domingo, maio 14, 2006

421) Ops!: eram os faraós anti-islâmicos?

Veja, edição 1956, 17 de maio de 2006

Fatwa contra os faraós
O Islã pode conviver com o Egito antigo? O mufti diz que não


O Egito é o mais populoso país muçulmano e também o depositário do mais impressionante patrimônio arqueológico do Oriente Médio. Pirâmides e imagens de pedra dão testemunho de 4.000 anos de história. Essas duas heranças culturais conviveram em relativa harmonia até agora – mas ninguém sabe o que pode ocorrer daqui em diante. No início do mês, um mufti, a mais alta autoridade em doutrina islâmica, baixou uma fatwa, um decreto religioso, condenando a exposição pública das imagens arqueológicas. O religioso baseou-se no princípio islâmico de que qualquer representação de figuras humanas exprime idolatria e, por isso, deve ser proibida – o mesmo conceito que levou o Talibã a explodir os budas gigantes do Afeganistão, em 2001. Um calafrio percorreu as autoridades egípcias. A fatwa não ameaça apenas os milhares de esculturas em museus e templos, mas também os trabalhos modernos expostos em praças públicas.

A questão não é apenas econômica – o turismo, que existe precisamente por causa do passado faraônico, é a segunda maior fonte de riqueza do país –, mas política, devido à força potencial de o decreto religioso desencadear uma onda de fanatismo e vandalismo. Até os religiosos estão preocupados com a proliferação de fatwas, cuja função principal é orientar o fiel em assuntos do mundo moderno. Basicamente questões que não existiam no tempo do profeta Maomé, como viajar de avião. Em sites especializados na internet, qualquer egípcio pode conversar on-line com os muftis e consultar fatwas anteriores, classificadas por temas ("esportes e jogos", "artes e entretenimento" ou "família") e por autor. O decreto contra o patrimônio arqueológico egípcio surgiu como resposta à dúvida de um cidadão comum.

O conservadorismo muçulmano está em alta no Egito e começa a afetar todos os aspectos da vida no país. "Há um grande recuo para o passado", diz Mohamed al-Sayed Said, do Centro de Estudos Estratégicos e Políticos, no Cairo. "Os modelos de desenvolvimento europeus, que guiaram o Egito desde o século XIX, vêm sendo abafados pelo aumento da religiosidade." Os sinais de perigo estão por toda parte. A Irmandade Muçulmana, grupo fundamentalista que serviu de inspiração para os terroristas da Al Qaeda e do Hamas, ganhou nas últimas eleições quase 20% das cadeiras do Congresso e se tornou a segunda maior força política do Egito.

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Agora eu pergunto: se os muftis pensam que tudo o que veio antes da palavra de Maomé é anti-islâmico (e a palavra do profeta só começa 1.400 anos atrás), tudo o que veio antes merece ser destruído?

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