding China and Japan), and about one-fourth that of the United States. By the beginning of the current century, however, this relative position had been reversed: the real GDP per capita of the East Asian region had more than doubled, relative to the United States, whereas that of Latin America had declined (see Table 1).

What accounted for this big shift in fortunes? Clearly, many factors need to be considered, including the differences in countries' initial conditions, such as the impact of culture, historical traditions, and natural endowments. One way of organizing one's thinking is to consider the so-called deep determinants of economic development, which reflect some of the impact of initial conditions and other fundamental factors in the development process: geography (natural endowments, distance from the equator or from major markets), integration (trade and other policy reform), and institutions.

Geography, it turns out, does not significantly differentiate Latin America and East Asia. Both regions contain resource-rich and resource-poor countries; both regions include a roughly similar portion of territory in the tropics; and both are similarly located in relation to major trade markets.

In relation to integration and institutions, a comparison of the recent development experiences of East Asia and Latin America highlights three factors that can account for much of Latin America's lagging economic performance during the second half of the past century: its problems of macroeconomic instability; its low level of integration with the global economy; and the poor quality of its public institutions.

Table 1
Reversal of fortunes
East Asia has surged ahead while Latin America has lost ground.
(ratio of income per capita to that of the United States, at purchasing power parity, 1990 dollars)
1950
2001
East Asia1
0.057
0.151
East Asia (excluding China)
0.097
0.215
Latin America
0.263
0.208
Source: Maddison (2003).
1Comprises China, Hong Kong SAR, Korea, Singapore, and Taiwan Province of China, plus Indonesia, Malaysia, Philippines, and Thailand.

Too much macroeconomic instability
Most of the growth divergence between the two regions occurred in the last quarter of the 20th century. For Latin America as a whole, economic growth was particularly weak during the 1980s—the "lost decade"—when real GDP per capita fell by nearly 1 percent in the wake of adjustments to a regional debt crisis. Average real income picked up in the 1990s but still grew by only 1.9 percent, while the region's open unemployment rate, according to data from the International Labor Organization, rose to 10 percent by the end of the decade. Real income growth was weaker in the second half of the 1990s than for the decade as a whole, and, during 1998–2003, it was zero, although there has been an encouraging recovery since then. By comparison, growth in real GDP in East Asia was about 6 percent a year, on average, during these same periods. In addition, growth has been significantly more volatile in Latin America than in East Asia since 1980.

A comparison of other indicators of macroeconomic performance also reveals dramatic differences between the two regions: domestic savings and investment, trade openness, and financial deepening show substantially higher values for East Asia (see Table 2). A regional comparison of the incidence of extreme poverty (those living on less than $1 a day) and income inequality also shows marked differences, with Latin America exhibiting little or no change in these measures of development from 1980 to 2000.

Table 2
Growing divergence
(não reproduzida)

Underlying these differences was the lack of consistent and stable economic policies in Latin America. The absence of a stable policy environment, with relatively low inflation, competitive exchange rates, and positive real rates of interest, is clearly detrimental to long-run decisions for investment and growth. This principle was enshrined in the "Washington Consensus" of the early 1990s and generally received wide credence among economic officials in Latin America. It has also long been a bedrock for most of the East Asian economies, which, relatively early in their post–World War II development, established a reputation for fiscal prudence, low public debt, and high domestic savings.

By contrast, the record of Latin America, traditionally plagued by fiscal instability and high inflation, has been far weaker. Recently, under the impetus of macroeconomic reforms to improve domestic tax systems and privatize loss-making public enterprises, Latin America has reduced its chronic inflation and improved fiscal performance, but other elements of macroeconomic instability that discouraged productive investment and growth continue to exist (see F&D, December 2005).

Fiscal policy. Average fiscal deficits in relation to GDP were reduced significantly across Latin America in the 1990s, but fiscal policy in many countries continued to be procyclical (exacerbating booms in the upswing, and recessions in the downturn, of the economic cycle) and to depend heavily on external financing. These characteristics intensified growth volatility, especially in the face of highly variable private capital flows (so-called sudden stops), which contributed to capital account crises. The data presented in Table 2 suggest that the variability of capital flows during the past two decades was not substantially different in the two regions. However, East Asia was better equipped to withstand external shocks from unstable capital flows because of the stronger fiscal positions of its governments, low public external debt, and more robust export sectors. The region even recovered relatively quickly from the financial crisis of 1997–98 and has resumed a robust growth trajectory.

More recently, Latin American governments have been able to maintain a more disciplined approach, maintaining high primary surpluses and bringing down public debt. A particularly noteworthy example is Chile, which has now set a high standard for fiscal policy management for emerging market economies with its structural surplus rule.

Financial system stability. During the past two decades, according to World Bank data, Latin America was subject to more systemic banking crises than any other region in the world, except for sub-Saharan Africa. In many cases, these crises were a consequence of boom-bust cycles induced by fiscal instability and sudden stops in private capital flows, but they also reflected poor bank management, especially of state banks, and weak regulatory systems. These crises, in turn, tended to exacerbate the region's public debt problems, as their resolution required government intervention and financial support exceeding, in some cases, 20 percent of GDP.

Financial system instability has also led, over time, to relatively low rates of financial intermediation, widespread substitution of the U.S. dollar in domestic financial transactions, and high interest rates (with large spreads between domestic lending and deposit rates). At the same time, the flow of bank credit to the private sector in most Latin American countries was less than 30 percent of GDP during the second half of the 1990s.

The contrast with East Asia could not be more striking. Typically, in the East Asian economies, financial intermediation ratios (as measured by broad money in relation to GDP) were above 90 percent in the 1990s, and credit flows to the private sector generally exceeded 80 percent of GDP. While East Asia has also had to deal with banking problems (especially in the crisis period of 1997–98), real interest rates have not exhibited the volatility or high levels sustained in many countries of Latin America and have typically been in the single-digit range. Correspondingly, investment ratios have been much higher in East Asia than in Latin America.

Exchange rates. Another aspect of macroeconomic instability that has differentiated the two regions relates to exchange rate behavior. Key elements of the macroeconomic reforms implemented in Latin America since the late 1980s have been a reduction in trade barriers and a move toward more competitive exchange rates. In both respects, Latin America has traditionally lagged behind East Asia. In addition, during the 1990s, exchange rates, in real effective terms, tended to appreciate significantly in Latin America, reversing the course set in the previous decade. To a significant extent, this tendency resulted from the frequent use of the exchange rate as an anchor for achieving domestic price stabilization, especially in the early 1990s. More recently, Latin American countries have shifted toward more flexible regimes, many using inflation targeting as an effective anchor.

Less integrated with the global economy

While Latin America has lagged behind East Asia in establishing the conditions for the macroeconomic stability needed to sustain growth and development, it also fell behind in its integration with the global economy and the competitiveness of its manufactured exports. In 2000, total exports of Latin America represented only 5½ percent of global exports, unchanged from 1980 (see Table 3). Over the same period, exports of East Asia more than doubled from 8 percent to 20 percent. East Asia has also exhibited higher levels of intra-industry trade, as measured by the ratio of merchandise trade to merchandise value added, which reflect its growing participation and specialization within global production chains.

Table 3
Fruits of integration
East Asia has benefited far more than Latin America from the expansion of global trade.
1980
1990
2000
(percent share of world exports)
East Asia
8.0
13.0
20.0
Latin America
5.5
4.2
5.6
(percent share of world imports)
East Asia
8.6
12.5
18.0
Latin America
6.1
3.7
5.9
(ratio of merchandise trade to merchandise
value-added, percent)
Asia
93.8
115.8
168.5
China
12.1
23.7
32.1
NIEs
216.5
259.5
365.5
Other
39.4
52.4
84.3
Latin America
37.2
42.6
58.6
Mexico
22.8
48.3
102.6
Sources: UN Comtrade data; and IMF, World Economic Outlook database.
Note: Asia includes Bangladesh, Pakistan (in "other"), and India.
NIEs = newly industrialized economies.

Most of East Asia's growth in intra-industry trade has been in high-technology exports (such as electronic and communications technology components), which have been the category of most rapid growth in world trade. In Latin America, except for Brazil and Mexico, export growth was heavily weighted toward natural resource commodities and low- and medium-technology exports. As a result, whereas East Asia's share of global manufactured exports rose sharply, that for Latin America remained flat. Excluding Mexico, Latin America's share of global manufactured exports was only 2 percent, a rate below that recorded in 1980. In a global economy in which international production systems for commodities such as automobiles, electronics, and garments have become increasingly fragmented across national boundaries and trade in manufactured goods (mostly in the form of intrafirm trade) has risen to 80 percent of total trade, East Asia has benefited far more than Latin America from the gains of global trade patterns.

A key driver in the trade dynamics described above has been foreign direct investment (FDI) by multinational corporations. Not only has East Asia generally received more FDI flows than Latin America but the flows to East Asia have also mostly been channeled into manufacturing, which has fed exports. In Latin America, during 1996–2000, roughly half of FDI flows were related to mergers and acquisitions in connection with the privatization of state-owned utilities and domestic banks. Much of the rest has been directed, particularly in the Southern Cone and Andean countries, to the exploitation of natural resources (mining, oil, and forestry), where restrictions on private and foreign participation have been lifted under the reform effort. In the Caribbean and Central America, countries like Costa Rica and the Dominican Republic have followed the pattern of the Mexican maquila industry in using FDI to support exports to the U.S. market of electronic components and garments, based mainly on imported inputs and enclave production in export processing zones. However, most economies remain more closed than their Asian counterparts. Mexico is the one Latin America country that comes close to the East Asian model in its export drive.

Differences in FDI have also affected technological capacity and intraregional trade. Latin America has not upgraded its technology as fast as East Asia, leading to weaker performance across a range of indicators, such as transport costs; port efficiency; and depth of road, rail, and airfreight facilities. Similarly, tertiary enrollments in science and engineering education and business expenditures on research and development, on average, are well below the regional average for East Asia. Korea, Singapore, and Taiwan Province of China are among the world leaders in these areas.

The dynamism of investment and exports in East Asia has also been enhanced by regional forces (or positive "neighborhood effects"). Intraregional trade has been growing sharply among East Asian countries and, by the end of the past decade, represented about 37 percent of total regional trade; for Latin America, intraregional trade accounted for only about 18 percent of total trade flows. This phenomenon is likely to increase in East Asia with China's increasing dominance as a major world exporter and destination for FDI flows.

Better public institutions needed
Increasingly, institutions are seen as accounting for divergent growth patterns across countries. Analysts have identified three areas in which government institutions have helped underpin growth in East Asia. One is the strong record of policy consistency of governments: policy credibility and political stability, along with a stable macroeconomic environment, have underpinned the promotion of long-term investment in East Asia. A second element is the strong focus on economic development as a strategic national goal. Such a strategic vision projected by national leaders has been especially characteristic of China, Korea, Malaysia, Singapore, and Taiwan Province of China.

Third, the strength and independence of government bureaucracy has also been important to East Asia's economic development and has too often been lacking in Latin America. Asian governments have tended to foster the development of a professional, merit-based civil service tradition, insulated from political influence, to implement economic policy in close consultation with business groups. To streamline decision making, lead government agencies with strong coordinating authority were created to translate a national strategic vision of economic development into specific actions. Singapore's Economic Development Board is a prominent example of such an institution. Singapore has been one of the top-rated countries in the world for the quality of its public institutions, and seven of the East Asian countries surveyed in the World Economic Forum's 2004 Competitiveness Report were in the top half of countries. Most of the Latin American countries were in the bottom half.

Notwithstanding the strength of East Asia's government institutions, the Asian financial crisis revealed how, in certain cases, close coordination between the public and private sectors gave rise to serious problems in corporate governance and regulatory forbearance. This experience showed that certain institutional arrangements that may have been effective at earlier stages of development needed to be adapted and transformed as market-based arrangements expanded more fully.

Despite these problems, the elements of strategic vision, policy consistency, and bureaucratic autonomy in East Asian societies during their postwar development have compensated for the lack of well-developed market-based institutions and legal frameworks that supported economic development in the advanced countries. By the same token, these elements were not particularly prominent in Latin America, where many governments exemplified capture by special interests or were dominated by patron-client-based political parties focused on the distribution of rents to favored elements of society. In respect of bureaucratic strength, there are clear examples (such as Brazil, Chile, and Mexico) of strong ministries of finance and independent central banks that have developed more recently in the region, but a professional civil service tradition has not generally been fostered. Often, government office holding has been a reward for political support of the ruling political party.

Latin America's recent economic record, unlike that of East Asia, is clearly mixed in terms of reform results and benefits gained from globalization. Four key lessons for economic policy can be drawn from these compared experiences.

First, the requirement of macroeconomic stability for sustained economic growth must be viewed as more than simply an issue of maintaining low inflation and fiscal control. The soundness and stability of the financial system is an essential ingredient of the appropriate macroeconomic framework for development. Stable and competitive values for the real exchange rate and domestic real interest rates are critically important as well.

Second, notwithstanding past debates about the relative importance of the state and the market in the development process, governments have a crucial role to play in supporting economic growth through the establishment of good infrastructure, support for technical training and local technology absorption, and the promotion of exports and FDI.

Third, if governments are to play a positive role in the development process, then the integrity of public institutions needs to be ensured. In many countries, this will require continued public sector reform to streamline bureaucracies and establish independent judiciaries, tax and customs authorities, and regulatory agencies. Strong support should also be given to anticorruption initiatives and the development of civil society organizations to strengthen oversight of government activities.

Fourth, the experience of East Asia has shown that institutions are context-specific and need to be adapted over time. In the absence of well-developed legal frameworks for property rights at the beginning of the post–World War II development phase, other arrangements, including close coordination between government and business, clear policy signals, and good public administration, provided the necessary institutional support for productive investment. At later stages of the development process, however, experience has shown that these arrangements needed to be supplemented by appropriate regulatory and governance structures to support an evolving market-based system.

References:
International Monetary Fund, 2005, "Latin America: A Time of Transition," Finance & Development (December).
———, World Economic Outlook, October 2002 and 2003 (Washington).
Maddison, Angus, 2003, The World Economy: Historical Statistics (Paris: Organization for Economic Cooperation and Development).
United Nations Conference on Trade and Development, World Investment Report 2003 (Geneva).

Anthony Elson is a former Senior Advisor in the Asia and Pacific and the Western Hemisphere Departments of the IMF. He is currently a consultant with the World Bank, as well as a Professorial Lecturer at the Johns Hopkins School for Advanced International Studies and a Visiting Lecturer at the Duke University Center for International Development.

Segunda-feira, Maio 29, 2006

449) Sobressaltos da construcao européia: o não francês, um ano depois

Importante artigo do Le Monde:

Enquête
Le rêve européen confisqué
LE MONDE | 26.05.06 | 13h19

Ce fut non. Un non franc et massif. Le 29 mai 2005, 54,67 % des Français ont
rejeté la Constitution européenne. Parce qu'ils ne se reconnaissaient plus
dans cette Europe bâtie avec l'Allemagne au sortir de la guerre. Et parce
que, "dans cette grande Europe, on ne se sent pas chez soi", comme le
déplore le chrétien-démocrate allemand Karl Lamers.

Accédez à l'intégralité de cet article sur Lemonde.fr
http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3230,36-776470,0.html

Ou então, em meu blog auxiliar, onde ele está transcrito:
http://textospra.blogspot.com/2006/05/90-sobressaltos-da-construo-europia-o.html

Domingo, Maio 28, 2006

448) Legiao Estrangeira Futebol Clube

Voilà, não tenho muito mais a acrescentar, salvo que eles poderiam talvez cantar, em lugar do Hino Nacional, a "Internacional" (do capital, bien sûr...)

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
Seleção brasileira de estrangeiros
Veja, 31 de maio de 2006

Eles vestirão a camisa amarela e cantarão o Hino, mas para eles o Brasil é uma realidade distante

Fred veio em seu próprio carro, desde a França, deslizando pelas magníficas estradas européias. O grupo de Milão – Kaká, Cafu, Dida – chegou junto, também de carro, ao cabo de um confortável passeio de 200 e tantos quilômetros. Ronaldo desembarcou de jatinho. Ele tinha viajado com a namorada para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e, como de lá seria complicado voltar a tempo em avião de carreira, alugou um. Outros vieram do Brasil, país ao qual por vezes lhes ocorre dar um pulo, entre um compromisso e outro. O ponto de encontro era Weggis, à beira do Lago de Lucerna, na Suíça. Era a seleção brasileira reunindo-se para a Copa da Alemanha. Mas, se se quiser interpretar como um clube de milionários atendendo ao chamado para sua reunião quadrienal, também se estará certo.

A nossa será possivelmente a seleção mais bem paga na Alemanha. Nunca um Brasil tão rico se apresentou a uma Copa do Mundo. Mas, fora detalhes como vestir a camisa amarela e cantar o Hino..., é o Brasil mesmo o que eles representam? Seus componentes são brasileiros, mas vivem a uma distância segura do PCC. Notícias de mensalão e de máfia das ambulâncias chegam a eles como ecos de um outro mundo. Não por acaso, o grupo se reuniu na Suíça, onde se pode estacionar o carro sem trancar as portas e nunca se registrou um caso de bala perdida. Ali se hospedou no Park Hotel Weggis, sediado numa nobre edificação do século XIX, e fechado para atendê-lo com exclusividade. O ambiente belle époque é o da Montanha Mágica, de Thomas Mann, sem a tuberculose.

Os milhões que hoje em dia giram em volta da seleção brasileira ilustram a evolução do futebol, em tempos de capitalismo e meios de comunicação globalizados. Em sua época, Pelé amealhou fortuna que equivaleria à de um craque de segunda linha hoje. Mas não é bem a riqueza o que empresta um caráter único à seleção de 2006. É antes sua característica de legião estrangeira. Em 2002, dos 23 convocados para a Copa do Japão e da Coréia, os jogadores que atuavam no Brasil ainda eram maioria – treze contra dez. Já estávamos numa fase de exportação maciça de craques, mas ainda assim, e ainda que por pouco, os de casa eram maioria.

Entre os 23 de agora, só dois jogam no Brasil, Rogério Ceni e Ricardinho. Os outros 21 são profissionais acostumados a outras línguas e a outros códigos. Num programa recente, o canal SporTV exibiu Kaká a circular por Milão, conduzindo seu carro e mostrando a cidade para o repórter, a seu lado. A certa altura ele pára diante do Convento de Santa Maria delle Grazie e explica: "É aqui que fica o Cenacolo". Ele disse "Cenacolo", como os italianos, e não "Santa Ceia", como os brasileiros se refeririam à célebre obra de Leonardo da Vinci. Mais adiante, num restaurante, Kaká explicou que todos os cardápios sugerem uma entrada, depois um primo piatto, depois um secondo, mas que não se é obrigado a comer tanto. Por toda parte ele era saudado efusivamente. Movimentava-se pela cidade com a desenvoltura de quem nasceu lá.

A fuga dos jogadores brasileiros para o exterior decorre de circunstâncias em parte inevitáveis e em parte evitáveis. A parte inevitável é a atração de mercados futebolísticos milionários como os da Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha. Mas há bons jogadores brasileiros atuando até na Ucrânia e na Turquia. Isso tem a ver com a parte evitável. Se o futebol brasileiro fosse mais bem administrado, e mais honestamente, os clubes teriam força para defender seus jogadores, pelo menos, do assédio turco ou ucraniano. A soma dos fatores inevitáveis com os evitáveis empurrou o país para a condição de exportador de matéria-prima. Da mesma forma como nos tempos coloniais éramos exportadores de cana-de-açúcar ou de ouro, hoje somos de futebolistas. O Brasil regrediu gostosamente à condição colonial – claro que com grandes lucros para muita gente, senão não seria assim.

Os jogadores são produtos dessa situação. Os mais festejados, como os da seleção, cercados de atenções e do conforto que a boa remuneração proporciona, acabam por se dar tão bem no novo ambiente que o antigo fica lhes parecendo um castigo. Ronaldo já avisou que ao deixar o futebol continuará a viver na Europa. Ele se acostumou, e não agüentaria mais morar no Brasil.

Nada contra, nem ao dinheiro que ganham, nem ao modo de vida. O dinheiro eles têm mais é que ganhar mesmo, estrelas de primeira grandeza de um espetáculo de massa que são. Quanto ao modo de vida, nada mais justo do que, para usar o mais simples dos argumentos, querer viver em lugares onde se circula à noite sem medo e se pode deixar a mãe em casa sem o risco de ela ser seqüestrada, como aconteceu com a mãe de Robinho em Santos. Mas que é estranho ter uma trupe de exilados como seleção, isso é. Eles cantarão o Hino Nacional e serão saudados com bandeiras verde-amarelas, mas para eles o Brasil é uma realidade distante, sem muito a ver com as questões do dia-a-dia.

447) Um novo candidato para presidente, mas ele não corre nenhum risco de ganhar...

Da coluna de Diogo Mainardi, na Veja, edição 1958, 31 de maio de 2006

Diogo Mainardi
Gabeira para presidente

"Ganhar ele não ganha. O que eu espero dele não é isso. O que eu espero dele é
que manifeste toda a minha repulsa por lulistas e oposicionistas"

Fernando Gabeira é meu candidato a presidente. O que falta agora é convencê-lo a se candidatar.

O primeiro contato não foi muito animador. Eu disse que votaria nele. Ele respondeu que só se candidataria se fosse para ganhar. Como assim? Ele quer ganhar? Ganhar ele não ganha. O que eu espero dele não é isso. O que eu espero dele é que manifeste toda a minha repulsa por lulistas e oposicionistas.

Na semana passada, Fernando Gabeira disse que se sentia frustrado "ao ver que os bandidos estão triunfando na vida pública". E concluiu: "Não rolei tanto barranco para entregar o ouro aos bandidos". Claro que rolou. Claro que ele terá de entregar o ouro aos bandidos. Como todos nós. Mas o tom de seu discurso está certo. O que Fernando Gabeira pode oferecer a mim e a um montão de gente como eu, durante a campanha eleitoral, é isso mesmo: um tantinho de teatro e um tantinho de demagogia, chamando sempre os bandidos de bandidos.

Os oposicionistas não entendem por que não conseguiram arrebanhar o eleitorado antilulista. Eles não conseguiram porque o eleitorado não é tonto e sabe perfeitamente que eles não são antilulistas. Como declarou Fernando Gabeira na última quarta-feira, o Congresso foi tomado por quadrilhas. Essas quadrilhas estão acima do interesse partidário ou ideológico. Diante delas, lulistas e oposicionistas se comportam de maneira igual. O caso da empresa do filho de Lula é emblemático. Os oposicionistas tinham a oportunidade de atingir diretamente o presidente, mas preferiram ignorar o assunto, porque suas afinidades com a Telemar acabaram prevalecendo.

Para conquistar o eleitorado antilulista, Fernando Gabeira terá de dar o passo que ele ainda não ousou dar. Ele chamou Severino Cavalcanti de bandido. Ele chamou Ney Suassuna de bandido. Ele chamou Romero Jucá de bandido. Ele chamou Natan Donadon de bandido. Ele só não chamou Lula de bandido. Estou aqui, esperando.

Há também a questão do táxi. Fernando Gabeira lembrou que, em sua campanha para o governo do Rio de Janeiro, em 1986, ele não tinha dinheiro nem para o táxi. Respondi que era melhor ficar sem táxi. Das duas, uma: ou o candidato rouba e toma táxi, ou não rouba e não toma táxi. Fernando Gabeira não rouba. Por isso é meu candidato. Então não pode tomar táxi. Ele concordou comigo.

Fernando Gabeira apoiou Lula na campanha presidencial de 2002. Eu não. Fernando Gabeira foi contra a CPI dos Bingos. Eu não. Fernando Gabeira foi contra a guerra no Iraque. Eu não. Fernando Gabeira se preocupa com o acúmulo de nitrogênio no solo. Eu não. Mas não importa o que ele pensa. Fernando Gabeira é o único político que ainda pode dar algum sentido à disputa eleitoral, representando a recusa de uma parcela do eleitorado em aceitar calada essa bandidagem tão rudimentar.

Eu apóio Fernando Gabeira para presidente. Meu maior temor é que ocorra um acidente e ele seja eleito. Um candidato só é realmente bom se a gente sabe que ele nunca poderá ganhar.

Sábado, Maio 27, 2006

446) Nosso crédito na região está baixando...

Recebido de uma dessas correntes que nunca se sabe como ou onde começam e onde podem terminar (aparentemente elas dão a volta ao mundo e lhe chegam novamente meses depois).
Transcrevo, sem qualquer comentário adicional, a não se o do título: já fomos melhor apreciados na região...

Los Problemas de Brasil.
"Los problemas de Brasil son dos (2):
los externos y los internos.
Los externos son Morales y los internos son Inmorales."

445) Pausa para humor (o do momento...)

Diferenças entre Presídio e Trabalho
(poucas, mas significativas...)

PRESÍDIO
Você passa a maior parte do tempo numa cela 5x6m.
TRABALHO
Você passa a maior parte do tempo numa sala 3x4m.

PRESÍDIO
Você recebe 3 refeições por dia.
TRABALHO
Você só tem uma, no horário de almoço, e tem que pagar por ela.

PRESÍDIO
Você é liberado por bom comportamento.
TRABALHO
Você ganha mais trabalho com bom comportamento.

PRESÍDIO
Um guarda abre e fecha todas as portas para você.
TRABALHO
Você mesmo deve abrir as portas, se não for barrado pela segurança por ter esquecido o crachá.

PRESÍDIO
Você assiste a TV e joga.
TRABALHO
Você é demitido se assistir a TV e jogar.

PRESÍDIO
Você pode receber a visita de amigos e parentes.
TRABALHO
Você não tem nem tempo de lembrar deles.

PRESÍDIO
Todas as despesas são pagas pelos contribuintes, sem seu esforço.
TRABALHO
Você tem que pagar todas as suas despesas e ainda paga impostos e taxas reduzidas de seu salário, que servem para cobrir despesas dos presos...

PRESÍDIO
Algumas vezes aparecem carcereiros sádicos.
TRABALHO
Eles usam um nome específico: Gerente, Diretor, Chefe...

PRESÍDIO
Você tem todo o tempo para ler piadinhas de e-mail.
TRABALHO
Ah, se te pegarem...

Sexta-feira, Maio 26, 2006

444) Imigracao nos EUA: duas leis em 82 anos

Hoje, 26 de maio, meu programinha de "Today in History" indica o seguinte:

1924 President Coolidge signs Immigration law: restricting immigration

Pois hoje, 26 de maio de 2006, o Congresso americano aprovou uma nova lei de imigração, confirmando uma abertura relativa aos milhões de imigrantes que ainda querem fazer a América. Em 1924, 82 dois anos atrás, a intenção era restringir a entrada de "amarelos", ou seja asiáticos (chineses e japoneses). Hoje, os que batem às portas são basicamente latinos...

443) O Iraque no caminho da Argelia?

A Argélia entrou, nos anos 1990, numa vertigem louca de assassinatos gratuitos, motivados por fundamentalismo religioso, ensanguentando o país durante muitos anos, e motivando uma repressão brutal por parte das forças de segurança que deixou cicatrizes até hoje.
A notícia abaixo seria patética, se não fosse terrivelmente triste e dramática:

Tenistas são assassinados por usar bermudas no Iraque

O treinador da equipe iraquiana de tênis, Ahmed Rashid, e os jogadores Nasser Ali Hatem e Wissam Adel Odah foram assassinados a tiros na ontem, em Bagdá, porque estavam usando bermudas, informou hoje o Comitê Olímpico Iraquiano.

26/05/2006

Alguns dias antes, um grupo radical islâmico sunita havia ameaçado os homens iraquianos que usassem calças curtas nas ruas. Testemunhas disseram que os jogadores foram atacados quando deixavam, de carro, uma lavanderia.
"Dois deles levaram os tiros quando forçados a sair do automóvel e o outro foi assassinado dentro do veículo. Eles levaram o carro, depois de tirar o cadáver", disse uma testemunha que não quis identificar-se.
Hoje, atentados contra mercados em Bagdá mataram pelo menos 18 pessoas e feriram mais de 60. Também na capital, um grupo armado invadiu ontem uma festa de casamento e seqüestrou o noivo, dois de seus parentes e um convidado. Os corpos, decapitados, foram achados hoje numa área rural da cidade.

442) Uma entrevista com Adam Smith, himself...

Prospect Magazine (UK, nb. 123, June 2006)
link: http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=7484

Interview: Adam Smith
by Iain McLean
The author of the Wealth of Nations, back in Glasgow for a university fundraiser, has some surprising ideas on international development, taxation and the role of the state
Iain McLean's book Adam Smith: Radical and Egalitarian, which includes a foreword by Gordon Brown, will be published by Edinburgh University Press on 15th June 2006

The scene is a fundraising event in Glasgow University. The canapés and conversation are flowing freely in the Hunterian Museum. The dean of the faculty of social sciences is talking to Adam Smith (professor of logic 1751-52; of moral philosophy 1752-64). Iain McLean is eavesdropping behind a display case, which houses the model Newcomen engine that James Watt (mathematical instrument-maker in the department of natural philosophy, 1757-64), was asked to repair.


Dean: Welcome Dr Smith! We are always pleased to see our distinguished former staff returning. Indeed, we are so proud of you that we have named one of our buildings the Adam Smith Building…

Adam Smith (AS): I’ve seen it. A pity my boyhood friend Dr Robert Adam, of Kirkcaldy, did not build it. He designed the main Quadrangle of the College of Edinburgh.

Dean: Yes, well, you know, funding councils, cost limits…. (Brightly, pointing to the display case) But have you seen this? This was the engine that Dr Black asked Mr Watt to repair. Mr Watt found out that the design was faulty; Dr Black applied the theory of latent heat; Mr Watt invented the separate condenser—and the rest is history.

AS Indeed. Dr Black was one of my dearest and most trusted friends. I asked him to destroy all my manuscripts on my death. And Mr Watt was a most ingenious Mechanick. In my History of Astronomy, which was one of the few relics I authoris’d Dr Black and Dr Hutton to publish after my demise, I wrote that all of philosophy follows from wonder, surprise, and admiration. So it is as much with the Theory of Moral Sentiments of which I wrote, as with the Natural Philosophy which Mr Watt practised.

Dean. Yes, such a shame we couldn’t enter James Watt in the Research Assessment Exercise (RAE). Trouble is, we hadn’t sorted out intellectual property in those days and we let him set up his own spinoff company. Boulton & Watt. It should have been Glasgow University Innovation Ltd. And, of course, strictly speaking he was a lab technician, not a member of the academic staff.

AS But Mr Watt was an ornament of our Scotch system of education. I had much to say of its Superiority to the English. I was six Years in Oxford: to what end? In the university of Oxford, the greater part of the publick professors have, for these many years, given up even the pretence of teaching. In the Scotch universities, the publick professors took a fee from their students. That requires the professors to attend to their duties, and to instruct the young. In Scotland the establishment of the parish schools has taught almost the whole common people to read, and a very great proportion of them to write and account. In England, ‘tis not universally so. Mr Watt attended the grammar school at Greenock, as I attended the burgh school in Kirkcaldy….

Dean But as we were speaking of the RAE, forgive me a rather delicate question. You wrote two distinguished books: the Theory of Moral Sentiments and the Wealth of Nations. But why only two? Why did you never publish your theory of jurisprudence?

AS In my private Lectures on Rhetoric and Belles-Lettres, I attempted to lay down the principles of good English style. Like my friend Mr David Hume, I view’d the style of the Scots, before our Union of the Year 1707, as somewhat uncouth, and I advocated a clear and correct English style. My work was slow because it underwent many careful revisions. Indeed I fear it is too subtle for some. In my Moral Sentiments I wrote that the rich are led by an invisible hand to make nearly the same distribution of the necessaries of life, which would have been made, had the earth been divided into equal portions among all its inhabitants, and thus without intending it to advance the interest of the society. Now, some have held this “invisible hand” to be the epicentre of my system, when ‘twas but a passing remark. I expected my readers to understand it as a reference to such Satire as Mr Mandeville’s Fable of the Bees. But some of my readers, it seems, are more solemn than I.

Dean But what about the Theory of Jurisprudence?

AS. There I confess to some caution. You recall that in the year 1776, there was a revolt among our American Colonists; which, being mishandled, led to their departure from the Empire. Shortly afterwards followed the events in France, that were proceeding as I rewrote my Moral Sentiments in 1790. Some in Scotland fear’d that a great and riotous Democracy was breaking out in France, which they blamed on the principles of the inoffensive political economist M Turgot (whom I knew) and his followers such as the eminent Marquis de Condorcet and others. Should I be associated with these principles, I might suffer as did my friend Mr Dugald Stewart. Mr Stewart found Lord Craig—one of our Lords of the Court of Session in Scotland—most overbearing. When Mr Muir of Huntershill was transported to Botany Bay for 14 years for espousing the principles of my work, my lord Craig forced the inoffensive Mr Stewart to recant publickly of his approval of the M. de Condorcet, &c. When Mr Stewart read an account of my life to the honourable the Royal Society of Edinburgh, he was at pains to stress my blameless and conventional opinions. From that seed grew all subsequent estimates of me. They misread my Wealth of Nations, failed to read my Moral Sentiments, and knew nothing of my Jurisprudence.

My Jurisprudence sought to establish the first principles of government. My private Opinions were of a more radical cast than those I suffer’d to be publish’d—in matters of religion and of the colonists of America. So I instructed Dr Black and Dr Hutton that my Lectures on Jurisprudence were to be burnt on my demise.

Dean Dr Smith, let me surprise you. They were not destroyed as you thought. Two of your students took copious notes. One set was rediscovered in 1895, and another in 1958. They relate to the course as you gave it in two successive years. By comparing the two, we know that you said the same things, although in a different order, in these two years. I knew all along what your Jurisprudence says. It helps to show that the private Adam Smith indeed differed from the ultra-respectable anti-revolutionary portrayed by Dugald Stewart and by all other biographers until recently.

AS Wonder, surprise, and admiration indeed! Well, I am now beyond the reach of those who attacked my Eulogy of Mr Hume. A single, and as I thought a very harmless Sheet of paper, which I happened to Write concerning the death of our late friend Mr Hume, brought upon me ten times more abuse than the very violent attack I had made upon the whole commercial system of Great Britain. I had but reported that Mr Hume died as noble a death as Socrates, yet that he took comfort not from the ministers of the Kirk but from Lucian’s Dialogues of the Dead. Can you then wonder that I was so circumspect in matters of religion and of the foundations of government? In my circumspection I differ’d greatly from Mr Hume; in my principles I differ’d little.

Dean And yet you have good things to say of the presbyterian churches. In the Wealth of Nations you say, “There is scarce perhaps to be found any where in Europe a more learned, decent, independent, and respectable set of men, than the greater part of the presbyterian clergy of Holland, Geneva, Switzerland, and Scotland.”

AS Sir, I said “the greater part.” I pointed out that the universities of Scotland, a land where the church has but modest revenues, are filled with the most eminent men of letters; those in a land where the church has very great wealth, are not (of course I meant Oxford, but left that to be inferr’d by the subtle Reader). I believe that the Church of Scotland brought great good to the government, if not to the religion, of our country. Mr Andrew Melvill, the author of our Second Book of Discipline, in the year 1596 told King James VI that he was but “God's sillie vassall.” In the kingdom of “Chryst Jesus the King, whase subject King James the Saxt is,” there were no lords or heads, but only members. The establish’d Kirk in Scotland, and its counterparts in Holland, Geneva, &c, teach that all are equal in the sight of God. We have no Bishops, and His Majesty the King is not the Supreme Governor of our Kirk. The equality of all mankind is a sound basis of Government.

In my Moral Sentiments, I seek a grounding for morality in sympathy. By that I do not mean that all men sympathise with one another: ‘tis patent that they do not. I mean that, in order to understand what a moral sentiment is, a man must be capable of understanding the world as it appears to another.

Dean Then you’d love The Curious Incident of the Dog in the Night Time. The author brilliantly sees the world through the eyes of someone who is incapable of seeing the world through the eyes of anyone else.

AS I dare say. In my time, Mr Robt. Burns expressed it in the Vernacular. I never met him, but sought for him a task, as Salt Officer at 30L per annum, to support his literary endeavours. Have you read his poem in the Scottish dialect, “To a Louse”? After insulting the Louse for many lines, he turns of a sudden, and in a chang’d style he says, O wad some Pow’r the giftie gie us / To see oursels as ithers see us! / It wad frae monie a blunder free us / An’ foolish notion. Mr Burns had well studied my Moral Sentiments.

Dean But some say that the Moral Sentiments and the Wealth of Nations are incompatible: that the first postulates a world based on sympathy; the second, a world based on self-interest. Our chancellor of the exchequer, Gordon Brown—a Kirkcaldian like yourself, you know—has recently extolled your work in many speeches. He said that surely your two books are compatible, and that those who saw you as an apologist for ruthless capitalism were just mistaken.

AS My work is all of a piece. But what is this “capitalism”?

Dean Herr Dr Karl Marx, of Trier, believed that capitalism was evil, because owners of capital stole all the value created by labour beyond the minimum needed to keep the labourer alive; and that the effect of repetitive manual work—such as the pin factory you describe in the Wealth of Nations—deadened the imagination. He called that alienation. But he believed that in time those labourers would unite to overthrow capitalism in favour of socialism…

AS Socialism—pray, what is that?

Dean For Marx, it was a world in which to each according to his needs, from each according to his ability. Marx had quite a high regard for your work, by the way. He believed that his work on the labour theory of value built on your foundations.

AS Ah, that was the most uncertain part of my book. I fear I express’d myself unclearly. But I spoke very clearly of this alienation tho’ I did not use that word. ‘Twas I who said that the hands in the pin factory, tho' they be richer than their grandfathers who made everything they needed at home, might find their minds stunted by the monotony of their work. So it is right that they should be taught in publick Schools, not only to read and account, but also to a broader Understanding. And as to the masters stealing from their men, I observ’d, that when the magistrates make orders for the regulation of Wages, or the settlement of the poor, their instructors are always the masters and never the men. But, pray, how did Herr Dr Marx say that needs were to be assessed; and how would he discipline such as failed to deliver according to their ability? The publick professors of Oxford are no doubt able men.

Dean Not my field I’m afraid. We used to have professors of Marxist economics who could have answered that for you. Marxist economics were very popular in the 1930s, when we had massive unemployment here on Clydeside. Then along came John Maynard Keynes with another answer. He argued that the government should stimulate the economy during a depression by spending on public works….

AS Publick works! A road to let the people of Glasgow reach Edinburgh with expedition would be fine, but persons of Quality sometimes prefer the Ornamentall to the Usefull. I observ’d in my book, that many great works are done for the Ostentation and Pride of them that pay for them: which is well if they pay out of their own pockets, but not if they pay out of others’. The late Duke of Marlborough was rewarded for his Victories, by the grant to him of Blenheim-Palace near Oxford. I hear it has a great Bridge which goes from nowhere to nowhere; if paid for by his Grace, well and good, but I fear it was funded from the Taxes and Imposts of Great Britain. I wonder how Mr Keynes would ascertain, whether publick Works were truly for the Publick, or for those who ordered them at the expence of the Publick?

Dean But surely you approve of some public works—for instance, supporting the infrastructure of the poorest communities—such as the Highlands of Scotland or tropical Africa. The prominent economist Jeffrey Sachs has pointed out that India, which has recently started to grow rapidly, has a legacy of good railways and acceptable roads from the days when it was ruled by the British, but most of Africa has not. He wants aid donors to choose six well-governed countries in Africa, and focus infrastructural aid on those countries.

AS Misplac’d Benevolence, tho’ it do not harm, may do no good either. A young man, Mr Wilberforce, who is very warm in opposition to the detestable, and inefficient, practice of Slavery in our Colonies, requested my support for a Scheme to relieve the destitution of the Highlands by a Society to promote the Fisheries there. I told him that the scheme would likely result in the total loss of the Promoters’ money; but at least it was their own money, not drawn from the publick Coffers.

Dean Well, the governments of the world used to support big dams and airports in Africa, but now they go on about much more intangible things like “good government.” It all makes me a bit uneasy. Some people call it the “Washington consensus.” I would rather they just forgave all the unrepayable debts of African governments.

AS But good government is the foundation of opulence. Bad government is, as I said in my book, a conspiracy of shopkeepers against their customers. I should be loath to relieve the debts of bad governments, lest they incur more, unless we could bind them with promises of amendment. And as to the debts of private parties, it is not for the Magistrate to meddle. The rules of prudence caution each (as Mr Hume said) to suppose that each other is a knave in his private business.

Dean Do you mean that we should turn our backs on the poor of Africa? Especially when some people say that it is free trade that has caused their poverty?

AS How free trade can cause poverty, I know not. If trade be free, then no trader has any motive to trade, save that he thinks the trade will make him better off. In a free trade, an effectual combination cannot be established but by the unanimous consent of every single trader, and it cannot last longer than every single trader continues of the same mind. But trade with Africa, the Indies, &c, was no wise free in my day. The whole commercial system of Great Britain depended on the license given to the East India Company to hold a monopoly of trade to our Colonies, both tropical and temperate. That enriched the monopolists, and impoverished all other parties. Do the people of Africa yet suffer from monopolists?

Dean Gordon Brown is one of those who say that they do. The rich countries of the world subsidise their agriculture so heavily that the market is rigged against Africa. The US spends more in subsidising its own cotton producers than on aid to Africa; Japan subsidises home rice production; Europe subsidises a wide range of farm produce.

AS Are they produced cheaper and better there than in Africa? If so, they need no subsidy; if not, then subsidy is waste. By means of glasses, hotbeds and hotwalls, very good grapes can be raised in Scotland, and very good wine too can be made of them at about 30 times the expence for which at least equally good can be bought from foreign countries. Would it be a reasonable law to prohibit the importation of all foreign wines, merely to encourage the making of claret and burgundy in Scotland? Or cotton in the American Colonies, or rice in Japan?

Dean But when you say that the government should not meddle in private affairs, isn’t that an endorsement of ruthless capitalism, whether of companies trading abroad or at home?

AS But what is this “government”? It is not from the benevolence of the butcher, the brewer, or the baker, that we expect our dinner, but from their regard to their own interest. Likewise, we should not rely on the benevolence of the government for our dinner. Government, in Great Britain, is but the private interest of landowners, and of corporations of merchants. People of the same trade seldom meet together, even for merriment and diversion, but the conversation ends in a conspiracy against the publick, or in some contrivance to raise prices.

Dean You sound so 20th century. This is the theory of rent-seeking, no less, although that phrase was not invented till 1974. You are saying that markets should allocate most goods, because they do so more efficiently and fairly than governments, but that government should intervene when the market fails…

AS Yes, I do not say that government should not enter the lives of the people. The first necessity, is to provide for the Defence of the people. The second, is for publick Works, and publick Institutions. However, it does not seem necessary that the expence of those publick works should be defrayed from the publick revenue. The greater part of them, as a highway, a bridge, or a navigable canal, may easily be managed, so as to afford a particular revenue sufficient for defraying their own expence, without bringing any burden upon the general revenue of the society.

Dean The more we talk, the more you sound like our New Labour government—especially Gordon Brown! You are speaking now of what we call the provision of public goods in the face of market failure—but of public provision by means of a private finance initiative. Brown endorsed this, with sidelong references to you, when he lectured to the Social Market Foundation a couple of years ago.

AS The Social Market Foundation—I like that name. It respects both the theory of moral sentiments and the origins of the wealth of nations.

Dean I’m coming to think that we have gone 200 years without understanding what you wrote. The age of laissez-faire…

AS I never used that phrase, but I heard it in Toulouse—coined by one of the Associates of M Turgot.

Dean Well, you have always been hailed as its apostle—for free trade and limited government. That world ended in 1914, and seemed dead until Mrs Thatcher tried to revive it in 1979.

AS Did she study my Work?

Dean She once said “the Scots invented Thatcherism.” I think she meant you, not David Hume. But I don’t think she read your Moral Sentiments. She also once said “there is no such thing as society.” Her allies founded the Adam Smith Institute to promote your ideas. Let me show you their website—I will explain later how our modern Mr Watts have made such a thing. They quote you as saying: “Little else is requisite to carry a state to the highest degree of opulence from the lowest barbarism, but peace, easy taxes, and a tolerable administration of justice; all the rest being brought about by the natural course of things.”

AS But that was in the Year 1755, before I first wrought my three books. “All the rest” is much too strong, as you may see from my remarks on government in my Jurisprudence and Wealth of Nations. And “easy taxes” does not mean the same as “low taxes.” I set out some maxims of taxation….

Dean I know. Gordon Brown said he had them before him as he prepared his 2002 budget.

AS … which say that taxes must be easy to collect and not arbitrary. They also say that the subjects of every state ought to contribute towards the support of the government, as nearly as possible, in proportion to their respective abilities; that is, in proportion to the revenue which they respectively enjoy under the protection of the state. As the protection of the state is equally available to all, and the rich enjoy more revenue than the poor, it follows that the rich must pay more tax than the poor. Especially should those who receive ground rent pay, as that receipt owes nothing to either their Ability or their Industry, and everything to the protection of the state.

Dean I had no idea that you favoured “progressive” taxation, where the rich, or some of them, should pay a higher proportion of their income in tax than the poor. That puts you on what we now call the political “left,” not the “right” of Mrs Thatcher and the Adam Smith Institute.

AS So the Opposition was truer to my Ideas, than the Ministry of Mrs Thatcher?

Dean I’m afraid not, or not till recently. You see, everybody believed Dugald Stewart’s picture of you: that you were a friend of the established authorities, and just asked for business to be let alone.

AS That is wondrous indeed: did they not understand my sarcastick comments about a government influenced by shopkeepers?

Dean Unfortunately, your remarks have been garbled by inaccurate repetition—and most people think Napoleon Bonaparte said it, not you. The Opposition to Mrs Thatcher was the Labour party. They are now in government.

AS I hope they understood that I am a warmer friend of the Artisan than of the Merchant or of the Landowner.

Dean Unfortunately, no. They believed in extensive government ownership of industry, and in a planned economy—that is what they sometimes called “socialism” and sometimes “Keynesianism.” These ideas came partly from your selective admirer Dr Marx, but more from the observed failure of capitalism in the 1930s, when unemployment soared.

AS Because of a contrivance to raise prices or a conspiracy against the public?

Dean In a way, yes. The stock market crashed in 1929 but the real damage came later, when governments in all the industrial countries tried to protect their domestic industry from the slump by excluding imports. That made the slump much worse. Governments are still at it—the French government is doing it right now. It is protecting vital national industries such as gas, aeroplanes and yoghurt.

AS Ah, the policy of M Colbert, so roundly denounced by M Turgot. Is M Turgot as little honoured in his land as I in mine?

Dean Perhaps. When one side cries “protection” and the other cries “socialism,” neither is paying much attention to you.

AS The Labour Party of which you speak—are they still for this “socialism”?

Dean The prime minister, Tony Blair, never speaks of it. Brown quite often does. When they were in opposition, Blair agreed to give Brown a free hand over the economy. Some say he promised to hand over to Brown within ten years. His friends deny that. But he has promised to resign before the next election.

AS But if ‘tis common knowledge that he will go, assuredly he must be as powerless as my Lord North after the loss of the American Colonies, when power trickled down to my friend Mr Wedderburn, whom I advised.

Dean Maybe, but Mr Brown has many enemies in his own party. He has done much that they all like. He has given independence to the Bank of England…

AS But banks can be wondrous imprudent, as the Ayr Bank, of whose collapse in 1772 I wrote at length…

Dean …I am sure that Gordon “Prudence” Brown knows that. So far, his bank regulation, and his prudent fiscal rules, have worked very well.

AS Why then do his own partisans mislike him?

Dean Some hark back to “tax and spend” socialism and complain about his niggardly attitude to benefits, and his refusal to recreate the nationalised industries of the past.

AS But, as I wrote, publick Works and Institutions should be in the hands of those with a motive to provide ‘em efficiently.

Dean Mr Brown agrees with that, but his followers in the trade unions—the “combinations” of your day—don’t like it. Also, some say that he has forgotten his Adam Smith.

AS How so?

Dean He has fallen out with Lord Turner, who suggested a national savings scheme to finance future pensions—that is, provision for the aged poor. Lord Turner believes in raising universal benefits. Mr Brown says that is expensive and unaffordable, and prefers to support the poor by targeted benefits.

AS But if the poor know that they will be paid whether they save or no, they will not save. The professors of Oxford, who were paid whether they taught or no, did not teach. The professors of Glasgow, who were paid only if they taught, taught well.

Dean That is Lord Turner’s objection. He may be truer to you than Mr Brown. But I assure you, you would get on very well with Mr Brown. He comes from your town and he agrees with you about plain clothes. Do you know, he refuses to dress up for the Lord Mayor’s banquet?

AS Kirkcaldy is a plain place, where luxury may benefit the artisan, but confers no grandeur on the wearer. Mr Burns, the Exciseman from Dumfries, was a warmer enthusiast than I for the late events in France. But I think well of his poem, with its fine tune. What though on hamely fare we dine…

Dean Wear hoddin grey, an’ a’ that…

Both Gie fools their silks, and knaves their wine / A man’s a man for a’ that.

They go out arm in arm, singing Burns’s poem. Some prosperous alumni look at them in bemusement over their half-empty glasses of wine.

Quinta-feira, Maio 25, 2006

441) Brevíssimo itinerário das Relações Internacionais enquanto disciplina acadêmica

Ofereço uma interpretação pessoal de como vejo a evolução conceitual das relações internacionais enquanto disciplina acadêmica ao longo do século XX. Trata-se, tão somente, de um simples rascunho, ou de um “outline”, com os principais “headlines” dos temas que me parecem devam ser estudados pelos especialistas nessa área. Para desenvolvimento futuro, assim que possível...

1) Pré-história: Da política de poder ao poder da política (1919-1939
Trabalhos pioneiros a partir do impacto das propostas wilsonianas sobre o sistema internacional, rompendo a visão tradicional da política de poder tal como praticada pelas potências européias.
Destaque acadêmico a ser dado ao trabalho de Edward Carr, Twenty Year’s Crisis

2) Emergência da disciplina: Refletindo as realidades da Guerra Fria (1945-1962)
Definição das grandes linhas de pensamento estratégico, segundo a escola realista de relações internacionais.
Obra definidora: Hans Morgenthau: Politics Among Nations

3) Afirmação e triunfo: A batalha entre realistas e institucionalistas (1962 até hoje)
Refinamento teórico, desenvolvimentos metodológicos e divisão entre escolas de pensamento, com aprofundamento das análises segundo linhas dotadas de maior rigor metodológico com os fundamentos empíricos da análise em RI
Obras muito diversas e importantes, com destaque para os neo-realistas e outros representantes do velho e novo institucionalismo (Kehoane, Nye, etc)

4) Disseminação na periferia: convertidos e produtores no Brasil (das origens até hoje)
Estudos sobre desenvolvimento econômico e elaboração de teorias sobre a dependência na América Latina, com base na produção original de Raul Prebisch. Teoria da dependência (FHC. Theotônio dos Santos), sub-imperialismo brasileiro (Ruy Mauro Marini) e a construção de diferentes correntes de pesquisa, que não chegam até o momento a conformar escolas de pensamento; existem esforços interpretativos e construções independentes, com destaque para vários acadêmicos trabalhando de forma autônoma, sem modelos teóricos muito bem determinados.
Obras vem sendo acumuladas entre acadêmicos e profissionais da diplomacia, principalmente nos grandes centros de produção: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e alguns outros centros...

5) Hegemonismo e anarquia internacional: uma transição para o quê, mesmo? (hoje)
Tendências unilateralistas e neoimperialistas, com acadêmicos justificando o unilateralismo e a arrogância imperiais, como obras úteis para a estabilização e a paz no mundo; o Brasil também tenta se inserir nesse mundo, mas o suporte teórico não está muito claro, com acadêmicos do pensamento nacionalista tradicional dando suporte teórico aos novos praticantes da diplomacia.
Obras emblemáticas de: Niall Ferguson e Francis Fukuyama.

Paulo Roberto de Almeida
(www.pralmeida.org)
Brasília, 25 de maio de 2006

Quarta-feira, Maio 24, 2006

440) O "fome zero" da equipe canarinho...

Acho que ele tem razão...

Da coluna de No Mínimo, 24 de maio de 2006:
Guilherme Fiuza

Adeus, hexa
O jogador tem que ir na bola como quem vai num prato de comida, dizia João Saldanha. A seleção brasileira vai à Copa empanturrada, rica e entediada, falando em “dar espetáculo”. Está pronta para a derrota.

439) Terceirizando Mister Chavez para o cinema?: outra boa ideia...

Do site da revista Foreign Policy, em 23 de maio de 2006:

And Starring Hugo Chavez as Himself

Yesterday, Venezuelan President Hugo Chavez announced that he has given his approval to the production of a film by Oliver Stone documenting the events of the 2002 coup that briefly deposed him from power.

Stone, no stranger to the political film, has taken on such controversial figures as Fidel Castro, Yasir Arafat, and Richard Nixon and intense political events as JFK’s assassination and the World Trade Center attacks (upcoming).

In the past Stone has also produced chilling accounts of the corrupting effects of power, including Wall Street and Scarface (screenplay), but given Stone’s political leanings and sympathetic stance toward leftist politicos (as well as Chavez's conditional stamp of approval), viewers are likely to see narrative that glorifies Chavismo and discredits his opponents. The real question is whether the film will be more Viva Zapata! or telenovela.

UPDATE: Stone says Chavez is full of bull and that he has no such plans for a movie.

438) Terceirizando Mister Bush (uma boa ideia...)

Eu também acho que seria mais prático, e mais barato, terceirizar a presidência dos EUA, sobretudo nas condições atuais: um tremendo déficit orçamentário, uma irresponsabilidade fiscal a toda prova, uma incapacidade de definir uma agenda coerente de política externa e, sobretudo, uma tremenda dificuldade em compreender o mundo...

OUTSOURCING, THE ULTIMATE SOLUTION

Congress today announced that the office of President of the United States of America will be outsourced to India as of May 26th, 2006.

The move is being made to save the President's $500,000 yearly salary, and also a record $521 trillion in deficit expenditures and related overhead the office has incurred during the last 5 years.

"We believe this is a wise move financially. The cost savings should be significant," stated Congressman Thomas Reynolds (R-WA). Reynolds, with the aid of the Government Accounting Office, has studied outsourcing of American jobs extensively. "We cannot expect to remain competitive on the world stage with the current level of cash outlay," Reynolds noted.

Mr. Bush was informed by email this morning of his termination. Preparations for the job move have been underway for sometime.

Gurvinder Singh of IndusTeleservices, Mumbai, India will be assuming the office of President as of June 1, 2006. Mr. Singh was born in the United States while his Indian parents were vacationing at Niagara Falls, thus making him eligible for the position.

He will receive a salary of $320 (USD) a month but with no health coverage or other benefits. It is believed that Mr. Singh will be able to handle his job responsibilities without a support staff due to the time difference between the US and India, he will be working primarily at night, when few offices of the US Government will be open. "Working nights will allow me to keep my day job at the Dell Computer Call Center," stated Mr. Singh in an exclusive interview. "I am excited about this position. I always hoped I would be President."

A Congressional spokesperson noted that while Mr. Singh may not be fully aware of all the issues involved in the office of President, this should not be a problem because Bush was not familiar with the issues either.

Mr. Singh will rely upon a script tree that will enable him to respond effectively to most topics of concern. Using these canned responses, he can address common concerns without having to understand the underlying issues at all.

"We know these scripting tools work," stated the spokesperson. "President Bush has used them successfully for years."

Bush will receive health coverage, expenses, and salary until his final day of employment. Following a two week waiting period, he will be eligible for $140 a week unemployment for 13 weeks. Unfortunately he will not be eligible for Medicaid, as his unemployment benefits will exceed the allowed limit.

Mr. Bush has been provided the outplacement services of Manpower Inc. to help him write a resume and prepare for his up coming job transition.

Terça-feira, Maio 23, 2006

437) Relacoes da China com a America Latina

China's Relations with Latin America: Shared Gains, Asymmetric Hopes

On behalf of the Inter-American Dialogue, we are pleased to issue this new and comprehensive analysis of "China's Relations with Latin America: Shared Gains, Asymmetric Hopes," authored by a team led by professor Jorge I. Domínguez of Harvard University's Weatherhead Center for International Affairs. In this policy brief, Domínguez and his colleagues examine how China's role in the Americas has evolved over the decades, with a special emphasis on its bilateral ties with such key countries in the region as Brazil, Argentina, Chile, Mexico, Venezuela, and Cuba. China's increasing role in Latin America and the Caribbean has emerged as a central topic of interest for analysts, government officials, and corporate leaders engaged in Western Hemisphere affairs. Chinese presence and influence in Latin America has expanded rapidly during the past several years, and the region's leaders are seeking to better understand the challenges and opportunities presented by China as it assumes a new role as a rising global power. We will look forward to your reactions to the information and analysis presented in this report.

The original manuscript of this article was written at the request of Japan's Ministry of Foreign Affairs, and we are pleased to recognize its financial support for this project.

Please follow this link to view the report http://www.thedialogue.org/publications/2006/summer/china.pdf

Sincerely,

Peter Hakim, President
Dan Erikson, Senior Associate

Segunda-feira, Maio 22, 2006

436) Nascimento de um novo Estado: o Montenegro (os Balcans voltam a ser balcanicos...)

O Montenegro já foi uma nação independente, tendo sido depois unido ao reino dos sérvios e dos croatas, passando depois a constituir a República Federativa Socialista da Iugoslávia.
Depois do desmembramento desta última, o Montenegro ficou fazendo parte da federação da Sérvia e do Montenegro, que foi o que restou da antiga Iugoslávia, depois das secessões, mais ou menos traumáticas, da Eslovênia, da Croácia, da Macedônia e da Bósnia (dividida ainda segundo as linhas geograficas que separam as três principais comunidades, croatas, sérvios e "bosníacos", isto é, eslavos islamizados, com sua capital sofrida Sarajevo).
Agora é o Montenegro que se vai.
A Sérvia ainda conta com as províncias da Vojvodina, ao norte de Belgrado (depois do Danubio), com grande presença de magiares, isto é, húngaros, e com a província rebelde (e formalmente autônoma) do Kossovo, o berço do nacionalismo e da história sérvia, mas que hoje tem uma população majoritariamente albanesa e islâmica, o que obviamente não facilita as coisas.
Ou seja, em pouco mais de cem anos de história, os "Balcãs" voltaram a justificar o adjetivo geopolítico: ficaram novamente "balcânicos"...

Pro-Independence Movement Leads in Montenegro
By NICHOLAS WOOD
The New York Times, May 22, 2006

PODGORICA, Montenegro, Monday, May 22 — Voters in this small Balkan state decided in a referendum on Sunday to end their union with Serbia, according to results released by independent monitoring groups. If the official tallies later Monday confirm the results, the vote will break up all that remains of the Communist-era Yugoslavia.

The result was seen as a victory for supporters of Prime Minister Milo Djukanovic, who has led the drive for independence since 1997. But the announcement, which prompted celebrations throughout Podgorica, the capital, and surrounding areas, suggested that the margin was narrow.
The figures were released by two independent monitoring groups from the region, the Center for Monitoring and the Center for Free Elections and Democracy, based on results compiled in all 1,100 polling places. The groups stated that the measure had been carried, with 55.5 percent of the votes counted in favor of independence.
Under rules negotiated with the European Union, Montenegro's government agreed that it would have to win at least 55 percent of the vote for independence to be internationally recognized. The first official results were not expected until late Monday morning.
Despite the lack of official confirmation, thousands of independence supporters took to the streets, waving flags and signs. Fireworks and celebratory gunfire could be heard across the capital. Initial partial results gave the secessionist block a greater margin of victory, at 56.3 percent, but as the evening wore on that figure was gradually reduced and some of the celebrations became more muted.
In the euphoria, Mr. Djukanovic sought to unite Montenegrins after what had been a divisive campaign. "We have the right to celebrate in a dignified manner," he told a victory rally outside the main government building in Podgorica. But he said that nobody should be seen as winners after the vote. "This should be a comfortable home for everybody who lives in Montenegro," he said.
The leader of the pro-union opposition, Pedgrad Bulatovic, contested suggestions that the government had won, saying it was too early to draw a final conclusion about the vote.
Groups of young Serbian men gathered outside Mr. Bulatovic's headquarters in the city center, jeering as the referendum results were announced. "They are lying, lying, lying," they chanted, hurling abuse when pro-independence supporters drove by waving the Montenegrin flag. At least a third of Montenegro's 650,000 people are Serbs.
But the monitoring groups that provided the results said that they had counted 99.8 percent of the votes and that it was highly unlikely that the margin in favor of independence would be any lower in the final official results.
If the results are confirmed, Montenegro would be the last of the former Yugoslav republics to cut ties with Serbia, 15 years after the breakup began. Slovenia, Croatia, and Bosnia fought wars with Serbia in order to break away. Macedonia seceded in 1991 without any conflict.
Montenegro's secession would end what has become an increasingly fractious federation with Serbia, kept together by pressure from the European Union. Since 1997, Montenegro has sought to distance itself from the federal government in Belgrade, creating its own customs regime and paramilitary police. It has also dropped the Yugoslav currency, the dinar, and adopted the euro.
While diplomats and analysts here said the referendum would finally establish a clearer relationship between Serbia and Montenegro, the "yes" vote is also viewed as a personal blow to Serbia's nationalist prime minister, Vojislav Kostunica, at a critical time.
"Psychologically it is important for Serbia to stop the process of everybody seceding from Serbia," said Bratislav Grubacic, a political analyst and director of the VIP independent news agency, based in Belgrade. "This weakens Kostunica's position on Kosovo," he said, referring to the United Nations-run region that is still formally a province of Serbia, but that is thought likely by international officials to gain independence by the end of the year.
For supporters of Montenegrin independence, the results, however narrow, are the fruition of a decade-long struggle to enable Montenegro to reclaim its status from 1878 to 1918, when it was a republic and an internationally recognized state.
"This is a great day for the citizens of Montenegro to regain independence after 88 years," said Ljubomir Djurkovic, a theater director from Centinje, a picturesque, pro-independence town to the west of Podgorica. He said he planned mark the occasion by visiting the graves of his father and grandfather — men who spent their lives hoping for an independent state, he said, but who did not live to see it.

435) O paradigma vestfaliano: um excelente artigo


The Swearing of the Oath of Ratification of the Treaty of Münster
Pintor: Gerard Ter Borch, 1648
National Gallery, Londres

Gostaria de recomendar a leitura do excelente artigo que acaba de me ser enviado pelo professor de direito da Universidade Federal da Paraiba e doutorando em Coimbra, Marcílio Toscano Franca Filho, também Procurador do Ministério Público junto ao TCE/Paraíba e Legal Adviser da Missão da ONU para o Timor Leste.
Seu artigo, publicado na Revista de Estudios Politicos, do Centro de Estudios Politicos e Constitucionales de Madrid, trata da atualidade do paradigma estatal nascido nos Tratados de Paz de Westphalia (1648) e procura unir Direito, Relações Internacionais e Arte.
Faz parte integral do artigo o quadro acima reproduzido, mencionado pelo autor nas conclusões do artigo.

As referências completas para esse artigo são:

"História y Razón del Paradigma Westfaliano"
Revista de Estudios Politicos (Madrid: nueva época; nº 131, enero-marzo 2006, p. 87-11; ISSN: 0048-7694).

Consulte o artigo neste link:
http://www.pralmeida.org/06LinksColabor/MarcilioToscanoVestfalia.pdf

434) Diplomatas de pijama (nem por isso menos ativos...)

A ofensiva dos embaixadores
Jornal do Brasil, 21/05/2006

Eles têm em comum uma série de características: são profissionais experientes, competentes e de prestígio, não se filiam a partidos, trabalharam em diferentes governos, prestaram relevantes serviços ao país e, embora hoje aposentados, mantêm uma permanente atitude de respeito à casa de origem, em que se formaram e e à qual serviram por décadas: o Itamaraty.
De uns tempos para cá, esses embaixadores - pois é deles que se trata - passaram a exibir também um comportamento público similar: todos têm críticas à condução trapalhona da política externa do governo Lula.
0 recente passa-moleque do presidente boliviano Evo Morales, que estatizou as jazidas e a indústria de petróleo e gás do país e, pelo menos no momento inicial, deu uma banana à Petrobras e hostilizou abertamente o governo brasileiro, serviu como uma espécie de estopim. Então vieram à tona as opiniões desses respeitados diplomatas sobre os sucessivos tropeços da política externa de Lula em palestras - principalmente a empresários -, artigos e entrevistas.
Nessas ocasiões, vêm sendo objeto da atenção desses venerandos diplomatas, entre outros, os seguintes tópicos:
1) O esfarelamento do Mercosul, com a Argentina e o Uruguai se digladiando por causa da construção de duas fábricas de papel às margens do rio Uruguai, que Buenos Aires considera prejudicial à qualidade de águas compartilhadas, o Paraguai empreendendo uma aproximação militar com os Estados Unidos e o Uruguai pretendendo assinar acordo comercial em separado com Washington;
2) A falta de prioridade e o descuido na condução das relações estratégicas com a Argentina, que estariam em seu pior nível desde que, nos anos 80, os presidentes José Sarney e Raul Alfonsín promoveram o histórico ato de mútua renúncia a uma corrida nuclear;
3) 0 excesso de aproximação com o doidivanas presidente da Venezuela, Hugo Chávez;
4) A natureza e o grau de envolvimento do Brasil, e de tropas brasileiras, na tentativa de pacificação do Haiti; como nunca chegou em nível minimamente razoável o programa internacional de ajuda para reerguer o país destroçado por mini-guerras civis, o Brasil estaria colaborando apenas no papel de policia que, precariamente e debaixo de críticas constantes, as forças da ONU exercem;
5) 0 erro político e diplomático que foi, em ato inédito nos anais da política externa do país, o apoio explicito do presidente Lula a Evo Morales durante a campanha presidencial na Bolívia;
6) 0 excesso de concessões à China com a vã esperança, já varrida do mapa, de que o gigante asiático apoiasse a pretensão brasileira de ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU;
7) A ênfase às relações com países africanos, incluindo o perdão de suas dívidas para com o país, com o objetivo anterior incluído entre as metas a serem alcançadas -apenas para constatar depois que a África em peso deixaria de apoiar o Brasil na questão;
10) A derrota, previsível e embaraçosa, dos candidatos brasileiros à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e à presidência do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID).
Entre os críticos, estão figuras respeitadas como Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e no Reino Unido, Marcos Azambuja, ex-embaixador na Argentina e na França, José Botafogo Gonçalves, experimentado negociador na área de comércio exterior, Rubens Ricupero, que foi embaixador nos Estados Unidos, ministro da Fazenda no governo Itamar Franco e, até recentemente, secretário-geral da Organização das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), e Luís Felipe Lampreia, ex-embaixador em Portugal e em Genebra.
No caso de Lampreia, a atual direção do Itamaraty costuma lembrar que ele foi chanceler do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), como se isso lhe tirasse autoridade para fazer críticas. Mas não custa lembrar que o próprio chanceler Celso Amorim também serviu, no mesmo cargo de ministro, a um governo ao qual o PT, hoje no poder, se opunha: o do presidente Itamar Franco (1992-1995).
Amorim está irritado com as críticas. Já se queixou a respeito a pessoas próximas e, entre um e outro salamaleque diplomático, também deixou escapar seu aborrecimento em público.
Os embaixadores, porém, estão no seu direito - e no seu dever. Ao se manifestarem sobre o que consideram erros, trombadas e desmiolamentos da política externa, prestam mais um serviço ao país.

Ricardo A. Setti tem 59 anos de idade e séculos de sabedoria. Jornalista há 41, enriqueceu com a dose exata de talento e equilíbrio as principais redações do país. Dirigiu, entre outras publicações, a revista Playboy e o jornal 0 Estado de S. Paulo. Depois de passagens brilhantes por cargos de ponta no Jornal do Brasil, Setti volta agora à velha casa como colaborador. Os leitores merecem.

Domingo, Maio 21, 2006

433) O que se espera de uma dissertação de mestrado?

(como completar e sobreviver a esse exercício acadêmico)

Paulo Roberto de Almeida
(pralmeida@mac.com; www.pralmeida.org)


Para responder sinteticamente à pergunta do titulo, temos de primeiro nos colocar em ambos os lados da equação. Os professores do mestrado certamente esperam muito de uma dissertação: que os alunos façam um trabalho original, bem escrito, “novedoso”, que honre o curso e, sobretudo, a sua própria orientação e, talvez, que ela lhes tenha dado o mínimo de trabalho possível durante a pesquisa e a preparação. Quanto aos alunos do mestrado, bem, conforme a velha lei dos comportamentos inerciais (e também aquela do menor esforço), eles desejam, sobretudo, que a dissertação possa ser feita com o mínimo de trabalho possível, rapidamente, sem muita “chateação” do professor, e que a defesa possa se fazer en douceur, isto é, sem grandes sobressaltos em face da banca.
Estou exagerando, claro, e talvez sendo maldoso, pois acredito que a maior parte dos professores exerce seu trabalho consciensiosamente, assim como acredito que boa parte dos alunos trabalha seriamente seus projetos e a pesquisa e espera que o trabalho, uma vez concluído, possa lhes trazer algum benefício profissional, um engrandecimento cultural, quando não satisfação intelectual. Voilà, acho que fui mais justo desta vez.
Mas, deixando esses subjetivismos de lado, vejamos como poderíamos conceber um processo de preparação, de elaboração e de defesa de uma dissertação de mestrado que mantenha padrões aceitáveis de qualidade intrínsaeca e que guarde coerência com os propósitos e afinidade de espírito com o mestrado em questão. Eu começaria por sumariar o que me parecem ser os principais pontos a serem observados num processo de médio prazo como é o do mestrado acadêmico.
Formularei alguns comentários pessoais em função dos seguintes critérios: objeto, metodologia, desenvolvimento do trabalho, originalidade, finalidade ou “valor social”, bibliografia e processo de avaliação. Devo alertar, desde já, sobretudo em direção dos que podem pensar o contrário, que eu mesmo não me considero especialmente habilitado a realizar orientações. Espero ser corrigido e complementado nestes comentários pessoais por professores mais competentes do que eu na fina arte da orientação.

1. Objeto:
O mestrando deve, em pleno acordo com o seu orientador, definir o tema de sua dissertação dentro do campo de estudos coberto pelo mestrado em questão. O que dele se espera é que o objeto do trabalho de pesquisa cubra temas não corriqueiros, ou seja, que ele represente algum esforço próprio do mestrando em abordar seu objeto com alguma elaboração diferente daquela que existe na literatura da área. Não é necessário que o tratamento dado nas fases de pesquisa e de redação da monografia dissertativa ou que o objeto mesmo sejam totalmente originais ou inéditos, mas a dissertação tampouco pode ser uma compilação dos “text-books” ou dos livros mais conhecidos existentes na área.
A elaboração pode ser mais conceitual do que empírica ou de estudo de caso, mas as mesmas regras de cobertura da área e elaboração própria devem valer também para esse tipo de dissertação. Aliás, não existem regras pré-definidas quanto à maneira de se abordar qualquer objeto considerado válido ou pertinente para a dissertação: pode se ter um trabalho relativamente “estático” – de cobertura da legislação ou da situação existente numa determinada área na própria contemporaneidade –, um outro mais “evolutivo” – ou seja, historicamente linear ou recapitulativo –, ou ainda uma reflexão do autor quanto ao que ele considera uma “insuficiência” da literatura ou dos estudos de caso naquela área, que ele decide então completar por uma contribuição original com base em seu interesse pela questão. Todos os tipos de abordagem de um problema preciso são válidos, a priori.
O mestrando deve saber, em primeiro lugar, delimitar precisamente o seu objeto, “dialogar” com o tema, problematizando-o, para empregar um neologismo universitário. Não é necessário, em segundo lugar, que o mestrando ofereça todas as respostas que um determinado objeto suscita naquela área de estudos, mas ele deve poder oferecer, ao menos, todas as perguntas pertinentes que se impõem em face do objeto escolhido. Não há, tampouco, necessidade de que o tema seja absolutamente inédito no conjunto dos problemas “dissertáveis” normalmente contemplados num curso de mestrado, mas o mestrando não deve realizar uma mera síntese da literatura disponível. Certos “temas de fronteira” se prestam particularmente para um tratamento de tipo “exploratório”.
Como guia “estruturante” da apresentação inicial da problemática, o candidato pode se deixar guiar, onde couber, pelas famosas seis perguntas de todo jornalista: o que, quando, quem, onde, como e por que? A última pergunta também comporta uma espécie de rationale explicativa: afinal de contas, o esforço de reflexão crítica aparece como um componente indispensável de um curso de mestrado bem sucedido. Ele é a própria razão de ser de qualquer mestrado.

2. Metodologia:
Muito professores falam de um “marco teórico” como algo “indispensável” ao trabalho do mestrando, e com isso conseguem tirar várias noites de sono do candidato, que adentra na selva selvaggia da bibliografia pertinente – geralmente restrita a poucos “barões” da teoria em ciências humanas, de extração francesa ou alemã – em busca de algum enquadramento teórico para o seu objeto escolhido. A teoria certamente ajuda a pensar, mas ela não deve representar uma camisa de força, do contrário um candidato desprevenido, que pretenda, por exemplo, fazer uma dissertação sobre a informalidade laboral no Brasil, pode se interrogar sobre o que o inefável Foucault teria a dizer sobre isso. Não creio, pessoalmente, que o “marco teórico” deva ser um monstro metafísico que ameace engolir o candidato se ele se sentir desconfortável com o tal de “enquadramento conceitual” do seu objeto: determinados temas, bem mais “pedestres” em sua concepção e desenvolvimento, podem dispensar essas filigranas teóricas.
A metodologia é, sobretudo, uma ferramenta analítica utilizada para descrever e discutir o objeto escolhido e a teoria é uma espécie de fundamentação conceitual desse objeto, com algumas generalizações sobre o tema em espécie. Estudos de caso e pesquisa empírica são sempre bem-vindos, mesmo se eles não se encaixam em algum molde conceitual – ou o famoso “marco teórico” – que o professor acha que o candidato deva obrigatoriamente exibir. Na elaboração metodológica, o candidato deve eventualmente se propor algumas hipóteses de trabalho que serão, no decurso do trabalho, confirmadas ou desmentidas pelo tratamento oferecido ao tema escolhido.
Em matéria de estilo, conviria descartar, absolutamente, todos os apostos e predicados que possam ser colados a autores e situações, inependentemente da ação em su: ou seja, adjetivos e advérbios de qualidade – este “insígne autor”, “numa excelente análise”, em tal “obra estupenda” – devem ser literalmente escorraçados do texto. Ficam apenas colocações fáticas, objetivas, comedidas...

3. Desenvolvimento do trabalho:
Todo trabalho redacional de caráter acadêmico (e até jornalístico), de qualquer tipo – artigo, dissertação, ensaio, tese, monografia, reportagem –, apresenta, como se sabe, começo, meio e fim (além das fontes). O que quer isso dizer, numa dissertação?
No que se refere à sua estrutura formal, ela pode ser dividida, grosso modo, em quatro ou cinco partes: introdução, corpo principal do trabalho, conclusões, bibliografia e, se for o caso, apêndice. Vejamos rapidamente o que cada uma delas deve conter.
A introdução, obviamente, deve ser o capítulo inaugural – já estou excluindo aqui essas coisas anódinas, do tipo prefácio, agradecimentos a Deus e à família, louvações aos professores maravilhosos etc. –, antes mesmo do início da Parte I do trabalho, se tal for a escolha. Ela deve conter uma exposição precisa do objeto da dissertação, uma descrição do conteúdo da própria dissertação, eventuais particularidades na abordagem do tema – dificuldades encontradas, por exemplo – e uma antecipação de quais serão as conclusões do trabalho. Dividida em seções, a introdução pode inclusive conter a metodologia, a discussão conceitual ou o famoso “marco teórico”. Se metodologia e “marco teórico” forem suficientemente importantes no trabalho, eles podem ser objetivo de um capítulo à parte, um segundo capítulo inagural, por exemplo.
O corpo do trabalho contém o desenvolvimento dos argumentos do autor. Sua estrutura formal, cela va de soi, pode variar muito. Existem teses e dissertações com mais de uma dúzia de capítulos, eventualmente divididos em duas ou mais partes, assim como existem trabalhos contendo apenas quatro ou cinco capítulos de natureza cronológica-evolutiva ou temática-funcional. A divisão entre partes e capítulos e o tratamento dado pelo autor aos diferentes subtemas do trabalho devem ser discutidos pelo candidato com o seu orientador, para evitar aquele tipo de arranjo disfuncional, com capítulos desiguais entre si, que podem acabar integrando uma cara de princesa a um corpo de Frankenstein.
Conclusões são conclusões em qualquer lugar do mundo, apesar de que certos trabalhos ainda ousam discutir novos problemas – e inserir notas de rodapé – nesse único capítulo conclusivo, que nada mais faz senão recolher os resultados parciais dos capítulos ou confirmar as hipóteses iniciais do trabalho, agregando as “descobertas” do autor no decurso da pesquisa e suas reflexões críticas sobre o objeto em causa. Ponto. No máximo o autor indicará novos problemas ou questões complementares que em sua opinião devam merecer pesquisas adicionais ou até justificar novas pesquisas e eventual tese a respeito.
Quanto à bibliografia – devidamente normalizada, assim como as notas de rodapé – e eventual(is) apêndice(s) – para recolher todos aqueles suportes documentais que sobrecarregariam demasiado o corpo do texto – não preciso me estender sobre isso, pois cada um sabe o que fazer a respeito. Ouso expressar uma única preferência pessoal nesse particular: detesto aqueles trabalhos (e livros) nos quais é preciso ir constantemente ao final do capítulo, ou da obra, para ler notas ou ter as referências completas dos trabalhos citados; ainda que notas de rodapé, e remissões completas, compliquem a feitura da obra, o conforto do leitor deve vir em primeiro lugar.

4. Originalidade:
Ninguém está pedindo a reinvenção da roda, ou a redescoberta do Brasil, numa “simples” dissertação de mestrado, mas inovação e originalidade, sem glórias e adereços, podem ser extremamente bem-vindos, sobretudo se o autor pretende prosseguir carreira acadêmica ou fazer daquilo a alavanca de uma futura tese. Em todo caso, o trabalho será ainda mais valorizado se ele contiver, além da revisão da literatura corrente e de uma síntese no estrito limite do estado da arte, algum aporte próprio do autor, sua contribuição para uma nova visão daquele velho problema, seus próprios findings com base numa leitura crítica dos autores consagrados. Em outros termos, originalidade ma non troppo.

5. Finalidade ou “valor social” do trabalho:
O “valor de uso” da dissertação é o de assegurar o sucesso do seu autor nesse rito de passagem que constitui um mestrado acadêmico. O seu “valor de troca” é representado pelo aproveitamento que se possa fazer do trabalho fora dos limites estritos – e por vezes estreitos – da academia. Dali deve necessariamente sair um pequeno resumo para ampla divulgação – e agora a Capes passa a exigir depósito eletrônico do trabalho – e um artigo para publicação em veículo especializado. Melhor ainda se dali resultar um livro, mas o “dissertando” não deve necessariamente redigir o texto com essa idéia em vista. Em todo caso, o autor deve dialogar com um público mais vasto, behind seu orientador e demais membros da banca. A legibilidade laica de um trabalho desse tipo deve estar sempre presente no momento da redação do trabalho, por mais técnico ou especializado que ele possa parecer (e ser).
Aliás, durante a própria preparação do trabalho, na fase de pesquisa, ou ainda durante os créditos do mestrado, o candidato já deve ser orientado a preparar capítulos de conteúdo substantivo como se fossem artigos “publicáveis”, o que já representa uma etapa na “vaorização social” do seu trabalho de pesquisa. O autor deve poder sobreviver a essas fases árduas que os americanos chamam de ABD (all but dissertation), mas o trabalho também deve ter o mérito de “sobreviver” ao próprio autor, sob a forma de um ou mais artigos ou, hopefully, um livro comercial.

6. Bibliografia:
“Professor, o que eu preciso ler primeiro?” Essa pergunta, aceitável na graduação, já não parece mais cabível no mestrado. A apresentação de um projeto de mestrado supõe que o candidato já tenha definido pelo menos uma bibliografia inicial e elementar. Mas, claro, o mestre está ali para isso mesmo: indicar autores e títulos que lhe parecem ser obrigatórios na pesquisa e discussão daquele problema. Mas, atenção mestrando, você necessariamente saberá mais que o seu mestre naquele tema particular, se não no início, pelo menos ao final da pesquisa e redação. Mestres não podem ser especialistas em tudo e geralmente não o são. A bibliografia deve ser progressivamente construída pelo próprio candidato, e não apenas na base do Google e manuais da área: pesquisas em bibliotecas restam indispensáveis para qualquer trabalho bem feito.
Quanto à incorporação da literatura disponível no próprio trabalho, algum meio termo é possível. Assim como certos projetos possuem mais bibliografia do que idéias claras, certas dissertações deixam a desejar em matéria de cobertura bibliográfica. Por certo que uma dissertação não precisa esgotar todo o campo da pesquisa corrente, mas a revisão da literatura relevante aparece como indispensável a um bom trabalho do gênero. Autores estrangeiros deve entrar em função do mérito próprio da discussão, e não porque sejam mais “sapientes” que os nacionais – na maior parte dos casos eles de fato o são –, mas, também porque são mais numerosos, como se vê numa pesquisa do tipo Google Scholar (não esquecer, obviamente, de pesquisar com as palavras-chave em inglês, e não apenas em português). Por fim, apliquem, mesmo a contragosto, as normas da ABNT...

7. Processo de avaliação:
Entre o projeto e a finalização da dissertação deveria haver, idealmente, um exame de qualificação, isto é, uma avaliação intermediária para verificar se o candidato está raciocinando corretamente. Pode ser o capítulo central da obra – ainda em versão preliminar – ou uma apresentação geral do trabalho, em sessão na qual o candidato pode inclusive externar suas dúvidas, angústias e outros conflitos bibliográficos. É provável que os professores presentes façam tantas exigências e sugiram tantos títulos que o pobre candidato saia da sessão ainda mais angustiado, mas algo ele sempre vai aprender: a não pretender abarcar o mundo da próxima vez...
O orientador tem, a partir daí, uma responsabilidade especial quanto à redação e apresentação do trabalho final, para evitar surpresas desagradáveis em face da banca de examinadores. Pela lei dos rendimentos decrescentes, tudo tende a ficar mais difícil se o candidato delonga em demasia o exercício de redação. Este precisa ser constante, regular e com consultas periódicas ao orientador, de forma que, ao chegar na banca, tanto um quanto outro já não mais farão surpresas um ao outro. Se houver, elas virão dos demais membros da banca, que por vezes abusam do direito de fazer terrorismo psicológico no momento da defesa. Um coisa é certa: se o candidato chegou até ali – e supondo-se que o orientador tenha feito direitinho a sua parte –, ele já está aprovado numa proporção perto de 90% do final do exercício. Numa banca de doutoramento, na maior parte das vezes, o candidato sabe mais que os examinadores sobre o seu objeto de pesquisa, o que não é, ou não deveria ser, o caso nos mestrados. Mas, ainda assim, são fortes as chances de que o mestrando possa ensinar algumas coisas novas aos seus examinadores. Portanto, as palavras-chave nessas ocasiões são: confiança em si mesmo e segurança nas expressões.
Tendo cumprido todas as etapas do ritual, o candidato se descobre então um feliz sobrevivente de uma navegação que costuma durar de dois a três anos (com recifes e algumas sereias pelo caminho). Chegando finalmente na sua Ítaca, ele pode descansar por mais alguns dias, antes de retomar o seu périplo. Até ali ele trabalhou pela dissertação; a partir dali, o novo mestre poderá colocar a dissertação a trabalhar por ele...

1606; Brasília: 21 maio 2006

Sábado, Maio 20, 2006

432) Peço licença para discordar... de Hélio Jaguaribe

Transcrevo, primeiro, o anúncio do Instituto de Estudos Avançados, da USP, seguido de meus comentários mais abaixo.
Não, em geral eu não sou daqueles do tipo "não li, mas já não gostei", mas é que desta vez eu li, apenas o anúncio, e, realmente, já não gostei, ou melhor não concordei com o que li.
Claro, estou discordando preventivamente, pois ainda não "ouvi" (ou assisti) à palestra desse velho batalhador das causas nacionais que é Hélio Jaguaribe, o que pretendo fazer assim que disponível, mas já me permito discordar do que li.
Antes de continuar, porém, "ouçamos" o que o anúncio nos anuncia:

"Jaguaribe discute reformas para o Brasil

O cientista político Hélio Jaguaribe, do Instituto de Estudos Políticos e Sociais e membro da Academia Brasileira de Letras, fará no dia 1º de junho, às 15h, a conferência "O Brasil ante o Século 21".

Hélio Jaguaribe
Em recente artigo publicado na imprensa, Jaguaribe afirmou que a estagnação do País "decorre do fato de que, nos últimos 25 anos, o Brasil, por influência direta ou indireta da ideologia neoliberal, deixou de ter um projeto nacional e entregou seu destino econômico aos caprichos dos mercados internacional e nacional". O resultado disso foi "um patológico crescimento do setor financeiro e de sua rentabilidade, que se tornou a maior do mundo, em detrimento de nosso desenvolvimento econômico e social".

Para Jaguaribe, o novo governo, não importa de quem, terá de ser o de "uma profunda reforma do regime regulatório das eleições e dos partidos e de acelerada retomada do crescimento econômico, orientado para o desenvolvimento e a erradicação da miséria".

Jaguaribe diplomou-se em direito em 1946 pela PUC-RJ. Recebeu o título de doutor "honoris causa" da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz (Alemanha), da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade de Buenos Aires (Argentina). É autor de mais de 30 livros, sendo os mais recentes "Brasil: Alternativas e Saída" (2002), "Um Estudo Crítico da História (2001), "Argentina y Brasil en la Globalización" (com Aldo Ferrer) (2001) e "Brasil, Homem e Mundo — Reflexão na Virada do Século" (2000).

Conferência "O Brasil ante o Século 21"
Local: Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA (mapa).
Internet: transmissão ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo.
Informações: com Cláudia Regina (clauregi@usp.br), telefone (11) 3091-1686."

Voilà, postado o anúncio, vejamos quais são minhas objeços, de forma e de conteúdo...

De forma: não tenho certamente a experiência e a longevidade de Hélio Jaguaribe, mas eu venho lendo e "escutando" o que ele tem a dizer há praticamente quarenta anos, desde meados dos anos 1960 (alto lá: não é que eu esteja tão velho, mas é que comecei cedo...).
Há pelo menos trinta anos eu "ouço" Helio Jaguaribe dizer que falta ao Brasil um projeto nacional de desenvolvimento, que se não conseguirmos elaborar e aplicar um desses projetos -- prêt-à-porter? --, nós estaremos irremediavelmente condenados ao subdesenvolvimento, à perda de autonomia -- isto é, à colonização --, que seremos dominados pelos Estados Unidos, colocados em posição subalterna, que as massas empobrecidas do Brasil vão se revoltar, que as periferias miseráveis das grandes metrópoles vão inviabilizar qualquer vida civilizada nas grandes cidades brasileiras, que os favelados vão descer dos morros, que vão estuprar as mulheres, roubar nossas casas, que seremos mais isso e mais aquilo, patati-patatá...
Sinto muito, mas depois de ouvi-lo repetir tantas vezes a mesmas histórias, acho que tenho o direito legítimo de desconfiar dessas condenações ao fogo do inferno, ao desastre e à catástrofe...

Quanto ao fundo: ainda que eu concorde com ele que estamos muito mal em matéria de não crescimento e desenvolvimento pífio, discordo totalmente que isso se tenha dado por causa da globalização, ou como ele diz, "por influência direta ou indireta da ideologia neoliberal".
Sinto muito, Doutor Hélio, mas se há alguma coisa que não somos, nem nunca fomos, foi ter sido "neoliberais". Nem de longe, nem de perto, nem pintados, nem disfarçados. Nós simplesmente continuamos tão estatizantes quanto antes, apenas que, com a falência do crescimento nos anos 1980, fomos tendo de salvar os móveis e os utensílios do jeito que dava, isto é, fazendo algumas coisas diversamente do que vinha sendo feito até então.
O Brasil, simplesmente, era um país super-estatizad, com pelo menos 30 por cento do PIB controlado diretamente pelo Estado. O que foi feito, então, foi vender algumas estatais, inúteis, custosas, inviáveis, do ponto de vista de sua administracao pública.
Ou o Doutor Jaguaribe dispunha de telefones maravilhosos, baratinhos, quando desejasse, com a sua famosa Telerj (que os cariocas carinhosamente apelidaram de Telerda)?
Dispunha o Doutor Jaguaribe de computadores fabulosos a preços imbatíveis, sob o regime da lei da informática?
Sinto muito, Doutor Jaguaribe, sua conversa do "modelo neoliberal" é simplesmente insustentável...
Acho, sinceramente, que já deixamos aquelas suas análises "nasseristas" e "titoistas" dos anos 1950, quando o nec plus ultra das recomendações nacionalistas era a conquista da autonomia nacional, por meio, justamente, desse tao famoso "projeto nacional de desenvolvimento" (que nunca veio e nunca virá).
Não existe isso, Doutor Hélio. O que existe são elites, ou estadistas, comprometidos com uma certa visão do mundo, que num determinado momento conseguem empolgar, ou mobilizar outros setores da elite, ou até mesmo os concidadãos, num grande esforço mobilizador, que concentra esforços e recursos em torno de algum projeto qualquer de crescimento e grandeza.
Foi assim com JK (que o Senhor conheceu muito bem), foi assim com os militares, com as conseqüências (ou os "side-effects") que se conhecem: inflação, desigualdade e outras distorções do processo econômico.
Nunca houve, em nenhum lugar do mundo, em qualquer época histórica, uma sociedade que se tenha "sentado" em assembléia geral, e tenha decidido, assim pacífica e democraticamente, que o seu projeto nacional seria assim e assado. Nunca!
O que existiu foram esses "projetos" formulados por lideranças, mais ou menos autoritárias, e que conseguiram transformar o país, a sua economia pelo menos, um pouquinho mais rápido. Só isso, Doutor Hélio.
No mais, concordo em que sua palestra não vai nos causar mal nenhum, pois ela apenas volta a discutir nossos velhos problmas e velhas angústias, mas tem pouco efeito sobre o processo decisório.
O único efeito real é o de manter alienados os jovens estudantes, e outros nem tão jovens assim, que ficam repetindo o velho bordão: "precisamos de um projeto nacional", ou então, em tom lamuriento: "o problema é que não temos um projeto nacional", ou que "as elites são isso e mais aquilo (e aí cabe o que se desejar)".
Pois é, esse tipo de constatação pode ser desmobilizador, mas entendo que o Doutor Hélio pretende ser mobilizador, alertar todos os cidadãos que se ficarmos entregues à ideologia neoliberal não teremos solução, e que precisamos, portanto (mas isso eu já disse), partir para o tal de !projeto nacional".
O problema é que esses projetos NUNCA se realizam -- quem me apontar um, um só, eu prometo entregar toda a minha biblioteca -- e assim ficamos na inação, na inatividade, na contemplação patética da nossa própria incapacidade em mobilizar as "forças vivas da nação" (lembram-se dessa expressão?) para colocá-las a serviço do tal de "projeto nacional".
Que tal se, por uma vez, parássemos de falar bobagem e nos ocupássemos do que é importante: educação, investimentos em capacitação nacional em ciência e tecnologia, infra-estrutura e segurança, saúde e eficiência do setor público?
Sim, porque os "grandes projetos nacionais" à la Jaguaribe sempre implicam em que o Estado faça isso e mais aquilo, que se dupliquem os investimentos (públicos, por supuesto) em ciência e tecnologia, justamente, que tenhamos políticas industriais, agrícolas e outras mais muito ativas, ativíssimas, geralmente à base de isenções fiscais, subsídios para setores ditos "estrtégicos", proteção contra a "dominação etrangeira", enfim, o nirvana dos gastos infindáveis e infinitos, como se o Estado brasileiro procedesse diretamente de uma cornucópia inesgotável de onde jorra o leite e o mel dos recursos incomensuráveis, fáceis, disponíveis.
Por favor, Doutor Hélio, um pouco de realismo não lhe faria mal, por uma vez.
Não somos pobres e atrasados por falta de projeto nacional. Aliás, já tivemos muitos e o Senhor mesmo já propos inúmeros, geralmente regados a dinheiro público, para constatar o óbvio.
E se, por uma vez, fizéssemos o óbvio? Vamos começar por onde todos começam: pela professorinha de escola, pela educação de qualidade, por um Estado eficiente (nao necessariamente dispondo de mais recursos do que já tem, ao contrário), por uma máquina pública menos prebendalista e mais focada em resultados tangíveis.
Doutor Hélio, sinto discordar, mas não estamos assim por termos sido neoliberais, ao contrário. Se tivéssemos sido, talvez hoje fôssemos diferentes...

Paulo Roberto de Almeida
Desabafo em 20 de maio de 2006, as 3hs da manhã...

Sexta-feira, Maio 19, 2006

431) Cursos de RI no Brasil: algumas perguntas...

O estudo de relações internacionais no Brasil
Respostas a um Questionário


Respostas a questões colocadas por um aluno de RI de SP

1. Qual a sua visão (pessoal) sobre o curso de RI?
PRA: Pode ser uma boa contribuição para a formação de especialistas em questões internacionais no Brasil, país relativamente fechado à economia mundial. De fato, a maior parte dos cursos de RI no Brasil foram e são oferecidos por instituições privadas, que visam preencher um nicho de mercado que não estava sendo suficientemente atendido pelas faculdades públicas. Ou seja, o que as motivou foram preocupações essencialmente mercantis, o que não impede que possam surgir bons cursos nessa área, mas talvez seja muito cedo par se fazer uma avaliação comparativa das dezenas de cursos existentes nesse área.
Minha visão pessoal é a de que existe um certo exagero quanto à possivel absorção pelo mercado dessas centenas ou talvez milhares de estudantes que estão se formando cada ano nos muitos cursos que se constituiram desde meados dos anos 1990, ou seja, nos últimos dez anos, grosso modo. O mercado é relativamente restrito na parte governamental (diplomacia, analistas de comércio exterior ou de inteligência), na de organizações internacionais e no que se refere à própria academia (que absorveu certo número de egressos na medida em que os próprios cursos estava se expandindo, mas esse ritmo tende a diminuir), podendo, e de fato devendo, ser maior na vertende empresarial privada. Mas não tenho certeza de que os internacionalistas possam atender a todos os requisitos das empresas.

2. Quais são suas expectativas para o futuro do mesmo e de seus futuros egressos?
PRA: Não tenho uma visão clara sobre a evolução dos cursos de RI. Seria preciso conduzir uma pesquisa junto às instituições que já formaram diversas turmas, para verificar em que estão trabalhando seus egressos, de maneira a poder balizar algumas tendências quanto à evolução futura desses cursos.
Minha percepção é a de que pode estar ocorrendo um fenômeno de saturação de mercado, e talvez ocorra algum pequeno refluxo na oferta de novos cursos ou de vagas, após o que deverá ocorrer algumas especializações “regionais” ou setoriais, em função das demandas locais, com ênfase mais empresarial em alguns grandes centros de negócios e dedicação mais acadêmica, ou “política”, em outros centros. Sem uma pesquisa junto aos próprios egressos, que poderia ser conduzida por entidades como a FENERI ou ABRI, fica difícil opinar sobre tendências futuras.

3. Em que nível o curso de RI no Brasil se encontra hoje perante o das faculdades internacionais?
PRA: Creio que nosso estágio ainda é inicial, o que pode ser indiretamente comprovado pela bibliografia disponível. Ela ainda é relativamente restrita, faltando aquilo que na linguagem acadêmica americana, se chama de text-book, ou seja, manuais sistemáticos para o estudo das diferentes disciplinas integrando as RI. Ainda que alguns centros de estudo pretendam que existe uma “escola de RI” de tal ou qual local, não creio que esse tipo de afirmação se sustente em vista da elaboração reflexiva e metodológica ainda relativamente incipiente nessa área.
Teremos de acumular muitas monografias e estudos sistemáticos, ademais de muita pesquisa histórica e estudos de terreno – isto é, empiricamente embasados – para poder pretender rivalizar com os grandes centros de produção existentes no hemisfério norte.

4. Partindo do fato que a UnB foi a primeira faculdade a ter o curso de RI na América Latina e fez a algum tempo atrás uma mudança no seu currículo, o Sr. acha que as outras universidades deveriam modificar os seus também? Por quê?
PRA: Creio que as instituições, em coordenação com a CAPES, e auxiliadas pelas associações profissionais da área, deveriam fazer avaliações amplas sobre o funcionamento dos cursos e seus padrões curriculares. Algum núcleo básico, relativamente homogêneo, deve existir, mas a partir daí as instituições devem poder estabelecer especializações diversas em seus cursos, de modo a suprir demandas específicos dos diferentes nichos de mercado que podem variar de uma região a outra do país.
Ou seja, o ideal é se dispor de um núcleo comum e um leque de opções diversas, nas diferentes vertentes disciplinares e setoriais que compõem as RI, de forma a assegurar flexibilidade e capacidade adaptativa às diferentes necessidades locais.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 19 de maio de 2006

Quinta-feira, Maio 18, 2006

430) Enfim, um jornalista de opinião... com opiniões...

Glossário Político de Reinaldo Azevedo, da revista Primeira Leitura:

Luis Carlos Mendonça de Barros – Um dos meus melhores amigos. Depois que ele saiu, a revista ficou mais conservadora.
Heloísa Helena – Uma doida. Ela faz o discurso fácil que o PT fazia: (imitando o sotaque alagoano). "As elites canalhas, sacripantas...". Isso pega.
Plínio de Arruda Sampaio – Um velhinho demagogo.
Tucanos – Muito suaves na crítica. Subestimam os adversários.
Serra - O melhor político brasileiro. O melhor candidato para enfrentar Lula.
Alckmin – Um candidato de centro-direita.
Garotinho – O populista destrambelhado e irresponsável. Se eu ficasse entre Lula e Garotinho, votaria no Lula.
Cristóvam Buarque – Não conseguiria reunir em torno de si um grupo de pessoas para governar.
MST – Um movimento subversivo da ordem democrática que não pode ser financiado com dinheiro público .
Marilena Chauí – Uma propagandista vulgar do que ela não entende. Uma péssima marxista. Se tivesse lido Marx, não diria as bobagens que costuma dizer. Ela não sabe o que é economia política. Faz proselitismo vagabundo recebendo dinheiro público.
Lula – Não é burro, é ignorante.
PT – Um partido obscurantista.
Religião – Católico, mas não sou da Opus Dei nem da TFP.
Bush – Dos piores, é o melhor.
Iraque – Foi muito bem invadido.
EUA - São os guardiões do mundo desde a 2ª Guerra. Por isso, eles têm o direito de produzir armas nucleares.
Israel - Não só pode, como tem o dever moral de ter a bomba atômica.
Petrobras – Tem que ser vendida.
Banco do Brasil – Tem que ser vendido.
Estado – O mínimo possível.
Esquerda brasileira - É repetitiva e não entende o processo social. Escondem as violências que a esquerda fez.

429) Brasileiros expulsam brasileiros... da Bolivia

Stédile oferece MST para ajudar Morales
jornal A Crítica, do Amazonas, em 15/05/2006:

"O presidente da Bolívia, Evo Morales, recebeu anteontem um inusitado apoio do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, para sua “revolução agrária”.

No encerramento do Fórum Alternativo, em Viena, Stédile ofereceu as tropas do MST para expulsar os “latifundiários brasileiros” da Bolívia. Stédile tocou ainda no ponto nevrálgico das relações Brasil-Bolívia ao declarar que “o povo brasileiro apóia a estatização do setor do gás na Bolívia”, para delírio da platéia que lotava um complexo esportivo da capital austríaca.
"Estamos ansiosos, agora, com a reforma agrária e esperamos que ela comece pelas terras dos latifundiários brasileiros”, afirmou Stédile. “O dia que você precise expulsá-los, não precisa chamar o Exército. É só chamar o MST”, completou, dirigindo-se a Morales.
A exposição inflamada de Stédile foi apenas uma das aberrações do encerramento desse fórum, que reuniu organizações não-governamentais em paralelo à IV Cimeira União Européia-América Latina".

Acho que não necessita de comentários...

428) Um brasilianista retribui para suas fontes...

Apenas transcrevendo, mas ao mesmo tempo prestando uma modesta homenagem a um dos brasilianistas mais prolíficos de sua geração.
Do Diário do Nordeste, 17 de maio de 2006:

Brazilianista doa arquivos sobre Padre Cícero que usou para escrever "Milagre em Joaseiro"
Universidade da Flórida doa acervo de Ralph Della Cavapara a Urca

17 latas contendo centenas de metros de microfilmes, pertencentes à Biblioteca Latino-Americana da Universidade da Flórida, EUA, serão doadas à Universidade Regional do Cariri (Urca), para compor o acervo da futura Biblioteca Caririana, a ser implantada na Urca.

Os microfilmes contêm todos os arquivos pesquisados e fotografados pelo historiador norte-americano Ralph Della Cava, no início dos anos 60 do século passado, com o objetivo de escrever o livro "Milagre em Joaseiro", onde analisa a história política de um movimento religioso popular que floresceu, entre 1889 e 1934, em Juazeiro do Norte, e teve reflexo em todo o Nordeste brasileiro.

Ralph Della Cava pesquisou, fotografou e, posteriormente, microfilmou os arquivos da Diocese de Crato e do Colégio Salesiano de Juazeiro do Norte.

Publicado inicialmente nos EUA, o livro "Milagre em Joaseiro" passou a ser uma referência entre os estudiosos do fenômeno ocorrido com a beata Maria de Araújo.

Esta, ao comungar com o Padre Cícero, via a hóstia transformar-se em sangue. Por conta desse fenômeno, o sacerdote foi punido pelas autoridades da Igreja Católica, mas passou a ser aclamado pelas massas sertanejas como um santo injustiçado e protetor dos pequenos e humildes.

Os rolos de microfilmes que serão entregues para guarda da Universidade Regional do Cariri é o cumprimento de uma promessa feita pelo próprio Ralph Della Cava, em julho de 2004, perante 800 participantes do 3º Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero.

Para tanto, o diretor da Biblioteca Latino-Americana da Universidade da Flórida, Paulo Losch, virá a Crato no início do próximo mês de junho, trazendo o acervo que será entregue ao reitor André Herzog.

A Urca construirá, em breve, mais dois pavimentos no local da Biblioteca Central do Campus do Pimenta I, no bloco onde funcionou a antiga Faculdade de Filosofia do Crato.

Um dos pavimentos será destinado à Biblioteca Caririana, que pretende ser o maior acervo nacional e internacional sobre a Região do Cariri e a Chapada do Araripe, nos vários âmbitos do conhecimento humano.

Pesquisadores comemoram decisão

"Quem sou eu para opinar sobre algo tão importante?". A indagação da psicóloga Maria do Carmo Pagan Forti é em resposta à pergunta sobre a decisão do historiador norteamericano, Ralph Della Cava, em doar o acervo que reuniu durante as pesquisas feitas na região do Cariri, que culminaram com o lançamento do livro "Milagre em Joaseiro".

Ela se derrama em elogios em torno da obra e lembra que, quando veio pela primeira vez ao Juazeiro, há 23 anos, um dos primeiros contatos sobre a história da cidade e do Padre Cícero foi neste livro.

"É uma verdadeira maravilha em termos de narração dos fatos e sua localização no tempo e no espaço", define a professora universitária das Faculdades de Medicina de Juazeiro e Leão Sampaio.

Para ela, até hoje ninguém conseguiu superar a obra de Ralph Della Cava, que se preocupou em fazer menções em torno de onde retirou cada informação colhida.

O primeiro contato da psicóloga com o pesquisador foi via e-mail por ocasião dos preparativos relacionados com o III Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero. A partir daí, uma série de correspondências eletrônicas ocorreram.

O professor universitário, Daniel Wálker de Almeida Marques, tem a mesma opinião da psicóloga em relação à obra.

Ele acrescenta que, nesse contexto, tudo que o leitor procurar em relação aos fatos vai encontrar no livro de Ralph Della Cava.

Muitos que escreveram sobre o Padre Cícero tomaram o "Milagre em Joaseiro" como um referencial e jamais foram contestadas datas e fatos ali inseridos. "É um livro completo", resume.

Sobre a doação do acervo, Daniel disse que preferia se inteirar melhor para poder opinar em relação ao assunto. Comentou apenas ser uma decisão correta e que esse material deveria estar mesmo no Cariri.

Ele destacou ainda a recente participação de Ralph Della Cava no último Simpósio Internacional promovido em julho de 2004 no Juazeiro. Para Daniel, são eventos importantes que vêm contribuir com os estudos em torno do tema.
(Diário do Nordeste, 17/5)

427) Minha homenagem a um amigo dos livros

Agência Estado, 17 de maio de 2006 - 20:47

José Mindlin doa coleção de livros raros para a USP

A Biblioteca Brasiliana, com mais de 25 mil volumes foi doada para o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e ficará na Biblioteca Mindlin em construção na Cidade Universitária

Emílio Sant’anna

Milton Marsilha/AE
José Mindlin

SÃO PAULO - Em cerimônia realizada ontem na reitoria da Universidade de São Paulo (USP), o empresário e bibliófilo José Mindlin, de 91 anos, doou sua Biblioteca Brasiliana, com mais de 25 mil volumes, para o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).

A coleção ficará abrigada na Biblioteca Mindlin, no futuro prédio do instituto na Cidade Universitária. O projeto da nova sede deve ser concluído em 2009. Ele prevê a criação de um curso superior de restauração de livros e a completa digitalização da biblioteca. “Não existe no mundo universidade com uma coleção como essa”, diz Istvan Jancso, diretor do instituto. “É um patrimônio nacional intangível. Universidades estrangeiras ofereceram uma grande quantia, mas ele recusou.”

A biblioteca de Mindlin é resultado de 80 anos de trabalho e paixão pela literatura. “Aos 13 anos ganhei um exemplar da História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, então passei a colecionar os livros sem a intenção de formar uma biblioteca”, conta o empresário.

Entre livros, revistas, documentos, jornais e periódicos, a postura despretensiosa de Mindlin resultou em uma coleção, constantemente atualizada, com mais de 50 mil volumes. Dois galpões no jardim de sua casa abrigam a biblioteca.

Clássicos da literatura brasileira, história, geografia

A doação feita à USP compreende os clássicos da literatura brasileira, história, geografia e história natural. Inclui também exemplares raros, como a primeira edição de O Guarani, de José de Alencar (com apenas dois exemplares conhecidos), A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, a revisão de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, obras do século 17 de viajantes europeus ao Brasil e livros da época da invasão holandesa ao Recife.

Grande parte dos livros da biblioteca de Mindlin foi adquirida em antiquários de países como Inglaterra, Portugal, França e Estados Unidos. “Encontrei muita coisa em minhas viagens”, conta. “A garimpagem de livros sempre foi uma das minhas ocupações.”

“É uma coleção indivisível”, diz Mindlin. “Doei para a USP para garantir a perenidade dessa biblioteca que deve ser viva.”

Quarta-feira, Maio 17, 2006

426) Club de Paris vai à farra...

Não, não é no Moulin Rouge, nem no Folies Bergères.
Ficará mesmo entre eles, os grandes credores de créditos oficiais, que estão recebendo, este ano, cerca de 60 bilhões de dólares como pagamento de países altamente endividados que ficaram momentaneamente "ricos" por causa da alta dos preços do petróleo.
Nota do blog da revista Foreign Policy desta quarta-feira, 17 de maio de 2006:

For the Paris Club, oil a double-edged sword

While Libya is restoring full diplomatic relations with the United States--and finally getting dropped from the State Department’s list of states funding terrorists--Algeria is arranging to pay off all of its outstanding debt ($8 billion) to the Paris Club sometime between June and November this year. Russia is also bargaining its way through full repayment of its $22 billion, and in April, Nigeria finalized the plan to pay off its $30 billion to the Paris Club. That’s $60 billion repaid in less than a month.

So props to Bono for all his hard work Unfortunately, these huge payoffs are not due to booms of these countries’ economies, good governance or donor generosity: rather, they are about oil. All of these countries have huge reserves and--except for Russia, who still is the second oil exporter after Saudi Arabia--are members of OPEC. While high oil prices might not be good for democracy in unstable nations, they do wonders for foreign cash reserves with which to pay off nations as thirsty for oil--and for good deals for their companies--as those belonging to the Paris club. Now that they are debt-free, expect these countries to pay even less attention to Western rhetoric on democracy and human rights.

425) Tradutore, traditore (mais do que nunca...)

Algumas camadas geológicas mais abaixo (ou talvez até em algum dos meus blogs precedentes), eu coloquei algumas piadas de advogados, ou melhor de corte, que me haviam sido enviadas como se fossem, supostamente, casos efetivamente ocorridos em cortes brasileiras.
Descubro agora que se trata, mal e porcamente (e o termo se aplica) de traduções mal feitas de piadinhas de cortes americanas, que talvez também são inventadas e reaproveitadas de outras fontes, que aparentemente se perdem na noite dos tempos.
Em todo caso, transcrevo aqui o original, remetendo os curiosos ao site de onde as recuperei agora: http://xmb.stuffucanuse.com/xmb/viewthread.php?tid=475

True statements in court...

These are from a book called Disorder in the American Courts, and are things people actually said in court, word for word, taken down and now published by court reporters who had the torment of staying calm while these exchanges were actually taking place.

Q: Are you sexually active?
A: No, I just lie there.
__________________________________
Q: What is your date of birth?
A: July 15th.
Q: What year?
A: Every year.
______________________________________
Q: What gear were you in at the moment of the impact?
A: Gucci sweats and Reeboks.
______________________________________
Q: This myasthenia gravis, does it affect your memory at all?
A: Yes.
Q: And in what ways does it affect your memory?
A: I forget.
Q: You forget? Can you give us an example of something that you've forgotten?
_____________________________________
Q: What was the first thing your husband said to you when he woke up that morning?
A: He said, "Where am I, Cathy?"
Q: And why did that upset you?
A: My name is Susan.
______________________________________
Q: Do you know if your daughter has ever been involved in voodoo or the occult?
A: We both do.
Q: Voodoo?
A: We do.
Q: You do?
A: Yes, voodoo.
______________________________________
Q: Now doctor, isn't it true that when a person dies in his sleep, he doesn't know about it until the next morning?
A: Did you actually pass the bar exam?
___________________________________
Q: So the date of conception (of the baby) was August 8th?
A: Yes.
Q: And what were you doing at that time?
______________________________________
Q: She had three children, right?
A: Yes.
Q: How many were boys?
A: None.
Q: Were there any girls?
______________________________________
Q: How was your first marriage terminated?
A: By death.
Q: And by whose death was it terminated?
______________________________________
Q: Can you describe the individual?
A: He was about medium height and had a beard.
Q: Was this a male, or a female?
______________________________________
Q: Is your appearance here this morning pursuant to a deposition notice which I sent to your attorney?
A: No, this is how I dress when I go to work.
______________________________________
Q: Doctor, how many autopsies have you performed on dead people?
A: All my autopsies are performed on dead people.
______________________________________
Q: ALL your responses MUST be oral, OK? What school did you go to?
A: Oral.
______________________________________
Q: Do you recall the time that you examined the body?
A: The autopsy started around 8:30 p.m.
Q: And Mr. Dennington was dead at the time?
A: No, he was sitting on the table wondering why I was doing an autopsy.
______________________________________
Q: Doctor, before you performed the autopsy, did you check for a pulse?
A: No.
Q: Did you check for blood pressure?
A: No.
Q: Did you check for breathing?
A: No.
Q: So, then it is possible that the patient was alive when you began the autopsy?
A: No.
Q: How can you be so sure, Doctor?
A: Because his brain was sitting on my desk in a jar.
Q: But could the patient have still been alive, nevertheless?
A: Yes, it is possible that he could have been alive and practicing law somewhere.

Terça-feira, Maio 16, 2006

424) Construindo o apartheid no Brasil?

Recomendo a leitura da matéria, abaixo transcrita, do jornalista Ali Kamel, sobre uma "leitura" enviesada do problema do racismo e da discriminação no Brasil, a partir de um livro sobre diferenças raciais na escola brasileira.
Creio que a matéria confirma que estamos, deliberada ou involuntariamente, construindo no Brasil, um futuro monstro: o apartheid.
Sim, isso se dá a partir das propostas de militantes (e até algumas autoridades) de se introduzir o viés racial nas políticas públicas de inclusão.
Tratei desse apartheid em construção em um artigo que escrevi, dois anos atrás, sobre a ideologia do "afro-brasileirismo".
As referências são as seguintes:
“Rumo a um novo apartheid?: sobre a ideologia afrobrasileira”, Brasília, 29 agosto 2004, 11 p. Ensaio sobre a possibilidade de uma separação dos grupos raciais no Brasil, com base na promoção das diferenças entre a etnia negra e as demais. Publicado na revista Espaço Acadêmico (Ano IV, nº 40, setembro 2004; link: http://www.espacoacademico.com.br/040/40pra.htm)


Mecanismo de discriminação?
Ali Kamel
O Globo, Terça-feira, 16 de maio de 2006

Quando recebi o exemplar do livro “Os mecanismos de discriminação racial nas escolas brasileiras”, fiquei animado. Finalmente, eu saberia como o propalado racismo brasileiro se manifesta nas escolas. O que estaria no livro? A prova definitiva de que as crianças negras são obrigadas a se sentar nos bancos mais distantes do quadro-negro? Ou de que os livros didáticos que elas recebem vêm com páginas faltando? Ou, ainda, evidências de que as professoras respondem de má vontade às dúvidas das crianças de cor?

Uma decepção.
Com exceção de um, o que os capítulos, de vários autores, fazem é registrar as desigualdades e explicá-las atribuindo-as ao racismo, sem que nenhuma evidência concreta autorize esse passo. Ali está que os brancos entram mais cedo na escola, são alfabetizados em maior número, ficam mais tempo na escola, atrasam-se menos e têm acesso às melhores carreiras. Mas não há nenhum mecanismo descrito que explique essa desigualdade. Apenas se aponta para o racismo. O curioso é que os artigos registram que os amarelos têm desempenho muitas vezes superior aos dos brancos, mas sobre isso os pesquisadores se calam: ninguém se atreve ao ridículo de dizer que os amarelos oprimem os brancos no Brasil.

Não, o que explica a desigualdade é mesmo a pobreza. Se os negros (para os autores, o conjunto de pretos e pardos) formam a maior parte dos pobres (66%), é razoável imaginar que eles, tendo acesso apenas às piores escolas, têm os piores indicadores. Neste artigo, vou comentar apenas dois capítulos: primeiro, um que tem o tom geral do livro e, depois, aquele que parece apontar para o caminho correto, muito embora, sucumbindo ao ânimo que dá origem ao livro, não leve às últimas conseqüências as suas conclusões.

Em “A geração 80: um documentário estatístico sobre a produção das diferenças educacionais entre brancos e negros”, de Rafael Guerreiro Osório e Sergei Soares, minha surpresa foi grande. Os autores acompanharam a trajetória da geração que nasceu em 1980 através das Pnads. Uma idéia original. O que os autores mostram, porém, é o de sempre: há mais negros analfabetos, mais negros deixam a escola mais cedo, mais negros com pouca idade trabalham e estudam ao mesmo tempo, mais negros nem trabalham nem estudam quando jovens, mais negros estão defasados na relação idade/série, menos negros conseguem concluir o ensino fundamental, o médio e o superior.

Os autores, porém, ficaram tão empolgados por documentar o já conhecido e estabelecer, sem ter evidências para isso, que a razão da desigualdade é o racismo, que deixaram de ver o que realmente importa: o desempenho de brancos e negros é uma tragédia. Do jeito que a coisa é posta é como se brancos tivessem um desempenho extraordinariamente bom e estivessem totalmente descolados dos negros, mas não é isso o que acontece. Aos sete anos, quando deveriam começar a vida escolar, 19% dos brancos e 32% dos negros estavam fora da escola; aos 17 anos, quando deveriam estar concluindo o ensino médio, 38% dos brancos e 45% dos negros já não estavam na escola (tinham saído antes). A diferença, contra os negros, era de 13 pontos percentuais aos sete anos e de sete pontos aos 17, mas as proporções eram estarrecedoramente altas igualmente para brancos e negros. Como os negros são a maioria entre os pobres, é legítimo supor que os negros tinham um desempenho ainda pior do que os brancos por causa da pobreza. A situação se repete em todos os outros indicadores, mas, por questão de espaço, cito apenas mais um. Se é terrível saber que 18% das crianças negras nascidas em 1980 estudavam e trabalhavam aos 12 anos, é também terrível saber que 13% das crianças brancas de mesma idade faziam o mesmo: novamente, a sobre-representação dos negros nesse índice pode ser atribuída à pobreza. O que fica de escandaloso é que a escola brasileira retém e ensina pouco, seja para brancos, seja para negros. A obsessão “racialista”, porém, é tamanha que os autores, em vez de denunciar essa tragédia, preferem apenas documentar a já conhecida desigualdade.

“A qualidade da escola e as desigualdades raciais no Brasil”, de Maria Ligia de Oliveira, é o contraponto ideal a todos os capítulos do livro. A autora mediu o desempenho de alunos negros e brancos, de maior e menor renda, em algumas escolas públicas de boa e má qualidade, voltadas para um público carente. Constatou o que muitos já antevêem: alunos de maior renda têm desempenho melhor que alunos de baixa renda, alunos com mães com maior escolaridade têm desempenho melhor do que alunos com mães com menor escolaridade e alunos brancos têm melhor desempenho do que alunos negros.

Mas a autora descobriu que alunos de menor renda que freqüentam boas escolas têm desempenho melhor do que os alunos de renda mais alta que freqüentam escolas ruins. Da mesma forma, alunos com mães com menor escolaridade, quando estudam em colégios de boa qualidade, obtêm médias superiores às dos alunos com mães mais escolarizadas nas escolas de baixa qualidade. E, por fim, a autora constatou que crianças não-brancas em escolas de alta qualidade obtêm, em média, quase um ponto a mais que crianças brancas em escolas de menor qualidade (e praticamente empatam com a média obtida pelo conjunto de todos os alunos brancos). É claro que a boa escola aumenta a performance de todos os alunos, inclusive a dos brancos, mas a diferença média entre alunos brancos e não-brancos se reduziu, passando de 2,41 pontos nas escolas de baixa qualidade para 1,62 ponto nas escolas de alta qualidade.

Essa diferença, muito pequena, talvez se explique pelo fato de que no estudo, entre os brancos, os alunos de baixa renda somam 44,6% e, entre os negros, 58,7%. A autora destaca que o quesito de uma boa escola que mais influencia na performance do aluno é a expectativa favorável que as professoras têm de seus alunos. Sem querer destoar do tom geral do livro, talvez com isso a autora queira insinuar que a falta dessa boa expectativa, quando existe, seja decorrência do racismo. Creio, porém, que os termos da equação estejam trocados: o desempenho não é bom porque a expectativa é favorável, mas a expectativa é favorável porque, de fato, os alunos, mais bem servidos, demonstram mesmo melhor desempenho.

No fim das contas, o livro aumentou em mim a crença de que parte da nossa sociedade, ao desenvolver uma fixação por “racializar” todas as questões que envolvem os entraves para o nosso desenvolvimento, perde a noção de conjunto e deixa de ver que o problema brasileiro não é o racismo, mas a pobreza. E que a solução não reside em cindir a pobreza entre brancos e negros, beneficiando apenas os últimos, mas superá-la com crescimento econômico e distribuição mais igualitária da renda. E que investimentos maciços em educação de qualidade são o caminho seguro que devemos trilhar para alcançar estes objetivos.

ALI KAMEL é jornalista.

423) Duas novas embaixadas brasileiras...

Para fins de registro e reflexão: o serviço exterior brasileiro abriu novas embaixadas em Belmopan (Belize) e Malabo (Guiné Equatorial).

Domingo, Maio 14, 2006

422) Seria machista o número sete?

Piadinha recebida de uma lista, sobre por que o número sete se escreve com um traço no meio:

"Até os dias atuais muitas pessoas quando escrevem o numero 7 ainda o fazem utilizando uma barra horizontal (traço) suplementar na metade do algarismo.
Oficialmente este pequeno traço não existe, como dá para constatar digitando a tecla 7 do seu teclado de micro, calculadora ou qualquer outro aparelho que possua teclado.
Agora eu pergunto: Você sabe a origem deste costume???
Para responder temos que voltar muitos séculos atrás, aos tempos bíblicos, quando Moisés estava no Monte Sinai e lhe foram ditados os 10 mandamentos.
Ele, em voz alta, os foi dizendo à multidão, um por um.
Quando chegou no sete, Moisés anunciou:
- Não desejarás a mulher do próximo!
Um breve silêncio e a multidão grita em coro:
- Risca o sete, risca o sete!"

Como se diz: pano rápido... O autor da piada não explicou como Moisés estava escrevendo os dez mandamentos em algarismos arábicos, alguns séculos antes de sua introdução formal, mais passons sur l'anachronisme historique...

421) Ops!: eram os faraós anti-islâmicos?

Veja, edição 1956, 17 de maio de 2006

Fatwa contra os faraós
O Islã pode conviver com o Egito antigo? O mufti diz que não


O Egito é o mais populoso país muçulmano e também o depositário do mais impressionante patrimônio arqueológico do Oriente Médio. Pirâmides e imagens de pedra dão testemunho de 4.000 anos de história. Essas duas heranças culturais conviveram em relativa harmonia até agora – mas ninguém sabe o que pode ocorrer daqui em diante. No início do mês, um mufti, a mais alta autoridade em doutrina islâmica, baixou uma fatwa, um decreto religioso, condenando a exposição pública das imagens arqueológicas. O religioso baseou-se no princípio islâmico de que qualquer representação de figuras humanas exprime idolatria e, por isso, deve ser proibida – o mesmo conceito que levou o Talibã a explodir os budas gigantes do Afeganistão, em 2001. Um calafrio percorreu as autoridades egípcias. A fatwa não ameaça apenas os milhares de esculturas em museus e templos, mas também os trabalhos modernos expostos em praças públicas.

A questão não é apenas econômica – o turismo, que existe precisamente por causa do passado faraônico, é a segunda maior fonte de riqueza do país –, mas política, devido à força potencial de o decreto religioso desencadear uma onda de fanatismo e vandalismo. Até os religiosos estão preocupados com a proliferação de fatwas, cuja função principal é orientar o fiel em assuntos do mundo moderno. Basicamente questões que não existiam no tempo do profeta Maomé, como viajar de avião. Em sites especializados na internet, qualquer egípcio pode conversar on-line com os muftis e consultar fatwas anteriores, classificadas por temas ("esportes e jogos", "artes e entretenimento" ou "família") e por autor. O decreto contra o patrimônio arqueológico egípcio surgiu como resposta à dúvida de um cidadão comum.

O conservadorismo muçulmano está em alta no Egito e começa a afetar todos os aspectos da vida no país. "Há um grande recuo para o passado", diz Mohamed al-Sayed Said, do Centro de Estudos Estratégicos e Políticos, no Cairo. "Os modelos de desenvolvimento europeus, que guiaram o Egito desde o século XIX, vêm sendo abafados pelo aumento da religiosidade." Os sinais de perigo estão por toda parte. A Irmandade Muçulmana, grupo fundamentalista que serviu de inspiração para os terroristas da Al Qaeda e do Hamas, ganhou nas últimas eleições quase 20% das cadeiras do Congresso e se tornou a segunda maior força política do Egito.

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Agora eu pergunto: se os muftis pensam que tudo o que veio antes da palavra de Maomé é anti-islâmico (e a palavra do profeta só começa 1.400 anos atrás), tudo o que veio antes merece ser destruído?

420) A insustentável largueza do orçamento da Previdência...

O inacreditável saco sem fundo da Previdência precisa realmente ser sem fundo, para aguentar mais e mais assaltos organizados como este.
Apenas transcrevo, sem nenhum comentario:

Zero Hora, Porto Alegre, 11 de maio de 2006:
"Lula assina lei em beneficio de dirigentes escolares
Diretores, supervisores e orientadores de escolas de educação básica terão direito à aposentadoria conferida aos professores. A lei que concede o benefício de 25 anos de contribuição para a Previdência às mulheres e aos 30 aos homens entra em vigor com a publicação no Diário Oficial da União, prevista para hoje.
A regra foi sancionada ontem pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva e vai beneficiar 200 mil profissionais somente em colégios públicos. A nova regra, proposta pelos deputados Mendes Ribeiro (PMDB) e Neyde Aparecida (PT-GO), estende aos professores e especialistas em educação, quando no exercício de funções de direção, supervisão e orientação, o mesmo direito profissional em Sala-i-Martin de aula para fins de contagem de tempo de serviço e aposentadoria. Antes, diretores, supervisores e orientadores se enquadravam na aposentadoria comum - 30 anos de contribuição para as mulhers e 35 anos para os homens.
- Hoje, a escola não é formada apenas por professor, quadro e giz - afirmou a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE, Juçara Dutra".

Dixit...

419) Eu tambem quero ser uma ONG (amiga do poder, claro...)

Perguntar não ofende: são movimentos sociais ou máfias organizadas em assaltar os cofres públicos?

União repassou R$ 60 mi a entidades pró-Lula
MARTA SALOMON e ROGÉRIO PAGNAN (Brasília e São Paulo)
Folha de São Paulo, 30/04/2006 - 10h32

Mobilizadas para reagir a um eventual pedido de impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva, entidades de trabalhadores, sem-terra e estudantes receberam mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos nos primeiros três anos de mandato do presidente. O maior volume de dinheiro foi destinado ao MST e à CUT, investigados pelo Tribunal de Contas da União por desvio de verbas federais.
A Folha pesquisou os repasses de dinheiro dos impostos arrecadados pela União às três principais ONGs ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que não tem personalidade jurídica, à Central Única dos Trabalhadores e à UNE (União Nacional dos Estudantes).
Representantes das entidades se reuniram com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, na última terça, e planejam para junho uma grande manifestação pró-Lula. Seria uma reação a um eventual pedido de impeachment do presidente analisado pela OAB.
Os números não levam em conta repasses feitos às entidades por estatais, que fogem ao controle do Siafi (sistema informatizado de acompanhamento de gastos federais). Para a comemoração do Primeiro de maio, por exemplo, a CUT recebeu da Petrobras e da Caixa R$ 800 mil. Há dois anos, para promover os 20 anos da central, essas estatais investiram, com os Correios, R$ 760 mil.
Encarregado da interlocução com os movimentos sociais, o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) avalia que o governo Lula melhorou o diálogo com as entidades. "Mesmo aquelas dirigidas por adversários, como a CGT, tiveram interlocução maior." Dulci não opinou sobre o repasse de verbas públicas.

Salto
Sob Lula, ONGs ligadas ao MST foram as que mais ganharam. Mais do que quadruplicou o volume de recursos repassados para programas de capacitação profissional e de alfabetização ou cursos de formação política --principais formas de captação de recursos públicos pelos sem-terra.
Entre 2000 e 2002 --três últimos anos da administração Fernando Henrique Cardoso--, a Anca (Associação Nacional de Cooperação Agrícola), a Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária) e o Iterra (Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária) receberam da administração direta pouco mais de R$ 7 milhões. Nos três primeiros anos de mandato de Lula, foram repassados quase R$ 30 milhões às entidades.
A comparação do mesmo período (três últimos anos da administração FHC contra os três primeiros de Lula) mostra queda de repasses à CUT. Mas, em julho de 2003, o TCU mandou suspender o repasse às centrais sindicais, depois de apurar o desvio de dinheiro do Planfor, programa destinado à capacitação profissional.
Em 2004, a CGU (Controladoria Geral da União) criticou formalmente o descumprimento das determinações do TCU. Mas o Ministério do Trabalho insistiu no entendimento de que a suspensão dos repasses se limitava ao Planfor.
Num reexame das prestações de contas do programa, o ministério apurou desvio de R$ 9,9 milhões por parte da CUT. Procurada pela Folha, a assessoria do ministro Luiz Marinho disse que não há conclusão sobre a devolução do dinheiro aos cofres públicos.
O Ministério do Trabalho manteve os pagamentos destinados ao Plansine, programa que cuida da recolocação de desempregados no mercado de trabalho. A CUT também vem recebendo repasses do Ministério da Educação para programas de alfabetização.

Irregularidades
Entre as irregularidades apontadas na CUT, o tribunal encontrou um único trabalhador, de nome Adão de Jesus Evling Naysinger, inscrito em 25 cursos em seis cidades diferentes. A Força Sindical, igualmente condenada pelo TCU, continuou recebendo dinheiro público em volume maior do que a CUT em 2003 e 2005.
Alvo de investigações por desvio de verbas como a CUT, as principais ONGs ligadas ao MST foram cobradas pelo TCU a devolver R$ 15 milhões aos cofres públicos. É o valor corrigido no final de 2005 das verbas supostamente desviadas pela Anca e pela Congrab. A maior parte das irregularidades foi registrada em convênios feitos no governo Lula.
Em menos de quatro meses, a Anca já recebeu, só neste ano, R$ 2,9 milhões, segundo registros do Siafi. No mesmo período, foram repassados à UNE R$ 735 mil --71% do total repassado em 2002, último ano de governo FHC.
Em 2005, a UNE recebeu num só dia (22 de julho) R$ 770 mil do Ministério da Cultura. A verba foi para atividades culturais, e a prestação de contas está em aberto. A pesquisa no Siafi foi feita com o apoio da ONG Contas Abertas.

Sábado, Maio 13, 2006

418) Brasil vs Bolivia: entrevista Luiz Olavo Baptista


Um vexame históricoO BRASIL FOI HUMILHADO
O jurista Olavo Baptista: Morales fez o jogo de Davi contra Golias

O jurista paulista Luiz Olavo Baptista tem uma função estratégica nas disputas econômicas internacionais. Há quatro anos, ele ocupa uma das sete cadeiras do órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio, uma espécie de suprema corte global dos negócios. Baptista ficou indignado com a reação do governo Lula à invasão das refinarias da Petrobras promovida pelo governo boliviano. Nesta entrevista ao repórter Fábio Portela, ele diz que Lula submeteu o Brasil a um vexame histórico.

A BOLÍVIA DESRESPEITOU REGRAS DO DIREITO INTERNACIONAL AO TOMAR AS REFINARIAS DA PETROBRAS?
A principal regra do direito internacional é que os Estados devem se tratar com respeito. A Bolívia, ao contrário, humilhou o Brasil. O que o presidente Evo Morales fez é inaceitável sob qualquer ponto de vista. Estou inconformado com o episódio e tenho a impressão de que o Brasil inteiro também está. O pior é receber o desaforo, a humilhação, e ver que quem deveria falar por você não só deixa de reagir como diz que o outro está certo. É um vexame histórico.

COMO O GOVERNO DEVERIA TER DEFENDIDO OS INTERESSES BRASILEIROS?
Em primeiro lugar, era preciso deixar claro que o Brasil não aceita a forma como foi feita a tomada das refinarias, com tropas, invasões e aquela encenação toda. Morales poderia ter alcançado o mesmo resultado sem humilhar o Brasil. Por que agiu assim? Por uma razão política. Ele usou o Brasil para dizer ao povo boliviano: olha, eu sou o Davi e derrubo o Golias com uma pedrada só. Fez uma humilhação calculada. Portanto, a primeira coisa que deveria ter sido feita era exigir um pedido formal de desculpas, o que, aliás, também faz parte das negociações internacionais.

O QUE O BRASIL GANHARIA COM UM PEDIDO DESSES?
A posição brasileira nas negociações sairia fortalecida. Do jeito que a coisa vai, os bolivianos continuam falando grosso e fazendo ameaças mesmo depois de terem tomado os ativos da Petrobras. O Brasil ficou do jeito que está – de joelhos – porque não reclamou. Quem vai respeitar o Brasil depois disso?

E O QUE PODERIA SER FEITO PARA COMPENSAR O PREJUÍZO DAS EMPRESAS QUE PERDERAM SEUS ATIVOS?
Esse seria o segundo passo. Depois do pedido de desculpas, o governo deveria exigir que a Bolívia ressarcisse imediatamente os brasileiros. Também seria preciso montar equipes de advogados e levar o caso para a Corte Internacional de Haia. Isso não ocorreu. Outra opção seria oferecer proteção diplomática às empresas, dando uma garantia oficial aos investimentos brasileiros.

COMO FUNCIONA A PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA?
O mecanismo é assim: o governo entra com ações junto às cortes internacionais para obrigar a Bolívia a indenizar o Brasil pelos bens expropriados. No caso específico, os ativos da Petrobras. A Bolívia, então, teria de explicar por que se acha no direito de tomar os bens alheios. Só se poderia discutir o assunto da forma camarada como o Itamaraty está fazendo depois que essas providências fossem tomadas.

ENTÃO NÃO FOI UMA BOA ESTRATÉGIA ABRIR NEGOCIAÇÕES IMEDIATAMENTE?
Foi péssimo. E pior: as conversas nunca deveriam ter sido abertas pelos presidentes. Nenhuma negociação internacional deve começar pelos chefes de Estado, porque, em última instância, são eles que vão decidir. Quando os presidentes entram em campo, acaba a margem de manobra que os diplomatas têm para negociar. Por isso, qualquer amador sabe que assuntos dessa natureza e complexidade devem primeiro ser tratados em nível ministerial. Lula aceitou aquela reunião na Argentina, e o que aconteceu? Morales apareceu lá com Hugo Chávez a tiracolo, posando de organizador da reunião. Nessa hora, Chávez enterrou Lula definitivamente e acabou com qualquer pretensão do Brasil de ser uma liderança latino-americana.

O CHANCELER CELSO AMORIM GARANTE QUE A LIDERANÇA DE LULA NA AMÉRICA LATINA SEGUE FIRME.
O ministro Amorim sabe o tamanho do estrago e tenta remediá-lo. Ele declarou que Lula deu um pito em Chávez e em Morales nos bastidores. Se isso tivesse de fato ocorrido, não deveria se tornar público. Um diplomata experiente como Amorim não divulgaria essa informação. O que ele quer é preservar a imagem do presidente. Com essa intenção, acaba atuando como uma espécie de marqueteiro internacional de Lula. Dessa forma, ele está destruindo sua reputação e sua carreira.

ALÉM DA HUMILHAÇÃO, QUE OUTROS REFLEXOS A CRISE COM A BOLÍVIA PODE TRAZER?
Para os empresários nacionais, é uma tragédia. O governo sinalizou o seguinte: não invistam no exterior, porque eu não vou protegê-los. Para o resto do mundo, o recado é ainda pior: se o investimento é de brasileiro, pode passar a mão grande, porque o país não reage. Se o governo não faz nada pela Petrobras, da qual ele é dono, imagine por outras empresas brasileiras.

A FRANÇA E A ESPANHA TAMBÉM FORAM ATINGIDAS PELAS MEDIDAS DE MORALES. REAGIRAM COMO O BRASIL?
Não. Tomaram as providências cabíveis. Notificaram à Bolívia que querem ser indenizadas imediatamente, e seus advogados já trabalham para contestar judicialmente as expropriações.

O BRASIL PODERIA, ENTÃO, TER-SE RECUSADO A NEGOCIAR O REAJUSTE DO PREÇO DO GÁS BOLIVIANO?
Claro. O Brasil deveria exigir o cumprimento dos contratos já firmados. Eles prevêem o reajuste de preço a cada três meses, seguindo oscilações do petróleo. Também prevêem a possibilidade de alteração de suas cláusulas a cada cinco anos. Por causa disso, não se pode dizer que os contratos não sejam equilibrados. Não há por que rasgá-los de uma hora para a outra. Querem discutir o preço do gás? Tudo bem, mas é preciso levar em conta outros elementos. Inclusive o fato de que o Brasil pagou, durante anos, por um gás que não consumiu. A Petrobras poderia ser compensada por isso. Seria legal, legítimo e civilizado. Mais: se Morales quer mudar as regras, por que não vai a Brasília negociar? O governo Lula, ao contrário, despacha autoridades para discutir as regras em campo adversário.

O BRASIL E A BOLÍVIA INTEGRAM A COMUNIDADE SUL-AMERICANA DE NAÇÕES. OS ATOS DE MORALES NÃO PODERIAM SER QUESTIONADOS NO ÂMBITO DESSA ASSOCIAÇÃO?
Nunca vi, na história recente, uma época em que o Brasil estivesse tão isolado na América Latina como agora. Veja: o país tentou emplacar o presidente da OMC e ficou sozinho. Tentou o presidente do Banco Mundial e também ficou sozinho. No Conselho de Segurança da ONU, além de estar sozinho, ainda enfrenta a oposição de países como a Argentina. Nessa crise com a Bolívia, nenhum outro país fez um gesto sequer de solidariedade.

A POLÍTICA EXTERNA DE LULA NAUFRAGOU?
Desde o barão do Rio Branco, a política externa brasileira sempre teve a mesma linha mestra. Neste governo, houve uma guinada política muito grande. Trocamos o pragmatismo pela ideologia, e a coisa saiu dos trilhos. Desde que o presidente Lula assumiu, o país perdeu respeito na América Latina.

417) Assim marcha a América Latina (ou não...)

Do blog de Josias de Souza, da Folha de São Paulo, 13/05/2006

Chávez, Evo e Fidel, os 'meninos do mal'
Os presidentes-companheiros Evo Morales (Bolívia) e Hugo Chávez (Venezuela) participaram neste sábado do encerramento da Cúpula Social, um encontro paralelo à reunião de líderes europeus e latino-americanos realizada em Viena. Estavam acompanhados de Carlos Lage, vice-presidente de Cuba, informa a agência espanhola Europa Press.
Chávez empolgou a platéia ao desancar os EUA. Anunciar que Bolívia, Venezuela e Cuba estão dispostos a continuar desempenhando o papel de “meninos do mal do império”. Referiu-se a Havana, La Paz e Caracas como o verdadeiro “eixo do mal”.
A fala do presidente venezuelano foi entrecortada por aplausos entusiásticos. Uma multidão estimada em 1.500 pessoas pôs-se a gritar: “Evo, Evo!”. Ou: “Uh, ah, Chávez no se va”. Ou ainda: El pueblo unido jamás será vencido”. ,
Durante a cerimônia, os oradores mascaram folhas de coca, para deleite de Morales. “Coca não é cocaína”, disse Chávez, anunciando que Venezuela e Cuba começaram a importar folhas da Bolívia. Com coca, disse, pode-se fazer pão, chá, dentifrício ou medicamentos. “Que saborosa está a coca, Evo”, disse, enquanto mascava. “Mande-me mais”.
Em seu discurso, Morales disse que vai mudar a Bolívia, “mas sob a democracia”. Repetiu palavras que diz ter ouvido do companheiro-ditador Fidel Castro: “Não façam o que eu fiz. Façam o que foi feito por Hugo Chávez, derrotar o imperialismo na democracia.” Foi aplaudido ao referir-se à decisão de nacionalizar as reservas de gás e petróleo da Bolívia.
O presidente boliviano relatou à platéia passa horas ao telefone com Fidel Castro. Disse que a conta de telefone lhe sai cara. Desceu a detalhes. Disse que certas ligações são tão demoradas que chega a tomar dez cafés enquanto fala. Outra curiosidade: Morales disse que costuma disfarçar-se com uma peruca para misturar-se ao povo boliviano.
Quanto a Chávez, dedicou a maior parte de suas intervenções –num total de três—às críticas aos EUA. “Terminaremos rompendo o império como se rompe o papel e surgirá livre o povo de Abraham Lincoln e Luther King.” Dirigindo-se ao governo de Washington, declarou: “Chegou o sábado de vocês, senhores porcos.”
Em timbre de catástrofe, Chávez disse que se aproxima “a quarta guerra mundial”. Disse que Cuba, Venezuela e Bolívia estarão na linha de frente (tremei, Bush!). “Se o império se atreve, nós o faremos moder o polvo da derrota no Caribe e na América Latina. Referindo-se ao Tratado de Livre Comércio das Américas, disse: “A Alca ao caralho”.
Como se vê, Lula está bem arranjado com os parceiros preferenciais de sua política externa para a América Latina.

Escrito por Josias de Souza às 20h18

416) The diminishing of Brazil - The Economist (May 11, 2006)


The diminishing of Brazil

May 11th 2006 | BRASÍLIA
From The Economist print edition
Brazil's Lula da Silva has been humiliated by Venezuela's Hugo Chávez. But there are limits to the new giant's clout.

IT HAS long been the dream of Brazil's politicians and diplomats to augment their country's stature in the world by positioning it as the undisputed leader of a united South America. But as Latin America's leaders gather this weekend in Vienna for a meeting with their European counterparts, their region has rarely looked so divided. And many Brazilians complain that their president, Luiz Inácio Lula da Silva, is being turned into an irrelevant bystander in his own backyard by Hugo Chávez, Venezuela's oil-rich populist leader.

The immediate uproar was prompted on May 1st by the decision by Evo Morales, Bolivia's socialist president, to order the nationalisation of his country's oil and gas industry. He was fulfilling a campaign promise. But he was advised, and apparently inspired, by Mr Chávez. The chief victim of his decision was Brazil. It is the largest consumer of Bolivian gas. Petrobras, the Brazilian national oil company, was the largest investor there. Brazil may now have to pay up to 60% more for the gas.

Lula's response looked feeble. Instead of asserting Brazil's contractual rights, he held a meeting not just with the Bolivian leader and Argentina's president, Néstor Kirchner, but also with Mr Chávez on May 4th. Lula said that Bolivia was acting within its rights. In return, Mr Morales offered to refrain from cutting off gas supplies and to negotiate their price.

To critics of the Lula government, Brazil's meekness unmasked the confusion at the heart of its foreign policy. In making alliances, they claim, it has put presumed ideological affinity above national interest and a rules-based approach to regional integration. “The entire thrust of Brazilian diplomacy for the past 20 years has been damaged,” wrote Rubens Barbosa, a former ambassador to Washington, in a newspaper column.

Since Lula is likely to seek a second term at an election in October, there is some partisanship in such criticisms. Officials say that Brazil will never use a big stick against its neighbours. But there is also some foundation. Take the United States, Brazil's largest single trading partner. Celso Amorim, the foreign minister, insists that good relations are “essential” for Brazil. But according to his deputy, Samuel Pinheiro Guimarães, who is the foreign ministry's chief ideologue, Brazil must “react to the political initiatives...of the hyperpower” by “promoting political alliances with the states of the periphery.”

That has led Brazil to stress relations with countries in Africa, the Middle East and Asia, with meagre results. For good reasons, Brazil favoured the Doha round of world-trade talks over the 34-country Free Trade Area of the Americas (FTAA), sponsored by the United States. But with the Doha round floundering, Brazil is left with few alternatives.

On taking office in January 2003, Lula proclaimed regional integration to be his top foreign-policy priority. Yet Mercosur, the putative customs union established by Brazil with Argentina, Paraguay and Uruguay in 1994, has never been in greater disarray. “Brazil went for a dream of South American unity before strengthening and deepening Mercosur,” says Alfredo Valladão of Sciences-Po, a French university.

A 12-country South American Community of Nations, launched in 2004, is doomed to irrelevance by internal splits. Colombia and Peru have joined Chile, Mexico and Central America in signing bilateral trade agreements with the United States. Now Uruguay is threatening to follow suit. “Mercosur is more a problem than a solution for Uruguay,” its president, Tabaré Vázquez, said recently. Brazil has done nothing to restrain Argentina's Mr Kirchner from trying to bully Uruguay into halting two big paper mills, which he claims will pollute a shared river.

“We have not done everything we should have done for smaller economies in Mercosur,” admits Mr Amorim. The group needs an “integrated industrial policy” and a common policy on government procurement, things which require “a change in culture, especially in the bigger countries,” he says.

Mr Chávez's project is very different from Brazil's. He has signed up Mr Morales to the “Bolivarian Alternative”, his political alliance with communist Cuba. He wants nothing to do with countries that sign trade agreements with the United States. Where Brazil wants to integrate, Venezuela wants to divide. Under Mr Chávez, an elected autocrat, Venezuela has respected neither contracts nor democratic norms. Yet not only has Brazil remained silent about such conduct, it has encouraged Venezuela to join Mercosur. Such reticence to scold is partly because Brazilian construction firms have big projects in Venezuela, says Rafael Villa, a Venezuelan at the University of São Paulo.

A hard line against Venezuela would backfire, counters Mr Amorim. He says that within the limits of non-intervention Brazil uses whatever influence it has to reinforce democracy in Venezuela. That influence, he claims, is limited by the United States, which has blocked the sale of Brazilian aircraft to Venezuela. The “verbal cold war” between Mr Chávez and George Bush's administration makes it much more difficult to build bridges between Venezuela's government and the opposition, he says.

Maybe so. But Brazil has failed to articulate a clear alternative to chavismo. Not so long ago, its leaders had a vision of regional integration based on the outspoken defence of democracy, respect for treaties and on linking Mercosur to the world through, for example, a free-trade pact with the EU. It is hard not to conclude that this vision is being sacrificed to a puerile impulse to embrace those who peddle the populist rhetoric of “anti-imperialism”. For that, Brazilians may soon pay a price.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

415) Uma defesa (surpreendente) das posições bolivianas

O artigo abaixo, do ex-presidente do BNDES, constitui o que eu chamaria de renúncia preventiva à soberania nacional. É inacreditável como certas pessoas aceitam diminuir os interesses nacionais...

Opinião
Petrobras, soberania e geopolítica
Carlos Lessa
Jornal Valor Econômico, 12 de maio de 2006

Parabéns ao presidente Lula por sua declaração. Confirmou a única dimensão de seu governo consistente com o programa original do PT: a política externa. Qualquer ensaio de truculência seria jogar uma pá de cal sobre o sonho da integração sul-americana. O Brasil seria, para os vizinhos, uma potência subimperialista.

A nota destoante é o anúncio que a Petrobras irá recorrer à Justiça Internacional, com sede em Nova York, contra o decreto presidencial boliviano. A medida será tomada porque a Petrobras é uma empresa "no mercado", com ações na Bolsa de Valores de Nova York e, como terá perdas, "deve satisfação aos seus acionistas". Ao se alinhar aos padrões de comportamento do mercado de valores internacional, a Petrobras cancela, em parte, o mérito geopolítico da declaração do governo brasileiro. A Petrobras está mais preocupada em atender aos especuladores da Bolsa de NY do que atuar como instituição do Estado nacional brasileiro. Esta é a visão neoliberal: por esta doutrina, a Petrobras é uma petroleira como as outras; deve competir em nível mundial. Seu desempenho é medido pelo valor bursátil de suas ADR e pelos dividendos que distribui.

Petróleo não é commodity. É o combustível dos motores a explosão. Tem milhares de subprodutos. Constitui o pilar das estruturas de produção e é basilar do padrão de vida das economias modernas. Por isto é recurso estratégico que orienta, por excelência, a geopolítica das potências. Estados Unidos, Japão, União Européia e China não têm petróleo suficiente para suas respectivas economias. O desequilíbrio americano é brutal; consome quase um terço do petróleo do mundo e é incapaz de produzir sequer a metade do que consome. O cenário futuro é pior, pois a curva de descobertas de petróleo tem caminhado, nos últimos 20 anos, cada vez mais abaixo da curva de consumo mundial. A geopolítica do império americano é referenciada ao petróleo. Por isso está, armado, no Iraque; por isso apóia a dinastia saudita; por isso rosna em relação ao Irã; por isso cobiça todos os "países do ão" (Cazaquistão, Azerbaijão etc).

Durante os anos 90, o neoliberalismo fez tudo para abalar a Petrobras como instrumento do Estado nacional. Sem coragem de privatizá-la com os "martelinhos", buscou corroê-la. Desmembrou-a e privatizou a petroquímica. Retirou-lhe, por Emenda Constitucional, o monopólio das reservas de petróleo e gás. Passou a licitar, para empresas estrangeiras, concessões nos campos potenciais brasileiros e lhes conferiu o direito de exportar petróleo. Simultaneamente, impulsionou a Petrobras a competir por reservas em outros países. Lançou, irresponsavelmente, o Brasil no caldeirão da economia mundial do petróleo.

Ao invés de desfrutarmos da vantagem estratégica da auto-suficiência, estaremos sujeitos às chuvas e trovoadas da geopolítica imperial. A decisão tucana levou a Petrobras para a Bolívia, país mais pobre da América do Sul, com a imensa maioria de sua população (70%) em condição miserável. A Bolívia é traumatizada, historicamente pelo saque de suas riquezas naturais. O Potosi boliviano, o maior depósito de prata do mundo, se esgotou em fins do século XVIII. Nada ficou na Bolívia. Posteriormente, com o uso da folha estanhada, o altiplano desenvolveu a extração do estanho. Dois bolivianos - Patiño e Aramayo - e um argentino - Hotchild - dominaram as minas e, a partir da Bolívia, passaram a controlar o cartel mundial de estanho; praticamente nada ficou na Bolívia. O país tem a segunda maior reserva de gás natural de petróleo do continente, apenas inferior à Venezuela. Na era tucana, a Petrobras foi para a Bolívia. Nossa empresa financiou e construiu o trecho boliviano do gasoduto e pesquisou gás, e teve êxito nos campos de San Alberto e San Antonio. Após 2003, a Petrobras tem oferecido apoio para a montagem de usinas termelétricas e a construção de um pólo gás-químico na Bolívia. Contudo, o povo boliviano percebe a Petrobras como mais um "vampiro" a sugar suas riquezas.

A Federação Única de Petroleiros apoiou a decisão boliviana. Seu coordenador declarou: "Nós, brasileiros, também lutamos pela manutenção e proteção das nossas reservas". O Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo afirmou que "a posição dos trabalhadores brasileiros é de apoio integral à decisão do presidente boliviano". Ambas entidades, corretamente, colocam a questão em garantir o abastecimento e renegociar o preço do gás boliviano. Importamos da Bolívia 26 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Para aquele país é fundamental a compra brasileira. Podemos suprir com hidroeletricidade o consumo termelétrico de gás. O diretor da Petrobras, Guilherme Estrela, lembra que não tem sentido estimular o consumo veicular de gás natural, pois o Brasil tem sobra de gasolina, que é exportada. A Bolívia contribui apenas com 2% da rentabilidade da Petrobras, apesar de representar 15% do PIB daquele país paupérrimo. Em 1937, a Bolívia nacionalizou a Standard Oil, depois de participar da Guerra do Chaco (1932-1935), na qual morreram centenas de bolivianos e na qual o país perdeu 200 mil Km² do Chaco para o Paraguai; na ocasião descobriram um oleoduto clandestino. Em 1969, a Bolívia desapropriou a Golf Oil. O Brasil pode renegociar US$ 1,5 bilhão que lá investiu, em troca parcial por gás.

A Petrobras deveria recuar para o Brasil. As licitações deveriam ser interrompidas. Deveríamos, como a China, guardar o nosso petróleo para os tempos difíceis que se avizinham. A Petrobras, se lançando no mundo como uma petroleira voraz, e a permissão para que empresas estrangeiras extraiam e exportem petróleo, joga o Brasil no caldeirão geopolítico. A auto-suficiência de petróleo dá ao Brasil uma imensa vantagem estratégica. É temerário para um país que não é e nem pretende ser potência, e que não quer ser imperialista, entrar na zona do furacão energético.

414) Bolivar chega ao Brasil (não o próprio, mas aqueles que surfam na onda do bolivarismo...)

Transcrevo abaixo remessa recebida de um amigo, sem qualquer paranóia, sobre a formação de circulos bolivarianos no Brasil (e, se supõe, no resto da AL).
Para quem não conhece a terminologia da esquerda tradicional, esclareço que todas as instruções estão redigidas em comunistês cubano, isto é, a velha língua surrada do movimento comunista ao estilo rançoso do stalinismo ofensivo (contra o inimigo imperialista, por supuesto). Inacreditável como coisas vindas de outras épocas, praticamente do pré-cambriano marxista na América Latina, ainda encontram espaço em nossa realidade. Não há muita diferença com lavagem cerebral de grupos integristas religiosos...

Subject: Re: circulo bolivariano
Date: Wed, 10 May 2006 17:27:19 -0300

Estimado *,
Desculpe a demora em entrar em contato. Estava viajando, em meio as atividades do II Fórum Latino-americano dos trabalhadores da energia. A companheira nos comentou a inteçao de vocês fomarem um Circulo Bolivariano. Neste site estáo as instruçoes para a conformaçao de circulos nacionais na Venezuela: http://www.gobiernoenlinea.ve/cartelera/RequisitosConformarCB.pdf

Atualmente eles não estáo fazendo o registro de novos circulos dentro do país. Mas de qualquer forma, segue crescendo cada vez mais os circulos bolivarianos fora da Venezuela. Assim que este documento serve somente como referencia. Uma vez conformado um grupo e redatada uma ata de fundaçao do Circulo que vocês formaráo o passo seguinte é só colocar máos a obra: Mobilizaçoes, declaraçoes, atividades de conscientizaçao da populaçao com relaçao a integraçao, ao imperialismo, seminarios, atividades culturais, entre tantas outras açoes que contribuam a nossa integraçao. A todas elas nos disponos a dar divulgaçao atraves dos sites
www.congresobolivariano.org
www.emancipacion.org

Estimados, acredito que seja oportuno esclarecer que nós não coordenarmos as atividades dos Circulos Bolivarianos. O Congresso Bolivariano dos Povos é uma rede de organizaçoes populares (políticas, sociais, sindicais, indigenas, etc), entre elas se incluem alguns circulos bolivarianos, de toda a América Latina e Caribe em prol da integraçao latino-americana. Nós nos dispomos a aprofundar este primeiro contato a fim de que o grupo de vocês se somem as nossas atividades. Abaixo envio um informativo das nossas proximas atividades e lhes convidamos a se somar a elas também. Desculpa mais uma vez a demora. Estamos aqui as órdens para qualquer dúvida. Um grande abraço bolivariano.
Fernanda Brozoski
*
A 180 anos do Congresso Anfictiónico do Panamá
Jornada Integracionista e Antiimperialista.


"SIM À INTEGRAÇÃO, FORA IANQUES DA NOSSA AMÉRICA"

1. O imperialismo, principal inimigo da integração
O imperialismo ianque e seus lacayos continuam con sua estratégia de dividir os povos. Os ataques, por parte do governo estadounidense se incrementam significativamente contra todos aqueles governantes e povos que lutam pela integração latino-americana e caribenha, sustentada na solidariedade, na cooperação, na complementação e no respeito à soberania.

2. Outra América está em marcha.
Contudo, como assinala o Comandante Hugo Chávez: "a hora de América Latina chegou". A América do Sul avança rumo a integração e os governos revolucionários e progressistas da região somam esforços. Cada dia aumenta a necessidade de que os povos e suas organizações populares defendam os passos já dados e aprofundem ainda mais o caminho da unidade e da soberania da América Latina Caribenha.

3. Defender a integração com a mobilização dos povos.
Com esta finalidade, desde o Congresso Bolivariano dos Povos, convocamos a todas as organizações populares do continente a realizar atos e mobilizações na Jornada Integracionista e Antiimperialista que se realizará entre os dias 11 e 22 de junho, sob a consigna unificadora: "Sim à integração, fora ianques de Nossa América". Apelamos às melhores ferramentas com que contam os povos: a mobilização e a consciência.

4. Um só e poderoso punho para golpear o inimigo.
Se por um lado o lema do imperialismo desde sempre foi "Divide e reinarás", em contrapartida as organizações populares da América Latina e Caribe devem ser concientes, hoje mais que nunca, de que "a união faz a força". Muitos atos isolados, sem coordenação e sem consignas unificadas, golpeiam debilmente ao poder imperial e seus aliados. Uma Jornada de 10 dias, com atos e mobilizações coordenadas, com uma mesma divisa e com uma difusão adequada, demonstrá a sólida decisão dos povos da Nossa América de expulsar o imperialismo da Pátria Grande.

5. 180º Aniversário do Congresso Anfictiónico do Panamá.
No dia 22 de junho será celebrado o 180º aniversário do Congresso Anfictiónico do Panamá, a tentativa mais profunda, até o momento, de nos integrar em uma grande confederação de repúblicas. Este Congresso foi convocado pelo Liberador Simón Bolívar em consequência da vitória contra as forças colonialistas espanholas. Desta forma, assentamos esta convocatória integracionista e anti-imperialista em um dos mais relevantes antecedentes históricos da luta pela integração e resgatamos a força e determinação com que nossos povos sempre combateram as forças opressoras colonialistas.

6. Uma só consigna: "Sim à integração, fora ianques da Nossa América"
Unificados e fortalecidos em uma mesma bandeira propomos, desde a Secretaria
de Organização e do Capítulo Venezuela do Congresso Bolivariano dos Povos, às forças populares e a todas as organizações patrióticas, democráticas e anti-imperialistas do continente a realização de eventos populares diversos, que expressem nossa luta e promovam a conscientização da população:

Tipos de atividades:
- Mobilizações
- Concentrações
- Espetáculos político-culturais
- Conferências
- Debates
- Cursos especiais
- Seminários
- Outros (cinema; recital; exposição, programas de rádio, etc)

7. Propaganda, meios de comunicação e difusão
A TV Sul (Telesur), um meio de comunicação a serviço da integração Latino-americana, acompanhará e cobrirá todas as mobilizações que forem programadas. A Secretaria de Organização do Congresso Bolivariano também dará difusão necessária (antes, durante e depois) a cada um dos eventos, tanto através dos meios de comunicação próprios, como da mídia alternativa e comunitária de toda a América Latina Caribenha.

Para isto é fundamental que as organizações envolvidas façam "uma ponte" de coordenação com esta Secretaria para divulgar entrevistas, convocatorias, comunicados etc. Esta conexão permitiria também uma maior concentração de arquivos de imagens, videos, discursos, entre outros.

8. "Unidade é a divisa", dizia Simón Bolívar.
Para um melhor registo da Jornada é importante que todas as organizações, se possível, confeccionem um cartaz principal, respeitando a consigna unificadora "Sim à integração, fora ianques de Nossa América". Também de acordo com as possiblidades e não imprescindível, confeccionar um cartaz do Congresso Bolivariano dos Povos e todos aqueles outros que identifiquem às organizações populares e expressem as consignas particulares acordadas entre os organizadores de cada evento.

9. Consciência, trabalho e unidade para vencer.
Desde a Batalha de Ayacucho, onde unidos derrotamos o colonialismo mais poderoso da época, nós latino-americanos e caribenhos não pudemos entrar em acordo para lutar mancomunadamente. As circunstâncias atuais requerem o maior esforço para encontrar caminhos de unidade e coordenação. A Jornada Integracionista e Anti-imperialista será o começo desta longa marcha para a Segunda Independência e a Unidade.

"Na unidade está a salvação", aponta o Comandante Fidel Castro.
"Ou nos unimos ou nos afundamos", sentenciou Hugo Chávez desde a Venezuela
Bolivariana.

10. E depois...?
A Secretaria de Organização do CBP se compromete em realizar, com o material recebido (crônica, fotos, discursos e video) um video e um folheto especial testemunhando a Jornada. Esse material será entrege a cada uma das organizações envolvidas na Jornada, a fim de realizar uma correta avaliação e um Plano de Trabalho para ser debatido no III Congresso Bolivariano dos Povos. Este material também será entregue aos presidentes Hugo Chávez, Evo Morales, ao comandante Fidel Castro, e outros governantes e dirigentes progressistas do continente.

Fernando Bossi, Secretário de Organização do CBP
fernandobossi@emancipacion.org
Página web: www.congresobolivariano.org

Quinta-feira, Maio 11, 2006

413) Guia do torcedor na Copa do Mundo...

Serviço de utilidade pública:

Para quem pretende viajar à Alemanha para a Copa do Mundo, um guia do serviço de assistência consular do Itamaraty:

http://www.mre.gov.br/portugues/servico_consular/brasileiros/assistencia/index.asp

412) Ameaças para o capitalismo americano...

Felix Rohatyn é um capitalista americano que mais se aproxima de um acadêmico de esquerda, digamos assim, ou pelo menos tem preocupações sociais e políticas. Neste artigo publicado no Le Monde, o ex-embaixador (de Clinton) em Paris, emite sua opinião sobre as “ameaças” estrangeiras a empresas americanas. Ele não é um xenófobo, apenas acha que empresas públicas, que têm um Estado atrás de si (mormente quando esse Estado é a China), não podem ser tratadas como empresas privadas “normais”. Ele também está preocupado com o crescimento do déficit público americano e a dependência criada do dinheiro estrangeiro, por acaso, em grande medida, chinês...

Point de vue
Menaces sur le capitalisme américain, par Felix G. Rohatyn
LE MONDE | 11.05.06 | 14h54

La question de la prise de contrôle d'entreprises américaines et européennes par des intérêts étrangers agite régulièrement, depuis environ deux ans, les marchés financiers et les systèmes politiques. Une entreprise énergétique chinoise, Cnooc (Chinese National Offshore Oil Company), a tenté d'acquérir le groupe pétrolier américain Unocal, mais a dû renoncer devant l'opposition du Congrès. Peu après avoir acquis le contrôle de six ports américains, une compagnie basée à Dubaï a dû promettre de transférer la gestion des opérations à une entité américaine à la suite d'une vigoureuse opposition de l'opinion publique emmenée par des élus au Congrès des deux partis.

L'année dernière en France, le gouvernement français est intervenu pour protéger Danone, dont la rumeur disait qu'elle était menacée par une OPA américaine qui ne s'est jamais matérialisée. La France tente actuellement de protéger le groupe franco-belge de production et de distribution d'énergie Suez contre une OPA envisagée par Enel, une entreprise publique italienne. Mittal Steel, groupe contrôlé par une famille indienne, a suscité des inquiétudes en cherchant à acquérir un des plus gros sidérurgistes européens, Arcelor. En Grande-Bretagne enfin, des rumeurs concernant l'intérêt que manifesterait la compagnie russe Gazprom à l'égard d'une entreprise britannique de distribution de gaz mettent en émoi les marchés aussi bien que l'opinion publique.
Ces événements traduisent un changement majeur dans la répartition de la richesse mondiale. De plus en plus, les principaux exportateurs mondiaux (Chine, Japon et pays producteurs de pétrole) recycleront le capital qu'ils ont accumulé dans l'acquisition d'actifs américains pour intégrer l'économie du monde développé.
Mais il existe une différence souvent négligée entre un investissement opéré par une entité gouvernementale étrangère, comme Cnooc ou Dubaï Ports, et l'investissement d'une compagnie étrangère privée. Lorsqu'il s'agit de firmes étatiques, les règles du jeu sont faussées, car leurs objectifs peuvent ne pas être d'ordre commercial. Gardons en mémoire que la Chine disposera sous peu de réserves en dollars d'un montant de 1 000 milliards, à peu près autant que ce dont disposent le Japon et les pays de l'OPEP.
Jusqu'à présent, les Etats-Unis ont financé leur déficit commercial en vendant la dette américaine aux banques centrales étrangères. Tôt ou tard les créanciers étrangers de l'Amérique pourraient décider de transformer une plus grande partie de leurs avoirs en capitaux propres plutôt qu'en créances du Trésor américain. Si un tel scénario venait à se réaliser, l'affaire de Dubaï Ports apparaîtrait comme un épisode vraiment mineur. Souligner ces faits ne procède d'aucune xénophobie. Mais il est temps de réfléchir à leurs implications pour les Etats-Unis, à leurs conséquences en termes sociaux, politiques et de sécurité, et aux mécanismes dont nous disposons pour y faire face.
Le monde des affaires exerce une grande influence dans la vie de tous les jours aux Etats-Unis. L'entreprise américaine fait plus que produire et commercialiser. Elle pèse sur la politique nationale à travers ses organismes professionnels et l'action de ses lobbyistes. Elle soutient ses représentants au niveau local et dans chaque Etat. Elle finance d'importants organismes caritatifs, la Croix-Rouge ou les associations de scoutisme, ainsi que des institutions religieuses et éducatives. Pour ces raisons, l'éventualité d'une prise de contrôle d'une entreprise américaine par une société liée à un gouvernement étranger exige une grande attention. Il ne s'agit pas d'un simple problème économique : ce qui est en jeu, ce sont des questions de changement social, d'influence politique et de capacité de décision.
La question du contrôle des grandes entreprises est toujours délicate, surtout s'il s'agit d'une intervention étrangère. Mais si la prise de contrôle vient d'un gouvernement étranger, le problème devient encore plus épineux. Même les Etats-Unis, particulièrement ouverts aux capitaux étrangers, ont parfois mis des limites dans des secteurs tels que la défense, les compagnies aériennes et les médias.
La tendance est à la levée de ces limitations, mais l'Amérique n'a jamais été confrontée, depuis le XIXe siècle, à l'éventualité d'une forte poussée des investissements directs opérés sous le contrôle d'un Etat étranger. Le problème pourrait se poser d'ici quelques années. L'achat par la Chine de bons du Trésor américain a permis aux Etats-Unis de financer l'importation à grande échelle de produits chinois. Tôt ou tard, Pékin pourrait envisager un réinvestissement plus agressif de ses fonds. Il pourrait décider d'acheter en masse des actions américaines, soit sous la forme de portefeuilles diversifiés, soit sous celle d'investissements directs dans des grandes entreprises américaines pouvant déboucher sur un actionnariat majoritaire, voire sur une prise de contrôle effective. Dans ce dernier cas, il risque d'y avoir des réactions.
En juin 2004, l'équivalent de 19 000 milliards de dollars en actions américaines était détenu par des opérateurs étrangers, pour la plupart des investisseurs privés européens. Les pays de l'Union européenne sont des démocraties occidentales ayant une culture industrielle et commerciale proche de celle des Etats-Unis et, par bien des aspects, de celle du Japon. Leurs filiales américaines sont aussi bien intégrées à la société que leurs homologues sous propriété américaine. Il n'en va pas de même avec la Chine, en tout cas pour l'instant. Tant que la Chine ne se sera pas rapprochée des critères occidentaux sur le plan de la gouvernance industrielle et commerciale, de l'indépendance judiciaire et de la réglementation du marché, des affaires comparables à celle d'Unocal risquent de survenir si les prises de contrôle direct d'entreprises américaines s'accélèrent. Le problème ne se limite pas aux Etats-Unis. Le comportement récent du président russe Vladimir Poutine et de Gazprom a révélé en Europe une forte sensibilité à l'égard de la question de l'indépendance énergétique. Les intérêts politiques nationaux empiéteront toujours sur les marchés libres.
Il est donc temps de se demander si les conseils d'administration ne devraient pas élargir leurs responsabilités. L'un des modèles possibles est le "capitalisme des parties prenantes" (stakeholder capitalism) : les dirigeants ne décideraient plus seulement en fonction du cours de Bourse de leurs actions, mais prendraient en compte d'éventuelles conséquences négatives sur les non-actionnaires (salariés, tissu local, clients, fournisseurs) - c'est-à-dire toutes les personnes "parties prenantes" de l'entreprise. Sam Palmisano, président et directeur exécutif d'IBM, formule bien le problème. "La situation des entreprises a changé, explique-t-il. Aujourd'hui, les préoccupations sociétales à long terme - comme l'égalité des chances, l'environnement et la gestion des ressources humaines - font l'objet dans l'opinion d'une attente aussi grande que celle concernant les bonnes pratiques comptables et les résultats financiers."
La "gouvernance industrielle" dans l'économie globale pourrait donc subir une profonde transformation dans l'avenir : les directeurs de grandes entreprises seront confrontés à des problèmes de plus en plus complexes. On devrait donc leur accorder une plus grande autorité et leur offrir un horizon à plus long terme que les intérêts immédiats des actionnaires-spéculateurs actuels.
Il va sans dire que, pour résoudre les grands déséquilibres actuels, il faudra de profonds changements dans les politiques nationales, dont les travers sont connus : déficits excessifs, gaspillage de l'énergie, lacunes au niveau de l'éducation et du système de santé. Mais même si d'authentiques progrès étaient réalisés dans ces domaines, les Américains doivent s'attendre à voir de plus en plus de leurs avoirs nationaux partir à l'étranger.
Pour gérer cette transition en douceur, les Etats-Unis ont besoin d'une politique plus réfléchie et plus décidée - en cohérence avec leurs grands intérêts économiques et politiques.
Traduit de l'anglais par Gilles Berton.
Felix G. Rohatyn est ancien ambassadeur des Etats-Unis en France, il gère actuellement un fonds d'investissement.

411) Editorial do Estado de S.Paulo sobre a politica externa

O vetusto jornal “reacionário” ataca outra vez…

O ESTADO DE S.PAULO
Notas & Informações
Quinta-feira, 11 de maio de 2006

O depoimento do chanceler

A política externa do governo Lula está baseada em dois grandes equívocos. O primeiro foi considerar que o Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exerceriam a liderança da América do Sul, nos campos político e econômico, com o agradecido beneplácito dos países da região - quando não havia condições, conjunturais ou históricas, para a explicitação da hegemonia brasileira.

O segundo erro foi dividir o planejamento e a execução da política externa entre o chanceler - que ficou com as negociações comerciais e o "resto do mundo" -, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia - incumbido da América Latina e do relacionamento com os "partidos irmãos" -, e o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães - que se encarregou de enquadrar a diplomacia nos cânones da doutrina terceiro-mundista.

Todos os tropeços e fracassos da política externa, acumulados nesses quase três anos e meio, derivam desses dois pecados capitais. A agressão aos interesses brasileiros na Bolívia - representados pela Petrobrás, mas não apenas por ela - foi apenas mais um, numa longa lista de fiascos. O fato é que, de concessão em concessão - para sustentar objetivos com escassas possibilidades de realização, como o lugar permanente no Conselho de Segurança, a integração da América do Sul no momento menos propício,e o abandono da Alca e de outros acordos de comércio -, a diplomacia brasileira perdeu a fibra, Hugo Chávez arvorou-se em líder regional e Evo Morales se sentiu à vontade para agredir o Brasil com o fato consumado da expropriação das instalações da Petrobrás.

Desde que a crise com a Bolívia eclodiu, no dia 1º de maio, não faltaram críticas à passividade do Itamaraty diante do episódio - em boa parte inspirado e incentivado por Hugo Chávez. Em seu depoimento à Comissão de Relações Exteriores do Senado, anteontem, o chanceler Celso Amorim chega perto de reconhecer o acerto daquelas críticas. Hábil diplomata, porém, referiu-se a uma crítica que ninguém fez ao Itamaraty para justificar o injustificável. "A política brasileira nunca será a do porrete, e sim a da boa vizinhança", afirmou, como se algum dos críticos dessa política tivesse sugerido um revide violento à violência boliviana.

Na mesma linha, disse que "se entrássemos em uma escalada de retaliações, estaríamos despertando ações irracionais". Daí se poderia depreender que o governo brasileiro nada poderia fazer diante da quebra de contrato e da ameaça ao patrimônio nacional - que a Constituição determina que seja defendido pelas autoridades. Mas essa interpretação se chocaria com a grave ameaça que o chanceler fez mais adiante. Agora exibindo o porrete, advertiu que, no caso de o governo de La Paz prejudicar de alguma forma os agricultores brasileiros que se instalaram na Bolívia, o governo brasileiro tratará, "com reciprocidade" os 70 mil imigrantes clandestinos bolivianos que residem no Brasil.

Mas o mais importante foi o que o chanceler revelou sobre os acontecimentos de bastidores. Segundo ele, o presidente Lula teve uma conversa franca com Hugo Chávez, manifestando-lhe seu descontentamento com as atitudes do coronel, que, além de açular Evo Morales, já explorou o descontentamento do Paraguai e do Uruguai com o Mercosul.

Ora, um puxão de orelhas, dado numa conversa privada, só teria sentido há pelo menos um ano atrás, quando o comportamento de Chávez se tornou um evidente fator de perturbação do equilíbrio regional. Depois da eclosão da crise com a Bolívia, e diante das evidências da interferência de Chávez, caberia ao Itamaraty aconselhar o presidente Lula a manifestar o seu desagrado publicamente - como fez naqueles dias o presidente Alexandro Toledo, quando o coronel venezuelano interferiu no processo eleitoral peruano. Mas, em vez disso, Lula aceitou passivamente na reunião de Puerto Iguazú, com os presidentes da Argentina e da Bolívia, a presença de Chávez, que não era parte nos assuntos a serem discutidos. Se é verdade, como afirma o chanceler Celso Amorim, que "a liderança se exerce pela atitude", naquela ocasião o presidente Lula mostrou que quem lidera é o coronel Hugo Chávez.

O depoimento do ministro Celso Amorim no Senado é uma confissão tácita do fracasso da política externa brasileira. Conduz a uma única conclusão: essa política não pode continuar.

410) Classificação de postos do Itamaraty no exterior

Serviços de utilidade pública (pelo menos para diplomatas, outros funcionários do serviço exterior, dependentes e assemelhados):

Classificação dos postos no exterior - Portaria do MRE de 10/05/2006
Ato do Ministro das Relações Exteriores
PORTARIA N° 216, DE 10 DE MAIO DE 2006

O MINISTRO DE ESTADO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, tendo em vista o disposto no decreto n° 93.325, de 1° de outubro de 1986, e no Decreto n° 1.565, de 21 de julho de 1995, resolve:

Artigo 1° - Aprovar a classificação, em grupos A, B e C e fixar a lotação numérica dos postos no exterior, conforme o quadro em anexo.

Artigo 2° - Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as portarias anteriores sobre a mesma matéria.

Posto Tipo Classe Chefe MSC Cons Sec OCs ACs APOs
ABIDJAN E. C 1 1 1 1 2
ABU-DHABI E. C 1 1 2 2 1
ABUJA E. C 1 1 1 1 2
ACRA E. C 1 2 1 3
ADIS-ABEBA E. C 1 1 1 2
AMAN E. C 1 1 1 2 1
ANCARA E. C 1 1 2 3 1
ARGEL E. C 1 2 1 2
ARTIGAS VC. C 1 3 2
ASSUNÇÃO CG. C 1 3 2 4 5
ASSUNÇÃO E. B 1 1 15 4 7 3
ASTANA E. C 1 1 1 2
ATENAS E. B 1 2 2 1
BANGKOK E. C 1 1 1 1 2
BARCELONA CG. A 1 2 5 1
BEIRUTE CG. C 1 1 2 1
BEIRUTE E. C 1 1 3 3 3
BELGRADO E. C 1 1 1 1 2
BELMOPAN E. C 1 1 1 2
BERLIM E. A 1 1 12 11 1
BERNA E. A 1 1 2 2 1
BISSAU E. C 1 2 1 2 1
BOGOTA E. C 1 1 11 2 6 2
BOSTON CG. A 1 1 1 6 2
BRIDGETOWN E. C 1 1 2 2 1
BRUXELAS E. A 1 1 3 4 3
BRUXELAS M. A 1 2 8 4 1
BUCARESTE E. C 1 2 2 2
BUDAPESTE E. B 1 2 4 1
BUENOS AIRES CG. B 1 1 4 6 4 2
BUENOS AIRES E. B 1 2 23 8 7 3
CAIENA C. C 1 2 3 2
CAIRO E. C 1 1 5 2 2
CAMBERRA E. B 1 1 4 3 2
CARACAS E. B 1 1 10 4 4 2
CARTUM E. C. 1 1 2 1
CHICAGO CG. A 1 1 2 3 2
CHUI C. C 1 1 3 3
CIDADE DO CABO C. B 1 1 2
CINGAPURA E. B 1 1 2 3
CIUDAD DEL ESTE CG. C 1 3 6 5 4
CIUDAD GUAYANA C. C 1 1 1 2 2
COBIJA VC. C 1 2 1
COCHABAMBA VC. C 1 2 1
COLOMBO E. C 1 1 2 1
CONCEPCION VC. C 1 1 2 1
COPENHAGUE E. B 1 1 2 3 2
CORDOBA CG B 1 2 2 2 2
COTONOU E. C 1 1 2 1
DACAR E. C 1 2 1 2
DAMASCO E. C 1 2 2 1
DAR-ES-SALAAM E. C 1 1 1 2
DILI E. C 1 2 2 1
DOHA E. C 1 1 1 1 1
DUBLIN E. B 1 1 1 4 1
ENCARNACION VC. C 1 3 1
ESTOCOLMO E. B 1 1 2 3 1
FRANKFURT CG. B 1 2 4 1
GENEBRA CG. A 1 1 3 1
GENEBRA M. A 1+2 2 19 7 5
GEORGETOWN E. C 1 3 3
GUATEMALA E. C 1 1 2 2 3 1
GUAYARAMERIN VC. C 1 2 1
HAIA E. A 1 1 4 4
HANOI E. C 1 1 3 1
HARARE E. C 1 1 2 1
HAVANA E. C 1 1 4 3 3
HELSINKI E. B 1 1 1 4
HONG KONG CG. B 1 2 2 1
HOUSTON CG. A 1 1 3 8 3
IAUNDÊ E. C 1 1 2 1
IEREVAN E. C 1 1 2 1
IQUITOS C C 1 1 1 2 1
ISLAMABADE E. C 1 2 1 2
JACARTA E. C 1 1 2 2
KIEV E. C 1 2 2 1
KINGSTON E. C 1 1 2 1
KINSHASA E. C 1 1 1 2
KUAITE E. C 1 1 2 1
KUALA LUMPUR E. C 1 1 1 2 1
LA PAZ E. C 1 1 10 4 4 2
LAGOS CG. C 1 1 1 1
LETICIA VC. C 1 1 2 2
LIBREVILLE E. C 1 1 1 2
LIMA E. C 1 1 9 3 3 2
LISBOA CG. A 1 1 3 4 3
LISBOA E. A 1 2 10 3 3
LISBOA M. A 1 1 1 2
LOMÉ E C 1 1 2 1
LONDRES CG. A 1 3 4 1
LONDRES E. A 1 2 11 8 2
LOS ANGELES CG. A 1 1 3 5 2
LUANDA E. C 1 1 5 3 4 2
MADRI E. A 1 1 7 9 3
MALABO E. C. 1 1 2 1
MANAGUA E. C 1 2 1 2 1
MANILA E. C 1 1 1 1 2
MAPUTO E. C 1 5 3 2 1
MEXICO E. B 1 1 7 6 5
MIAMI CG. A 1 2 5 8 4
MILAO CG. A 1 1 2 9
MONTEVIDEU CG. B 1 3 2 3 2
MONTEVIDEU E. B 1 1 11 5 5 3
MONTEVIDEU M. B 1 1 9 3 4 2
MONTREAL CG. B 1 3 3 2
MOSCOU E. C 1 1 11 2 7
MUNIQUE CG. A 1 1 2 1